O que é e como aplicar a aprendizagem criativa na escola?

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O maior legado de uma instituição de ensino é desenvolver para o mundo indivíduos com capacidade plena de pensar por si mesmos e atuar coletivamente para o bem comum, por isso, a aprendizagem criativa vem ganhando força dentro das escolas.

Existem diversos fatores externos que influenciam o pensamento e o modo de ser que cada criança e jovem. Os alunos já chegam com uma postura diferente e vão se tornando cada vez mais, protagonistas do próprio aprendizado.

O objetivo deste post é mostrar como é possível utilizar a aprendizagem criativa na escola. Para isso vamos apresentar o seu conceito, como funciona e quais são os principais benefícios desse método. Continue lendo e saiba mais sobre o assunto!

O que é e como funciona a aprendizagem criativa?

O mundo está a cada dia mais transformado pelas inovações tecnológicas e pela celeridade da informação. Com isso, as crianças e jovens estão mais curiosos, questionadores e já não se contentam em aprender pelos métodos convencionais da escola.

A aprendizagem criativa é uma forma de estimular práticas pedagógicas mais dinâmicas e voltadas para o desenvolvimento do conhecimento de forma mais abrangente, permitindo que o aluno seja também responsável pelo que aprende.

É uma tendência pedagógica que coloca o estudante no centro do aprendizado, incentivando sua participação ativa na resolução de problemas, o que o ajuda a construir pensamentos e conhecimentos de forma prática.

É uma metodologia desenvolvida pelo professor de pesquisa e aprendizado Mitchel Resnick e pelo educador Seymour Papert, sustentada por 4 pilares — projetos, parcerias, paixão e pensar brincando e compartilhando.

A ideia é que sob a orientação desses quatro pilares seja possível a criação, o teste, o erro e a construção do conhecimento em episódios reais nos quais o aprendizado ativo encoraje os alunos a encontrarem soluções efetivas para os problemas apresentados.

Embora na teoria seja muito fácil compreender o quanto a aprendizagem criativa pode ser benéfica, na prática é fundamental mudar o conceito tradicional de ensino, antes de dar início à nova jornada.

O formato tradicional de ensino é o que muitos educadores conhecem, por isso, somente investindo na formação de docentes para desfazer um conceito já consolidado, vai possibilitar que a adesão seja menos traumática para os profissionais da escola.

Com o método de ensino pela aprendizagem criativa tanto a equipe pedagógica, quanto os professores e alunos aprendem a ressignificar o relacionamento dentro da sala de aula e dos demais ambientes da escola.

Os estudantes são convidados a desenvolver um pensamento crítico e, com sua criatividade, encontrar respostas e reflexões para a série de situações que vão além das disciplinas comuns do currículo escolar.

Importante frisar que, além dos alunos, os professores devem compreender o valor da criatividade na escola e enxergarem a si próprios como instrumentos cruciais na aplicação das práticas em favorecimento do potencial de criação na sala de aula.

O aproveitamento será mais completo estando os profissionais engajados no propósito de transformar o ambiente e inspirar os alunos a explorarem sua capacidade de criação — quanto maior a sintonia entre alunos e docentes, melhores serão os experimentos.

De que forma a aprendizagem criativa pode ser utilizada na escola?

A inovação e as questões socioemocionais são dois dos principais fatores que fazem da aprendizagem criativa uma forte aliada para desenvolver as habilidades emocionais, motoras e cognitivas dos alunos.

Com o apoio emocional e o suporte pedagógico adequados, os laços se tornam mais fortes e os alunos se sentem mais confortáveis, além de seguros para criarem e produzirem ideias novas.

Para as escolas onde há crianças que apresentam distúrbios de aprendizagem esse é um método que facilita o ensino, pois, explora com cada aluno seu próprio ritmo de aprender sem criar barreiras ou estabelecer uma forma única de ensino.

Mesmo com tão pouca idade, as crianças e jovens têm noção do bem e do mal, do bom e do ruim, do obrigatório e do permitido, logo, ir à escola e participar das aulas ativamente, deve ser algo que faça sentido para eles e que seja de alguma forma positivo.

Muito se fala sobre a inteligência emocional e as diversas maneiras de ajudar as crianças e os jovens a lidarem com seus anseios, medos, dúvidas e tantos outros sentimentos complexos para quem ainda está em formação.

O auxílio, por parte da escola, deve direcionar para o fortalecimento das emoções e focar no princípio de que todo aluno carrega sua história e sua forma de lidar com cada situação, e que, talvez, não saiba ainda como controlar.

A liberdade e a autonomia são características desse tipo de aprendizagem, onde as crianças e jovens aprendem a lidar com as emoções, entender suas habilidades e executar as atividades com uma postura mais confiante.

A missão dos professores e equipe pedagógica é oferecer meios para que os alunos exercitem a criatividade em busca de algo diferente, que vá além do cronograma normal da escola.

O importante é que as crianças e adolescentes sintam entusiasmo para ir à escola, motivados pelo prazer de aprender — algo bem maior do que apenas cumprir o calendário pedagógico. Diversas atividades podem ser inseridas no dia a dia para que eles estudem sem se sentirem obrigados.

Veja algumas formas de incluir a aprendizagem criativa na rotina escolar!

Ambiente colaborativo

Tradicionalmente, as escolas reúnem os diversos alunos em salas de aula — de acordo com o grau de ensino, e chama isso de turma. Juntos, ao longo do ano, estudam e realizam atividades, seguindo à risca as orientações dos professores.

O que muda com a aprendizagem criativa é que os alunos passam a ter uma visão mais real de senso coletivo. A escola é a responsável por incorporar atividades que exijam o trabalho em grupo, onde todos devem participar e contribuir de alguma forma.

É essencial que eles entendam que um resultado de sucesso depende da dedicação individual e coletiva, sendo necessária a colaboração e a interação entre todos para participarem ativamente das decisões e da execução.

As crianças são inteligentes e, dificilmente, desistem quando estão diante de algo novo. A curiosidade e o desejo de aprender rápido é uma deixa para que a escola ofereça oportunidades de um crescimento interativo.

Recursos tecnológicos

A tecnologia alcançou todos os lugares e não será diferente para o universo escolar. Desde cedo, o mundo digital é simples e confortável para as crianças da atualidade — dominar um jogo de aplicativo é tão normal quanto as rodas de ciranda do passado.

Usar a tecnologia na educação facilita o diálogo, pois elas estão cada vez mais interativas e virtuais. A inclusão dos recursos tecnológicos é uma estratégia de incentivo à participação, mas, sobretudo, uma oportunidade dos estudantes saírem do campo das ideias para a prática.

Por meio de experimentos ligados à ciência e tecnologia, com videoaulas interativas, a rotina da escola pode ganhar uma nova atmosfera, bem mais animada e produtiva — o caminho de descobertas é sempre mais contagiante e acolhedor.

O processo investigativo a que se submetem os alunos durante tais atividades fará com que não desistam até que tenham um diagnóstico preciso e satisfatório. Isso vale para todas as atividades nas quais eles sejam protagonistas das próprias experiências.

Pensamento social e sustentável

Quantos professores já não tiveram dificuldades de manter os alunos atentos ao conteúdo das aulas? Também quantos sentem a dificuldade de fazer com que cada momento seja produtivo e com os melhores resultados?

As crianças e jovens estão em fase de adaptação constante, pois a evolução e formação de sua personalidade sofre interferências múltiplas, desde a educação dada pelos pais, a orientação dos avós, as postagens nas redes sociais e o exemplo dos colegas.

Com uma aprendizagem criativa é possível usar essa dinâmica de contatos para desenvolver projetos sociais e de preservação do meio ambiente, envolvendo a família e a sociedade para que prestigiem os trabalhos desenvolvidos pelos alunos na escola.

São processos que precisam ter algo de significativo, por um bem maior, pois assim os jovens estudantes se sentirão úteis, produtivos e cada vez mais dispostos a contribuir com as ideais mais criativas.

Como oferecer e avaliar a aprendizagem criativa em sala de aula?

Antes de levar a aprendizagem criativa para dentro da sala de aula, a equipe pedagógica deve se reunir com os professores para definir o que se espera com essa prática. Criar o ambiente e introduzir a novidade é, relativamente, simples e fácil.

Porém, os resultados devem abranger as turmas em sua totalidade ou os professores terão dificuldades em adotar critérios de avaliação da aprendizagem. Pensando em criatividade, para fazerem aulas mais divertidas, os professores devem primeiro saber desenvolver a criatividade dos alunos.

É fundamental disponibilizar um espaço central, onde os alunos se aglomerem e interajam para buscar soluções ou compartilharem impressões. Nesse espaço o professor acompanha, orienta, mas transfere para eles a responsabilidade pela criação coletiva.

Os equipamentos e materiais disponibilizados devem oferecer segurança para evitar o risco de acidentes e favorecer o bom desempenho dos alunos em seu desenvolvimento do conhecimento, com autonomia e liberdade criativa.

Algumas atividades são fáceis de aplicar como, por exemplo:

  • contação de história;
  • técnicas de design thinking;
  • aula com música;
  • conceito e aplicação da robótica;
  • experimentos com germinação de sementes;
  • gamificação;
  • podcasts;
  • uso de mapas mentais
  • jogos didáticos online.

Outro fator importante é que o professor deve estar preparado para compreender o que é um erro por algo desconhecido ou resultado de uma ação indevida. Esse entendimento terá um papel relevante na hora de fazer intervenções pontuais ou avaliar os resultados.

Dar autonomia e incentivar a participação são os primeiros passos para a autoconfiança. Cada aluno reagirá de uma forma diferente e todos devem ter funções e se complementarem.

Assim também é a vida adulta quando em uma empresa existem líderes e liderados. Os trabalhos coletivos na escola vão preparar as crianças e jovens para serem no futuro, adultos que sabem trabalhar em equipe e priorizar o sucesso, acima das diferenças.

Além de todos os materiais possíveis é primordial implementar situações reais de aprendizagem, onde os problemas exijam soluções práticas e em curto prazo. Isso obriga os alunos a pensarem coletivamente para apresentarem soluções viáveis.

A avaliação perpassa a ideia de que as crianças e jovens devem terminar a aula com a sensação de produtividade e descoberta de conhecimentos, emoções e habilidades. Dali vão se descobrindo talentos e um vislumbre de uma profissão no futuro.

Sem interferência direta, o professor pode avaliar as situações, considerando a evolução dos estudantes pelo desenvolvimento da empatia, do poder de argumentação e de questionamento, além da facilidade de trabalhar com e para o outro.

Quais são os principais benefícios da aprendizagem criativa?

O mais interessante da aprendizagem criativa é a ênfase no presente, com a certeza do quão será benéfica no futuro dos alunos. Durante a prática, cada criança ou jovem tem a oportunidade de interagir consigo e com os outros. Veja os benefícios que esse método pode oferecer!

Desenvolvimento de habilidades e competências

Esse olhar voltado para sim mesmo, instintivamente, os estimula a colocarem para fora as potenciais habilidades e competências. Esses são termos que alunos ainda em formação podem não entender, mas que identificarão rapidamente na fase adulta.

Não se tratam apenas de habilidades mentais e manuais, mas também das emocionais — em que a criança ou o jovem vai descobrindo como eles mesmo reagem a determinadas situações e quais são as atitudes tomadas, com ou sem uma análise prévia.

Autonomia de aprendizado

Além do protagonismo e da descoberta das habilidades que podem ser úteis para ajudar no coletivo, o aluno é incentivado a ser independente na busca pelo conhecimento e aprendizado.

De forma autônoma ele segue aprendendo como gerenciar uma ou mais situações, e ser responsável por isso. Mesmo com o acompanhamento do professor, a aprendizagem criativa sugere que o próprio aluno deve encontrar soluções possíveis, ainda que demore mais que o previsto.

Ambiente agradável e estimulante

Quanto menos arbitrário e repressor for o ambiente da escola e da sala de aula, mais resultados criativos poderão ser alcançados. Espaços lúdicos, atípicos e nada convencionais são os que as crianças e jovens mais apreciam.

Desfazer a fila de carteiras e colocá-los de frente uns para os outros estabelece vínculos mais duradouros. Dessa forma todos se comunicam com maior facilidade, passando a se interessar pelo bem-estar coletivo.

Liberdade de expressão e pensamento

A escola que entende que no mundo atual não cabe um ensino engessado e que a criatividade requer um papel de destaque, tirará seus alunos de uma caixinha limitada e abrirá as portas para os mais diversos pensamentos.

As ideias fluem melhor quando não impostas e obrigatórias. Com a aprendizagem criativa e um bom relacionamento, o professor terá menos dificuldades para fazer com que os discentes estejam atentos e queiram participar da aula.

Por que o papel do educador é essencial na aprendizagem criativa?

Como a aprendizagem criativa é uma prática relativamente nova para a maioria das escolas brasileiras, muitos professores estão com o conhecimento defasado. Eles fazem parte de um grupo de docentes que cravou o seu método de educação em um modelo do passado.

O principal desafio é conectar diretoria, coordenação e docentes à metodologia de aprendizagem criativa. Eles precisam ser mediadores de um autodesenvolvimento, mas antes disso, devem estar alinhados com o conceito de que os alunos são corresponsáveis pelo próprio aprendizado.

Também as atividades, os materiais e os meios de ofertar novas experiências dentro das salas de aula devem ser de total conhecimento e domínio dos professores para que estejam aptos a acompanharem, facilitando e avaliando a aplicação da aprendizagem criativa, em paralelo ao cronograma.

Liberdade para criar

Vale lembrar que a criatividade é algo que não segue um manual de instruções, cheios de regras e passo a passo. Tudo que os professores podem e devem fazer é estimular o processo criativo e a capacidade de desenvolver ideias das crianças e jovens.

É com o professor que eles passam a maior parte do tempo em que estão na escola, logo ele é a figura que transmite segurança, de quem cada aluno espera apoio e encorajamento para vencer seus medos e barreiras.

A inovação gera curiosidade e, ao mesmo tempo, receio. São sentimentos controversos, mas compreensíveis, em um segmento ainda tão tradicional. Colocar os estudantes no centro do próprio aprendizado e ensiná-los a pensar, em vez de apenas consumir conteúdo, não é algo comum de ser ver em escolas.

Isso não quer dizer que escolas e professores devem abandonar de vez a forma tradicional de lecionar as principais disciplinas. É possível alinhar a aprendizagem e introduzir possibilidades, sempre com foco no desenvolvimento dos alunos.

Revisão do método de trabalho

Na aprendizagem criativa, a imagem do professor à frente da turma em um ensino unilateral inibe qualquer tentativa de extrair ideias e sugestões dos alunos — o professor deve repensar seus conceitos e revisar a metodologia antes de se aventurar por novos caminhos.

A função mais expressiva do educador na aprendizagem criativa é deixar que os estudantes façam descobertas por si mesmos. Que errem e encontrem o caminho de volta para o acerto.

Quanto mais eles se sentirem confiantes, mais suas habilidades e talentos serão evidenciados. Isso faz com que os questionamentos, os debates sejam mais bem elaborados e, até mesmo, as frustrações mais bem esclarecidas.

As crianças e jovens que têm a chance de desenvolver o lado criativo, crescem mais confiantes, sem medo de errar e quando erram, sabem que é possível corrigir e aprender com o erro.

Flexibilidade durante a aula

Outro aspecto que o professor de uma escola onde se aplica a aprendizagem criativa está sujeito é entrar na sala com uma aula preparada e sair dela sem sequer ter tido a oportunidade do colocar seu primeiro conteúdo.

A diferença é que, possivelmente, a aula será ainda melhor, pois os alunos motivados são muito mais participativos, cheios de opinião, ideias e vontades. São aulas dinâmicas, prazerosas e enriquecedoras para todos os envolvidos.

Nenhum professor deve ir para a sala de aula cheio de certezas e teorias. Quanto mais aberto para receber e trocar novas informações com os estudantes, mais chances de alcançar resultados surpreendentes durante cada aula.

Os docentes que atuam em uma escola que usa a metodologia devem esquecer o método tradicional a que foram submetidos enquanto discentes, o engessamento da formação para se tornarem professores e os julgamentos, teimando em dominar os pensamentos diante de algo com o qual não concordam.

O pensamento é livre na aprendizagem criativa e tudo pode ser aproveitado como possibilidade e oportunidade, desde que os facilitadores e mediadores estejam preparados para organizarem as ideias, ajudando seus alunos a formularem melhores respostas.

Reinvenção do modo de trabalho

Quando uma aula criativa acontece, involuntariamente, todos dentro da sala de aula saem da zona de conforto para reinventarem seu modo de ser e de enxergar a vida e os desafios — professores e alunos em conexão com o inesperado.

Aquele professor, acostumado a dar aulas enquanto os alunos fazem anotações ou fazem perguntas pontuais em cima do que acabou de ser explicado, sai da condição de mestre, para se tornar um aprendiz.

A inversão de papéis se dá de forma natural, pois as crianças e os jovens nascem e crescem com habilidades que desconhecem, mas que aprendem a desenvolver com a criatividade, ensinando aos professores.

Enquanto isso, os docentes mesmo sabendo que possuem alguns talentos preferem mantê-los silenciosos, uma vez que entendem que estão destinados a descobrirem com alunos criativos que podem estar errados.

A criatividade não é um detalhe da personalidade humana, mas um fio condutor para diversos outros pensamentos e sentimentos que muitas crianças e jovens podem desenvolver para se tornarem adultos mais proativos e confiantes.

É na fase escolar que o potencial criativo deve ser estimulado e incentivado. O ambiente de aprendizado, desenvolvimento, evolução e inovação é propício para valorizar as pequenas, médias e grandes ideias.

Pensando na teoria dos 4Ps, a aprendizagem criativa planeja formar parcerias entre os alunos, propor, elaborar e desenvolver projetos, despertar a paixão durante o processo criativo e compartilhar as informações para um resultado bem-sucedido.

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O que é e como aplicar a aprendizagem criativa na escola?