COMO MONTAR AULAS E ATIVIDADES À DISTÂNCIA EM TEMPOS DE QUARENTENA?

atividades a distancia
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O planejamento é indispensável para organizar os passos de qualquer tarefa. Nesse sentido, o plano de aula é um dos principais aliados dos professores, ganhando ainda mais relevância na hora de montar aulas e atividades a distância durante a pandemia de Covid-19. Afinal de contas, o documento deve contextualizar o ensino remoto e utilizar práticas que estimulem o engajamento dos alunos.

No decorrer deste período desafiador pelo qual passamos, precisamos nos adaptar e reinventar. Por isso, Carolina Pavanelli, diretora pedagógica da Plataforma de Ensino Eleva, reuniu algumas dicas e informações funcionais sobre como montar aulas e atividades a distância e sobre ensino não presencial — um modelo novo e desafiador para todos nós no momento que estamos vivendo.

Você pode assistir ao vídeo completo no nosso perfil do Instagram, ou no nosso canal do Youtube.

Quer saber mais? Confira, neste post, tudo o que você deve saber para montar aulas remotas!

O que oferecemos no início da pandemia e isolamento social?

  • Calendários de atividades e propostas pedagógicas para todas as séries, do Infantil ao Ensino Médio, que abordam estudos e revisões da apostila, uso da Plataforma e até sugestões de podcasts, filmes e textos;
  • Mais de 2000 videoaulas, de teoria e exercícios, foram adicionadas no Canal Eleva;
  • Abrimos uma central especial de atendimento e assessoria às nossas escolas parceiras;
  • Inserimos novos conteúdos no Tri.P EAD, e a produção continua para que o professor siga se capacitando.

O que apresentamos desde o final de março?

  • Livro digital: nosso material didático, que sempre esteve disponível online para professores, agora também estará disponível para nossos alunos no Portal Eleva. Com isso, ele poderá não só aprofundar seus estudos, mas também acompanhar as propostas de aulas dos professores;
  • Planos de aula: nossos educadores das escolas próprias e assessores pedagógicos prepararam planos de aula completos, que auxiliam professores e famílias no direcionamento do estudo não presencial. Ao montar aulas e atividades, os planos contam com objetivos de aprendizagem, parte teórica, parte prática e de registro, além de sugestões de recursos da Plataforma, como videoaulas;
  • Google Classroom: incentivamos fortemente o uso das ferramentas Google. Já o implementamos em nossas marcas próprias e sugerimos que as parceiras façam o mesmo. É gratuito e extremamente intuitivo. Pra quem não conhece, o Google Classroom é uma ferramenta que cria um ambiente com características semelhantes à dinâmica escolar, pois possibilita a interação professor/aluno por meio de atividades síncronas e assíncronas, bem como acompanhamento dessa rotina por parte da coordenação. Nessa ferramenta, a escola consegue criar “janelinhas” por turma e inserir seus respectivos alunos e professores. Assim, os professores podem inserir atividades, vídeos, áudios e demais recursos. Ali, os alunos também podem disponibilizar a resolução de atividades e as dúvidas para os docentes, permitindo uma boa interação digital.

O que são aulas assíncronas e aulas síncronas?

Aulas não presenciais assíncronas podem ser definidas como aquelas em que o professor e o aluno não estão interagindo ao mesmo tempo. Muitos cursos a distância já utilizam as aulas assíncronas, já que trazem mais flexibilidade para ambas as partes na resolução das atividades. Ao fornecer, por exemplo, atividades do Google Classroom e videoaulas, a escola está adotando o método assíncrono e deve sugerir o prazo de entrega das respectivas atividades aos alunos.

Em relação às aulas síncronas, professores e alunos ficam conectados simultaneamente. Para esse recurso funcionar adequadamente, é necessário contar com uma conexão de internet razoável. Nesse método, o professor tem a oportunidade de se comunicar diretamente com seus alunos e compartilhar a tela do seu computador para mostrar slides, por exemplo.

Quais os maiores desafios no planejamento de aula para o ensino não presencial?

A quarentena pegou as escolas e equipes pedagógicas de surpresa. Em um curto espaço de tempo, foi necessário se adaptar à nova realidade, a fim de garantir que os estudantes continuassem estudando mesmo estando dentro de casa. Isso gerou e ainda gera uma série de desafios para os educadores.

Para Andreza Vieira, assessora pedagógica da Plataforma Eleva, a experiência tem sido muito desafiadora. ‘’Passamos a assumir muito mais papéis do que antes. Hoje, além de professores, somos youtubers, técnicos de informática, conselheiros e amigos. Isso tudo muitas vezes sem as respostas não verbais dos nossos alunos, que no modelo presencial funcionam como termômetro da aula’’, afirma a profissional.

Além disso, a profissional ressalta que na escola era possível contar com uma ferramenta poderosa: o coletivo. Isso porque a interação entre pares é fundamental para promover o aprendizado. Essa proximidade contribuía para criar vínculos de confiança e afeto. No modelo remoto, há certa dificuldade para manter a mesma frequência de contato que ocorre na sala de aula física.

‘’Contudo, é inegável que essa experiência deixará um bom legado na forma de diversificação pedagógica e uso de tecnologias digitais de informação e comunicação. Conhecimento não ocupa espaço, assim, os recursos didáticos, estratégias de ensino, atitudes e procedimentos adquiridos durante o ensino remoto serão adaptados para o espaço físico da sala de aula no ensino presencial’’, ressalta Andreza.

Inclusive, o próprio ensino híbrido, que tem sido adotado nesse primeiro momento de retorno das aulas sem a possibilidade de uma vacina, agora é aplicado de uma maneira mais branda e segura por parte do corpo docente — o que já é um reflexo das experiências vivenciadas e lições aprendidas no ensino remoto.

Há um conjunto de desafios diários a serem vencidos pelos educadores. Acompanhe alguns deles!

Criação de conteúdos diferenciados

Uma vez que está estudando em casa, o aluno pode facilmente se distrair com outras coisas. Diante disso, é preciso desenvolver conteúdo diferenciados, que sejam atrativos e interativos, com a finalidade de prender a atenção dos discentes e fazer com que a as atividades a distância sejam produtivas.

Descoberta de novas tecnologias

O uso de plataformas tecnológicas é desafiador para os professores que não estão habituados a elas. Primeiramente, as escolas tiveram que capacitar os educadores para lidar com esses recursos e posteriormente buscar ferramentas que incentivassem a interação dos estudantes.

Rompimento do vínculo professor/aluno

De acordo com a assessora pedagógica da Plataforma Eleva, o isolamento social acabou por provocar o rompimento do vínculo professor/aluno, e o ensino presencial não tratou essa desconexão, que é representada por alunos que se comportam de forma indiferente, mantendo as suas câmeras fechadas durante a aula.

Nessas circunstâncias, o professor é obrigado a deslocar a sua energia, tirando o foco do ensino do conteúdo por alguns instantes para depois voltar para a sua forma de aprendizagem. “Motivar os alunos passou a ser um objetivo também, e isso tem que estar muito claro no momento de planejar uma aula. É preciso se conscientizar de que a aula não se dá mais no ambiente controlado da escola — e isso, por si só, aumenta exponencialmente a quantidade e a variedade de distratores’’, destaca Andreza.

Basicamente, mais do que assegurar que o aluno se concentre e olhe para a tela do computador, é necessário encontrar mecanismos que façam com que ele queira estar em frente à tela. Para isso, há que se demonstrar criatividade, entusiasmo e dedicação.

O que deve ter em um plano de aula?

Em primeiro lugar, ao elaborar aulas e atividades, pense no tempo que os alunos terão que dedicar para estudar em casa. Para manter uma rotina que será recuperada em breve, deve-se aproximar o período que eles estariam na escola ao tempo de estudos em casa. Sendo assim, recomendados, em média, por dia:

Desse modo, os planos de aula devem levar em consideração a quantidade de aulas que a matéria tem por semana, pautando-se pela grade e pelo calendário da escola. Em geral, um plano de aula eficiente conta com os seguintes elementos:

  • Objetivos de aprendizagem: devem ser pensados de acordo a perspectiva dos alunos. Dito isso, procure fazer o uso dos comandos da Taxonomia de Bloom;
  • Insumos do professor: é a etapa voltada para a parte teórica, de conteúdo, da aula. Pode ser realizada com a aplicação textos explicativos, vídeos, slides, imagens e áudios;
  • Atividade prática para o aluno: consiste em simular o momento da aula no qual o aluno pratica aquilo que aprendeu. Pode ser por meio de exercícios na apostila, atividades extras, explicação oral (gravada em áudio), montagem de circuito, contação de histórias, produção textual, leitura de livro e sistematizações diversas;
  • Registro de atividade: deve ser feita pelo aluno e compartilhado com o professor. Pode ser feita com fotos, vídeos, áudios, textos escritos e até outras ferramentas Google, como o Docs e o Forms;
  • Feedback: trata-se da devolutiva do professor para o aluno. Geralmente, acontece por meio da correção dos exercícios ou demais avaliações e respostas às atividades sugeridas.

Qual o passo a passo ideal para um planejamento de aula no ensino não presencial?

A elaboração do planejamento de aula remota tem que levar em consideração as particularidades dessa modalidade. Saiba qual é o passo a passo ideal para planejar as atividades a distância, segundo a nossa assessora pedagógica.

Faça uma avaliação diagnóstica inicial

Antes de qualquer coisa, é recomendado fazer uma avaliação diagnóstica inicial, cujo objetivo é identificar quais são os conhecimentos prévios dos alunos. Isso permite ter uma perspectiva do quanto os alunos estão aprendendo, quais são os pontos que precisam ser reforçados e se é possível introduzir novos assuntos.

Defina os objetivos e as habilidades que os alunos devem trabalhar

É necessário deixar bem claro quais são os objetivos ao trabalhar um tema com os alunos e quais são as habilidades que eles devem desenvolver por meio do conteúdo aplicado. Essa definição melhora o direcionamento das aulas, pois o educador irá conduzi-las para atingir as metas previamente estabelecidas.

Planeje a contextualização

Para que esse processo seja bem-sucedido, é de suma importância buscar a aplicação dos conceitos que vão ser trabalhados junto aos discentes, o que significa problematizar os conteúdos apresentados, além de usar situações e ferramentas que sejam capazes de aproximar o que vai ser ensinado da realidade vivenciada pelos estudantes.

Escolha os melhores estímulos para as aulas

Como já foi dito, a interação é um fator primordial para que as aulas sejam produtivas. Para tanto, o professor precisa escolher estímulos que tornem os conteúdos mais atrativos, como vídeos, podcast, texto, exercícios, ilustrações e gamificação. Tenha em mente que as ferramentas escolhidas devem estimular o aluno a ter um papel mais ativo na construção do conhecimento. Ao fazer a devolutiva dos conteúdos, dê feedbacks após as intervenções dos estudantes.

Quebre o gelo para aumentar o engajamento

Sempre que for falar sobre um novo assunto ou perceber que a turma está dispersa ou desinteressada, reserve o início da aula para aplicar uma atividade quebra-gelo, que ajuda a aumentar o engajamento. No final da aula, faça uma avaliação imediata, apontando as questões positivas e as que devem ser melhoradas — o que contribui para a realização de ajustes no seu planejamento.

Quais erros devem ser evitados ao planejar aulas não presenciais?

Andreza Vieira acredita que o principal erro a ser evitado é a reprodução tradicional da sala de aula para a modalidade online, transformando as telas em lousa e fazendo com que os alunos permaneçam em uma posição passiva. ‘’Essas atitudes produzem uma monotonia que não ajuda no engajamento — pelo contrário, facilitam o desinteresse. Além disso, o planejamento da aula deve abarcar os objetivos a serem atingidos, mas não se bastar nesse fim’’, pontua.

Os educadores precisam compreender que a dinâmica do ensino remoto difere totalmente do ensino presencial, e isso tem que ser considerado no momento de planejar a aula. O ideal é reduzir o esforço de exposição e focar em elaborar situações problema. Nesse cenário, apropriar-se de metodologias ativas, como é o caso da sala de aula invertida, é uma ótima estratégia para dinamizar a aprendizagem, por exemplo.

Por fim, a assessora pedagógica da Plataforma Eleva diz que para manter o engajamento dos alunos e obter bons resultados na aula remota, é preciso desafiá-los, tirando-os da zona de conforto, além de criar estímulos que os incentivem a participar e dar feedbacks sobre a sua atuação para que se sintam parte do processo. ‘’Tirar o foco só da informação e voltar-se também para a forma como ela é entregue faz toda diferença entre uma sala virtual cheia de ‘vazios’ ou repleta de movimentos estimulados pela curiosidade’’, aponta.

Com isso, acreditamos que o fluxo de ensino e aprendizagem pode reduzir os prejuízos para aqueles que são nosso maior foco: os alunos. Esperamos que essas explicações sobre o planejamento de atividades a distância tenham sido úteis. Temos a certeza de que, juntos, aprenderemos muito e superaremos as adversidades de um momento tão difícil como a pandemia.

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