Como fazer o planejamento escolar com o Novo Ensino Médio?

Como fazer o planejamento escolar com o Novo Ensino Médio?
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Pensar no planejamento escolar do Novo Ensino Médio é fundamental para se adequar às mudanças propostas para a educação brasileira. A partir de agora será necessário dividir as disciplinas em áreas de conhecimento e oferecer itinerários formativos, o que traz mais flexibilidade aos alunos e também gera uma série de desafios para as escolas e educadores.

Uma das principais questões a serem revistas é a logística, já que a instituição de ensino terá que lidar com diferentes turmas formadas de acordo com os interesses dos estudantes — questão que requer a reorganização do espaço físico do ambiente escolar. Também é importante mudar a mentalidade do corpo pedagógico e dos discentes, uma vez que os jovens terão mais autonomia para realizar as suas escolhas dentro da rotina de aprendizagem, tendo que obrigatoriamente contar com a orientação de profissionais capacitados.

Soma-se a isso a necessidade de oferecer projetos integrados e trabalhar o Projeto de Vida de forma estruturada. Para tornar essa transição mais prática, nós conversamos com Virgínia Chaves, Líder de Assessoria Pedagógica da Plataforma da Eleva, para trazer dicas para um bom planejamento. Confira!

Como compreender as novas exigências da sala de aula?

De acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018, 11.8% dos jovens com idade entre 15 a 17 anos estão fora da escola, o que significa 1,1 milhão de pessoas. Essa alta taxa de evasão de alunos do Ensino Médio originou a necessidade de ter um segmento que dialogue com os jovens e com o mercado de trabalho, que está em crescente mudança.

‘’Cada vez mais nos deparamos com profissões jamais pensadas por nós que pertencemos a outras gerações. Dessa maneira, era imprescindível que a escola se adaptasse a esse novo contexto, que já não é tão recente assim, seguindo os passos do que já se faz em escolas pelo mundo afora’’, afirma Virgínia Chaves.

Nesse sentido, para compreender as mudanças a serem desenvolvidas na educação, é preciso pensar em uma sala de aula integrada. O limite das disciplinas deve ser fluido, estimulando o jovem a conectar os conhecimentos que adquirir em sala, seja ela presencial ou remota.

Além disso, a resolução de problemas como forma de aprendizagem passa a ser vista como uma condição básica para a concretização eficaz do ensino por áreas.

“A transmissão vertical de conhecimento perde amplamente seu espaço e dá lugar a formas mais ativas de compartilhamento. Mas nada disso acontece de um dia para o outro. É preciso investir muito em formação continuada não somente do corpo docente, mas de toda a comunidade escolar, pois a mudança é estrutural, e vai além do currículo”, acrescenta a Líder de Assessoria Pedagógica da Eleva.

Quais são as principais alterações a serem implementadas?

O Ministério da Educação (MEC) determinou que o Novo Ensino Médio deve ser implementado até 2022. Por isso, muitas escolas já estão revisando os seus processos, a fim de adequá-los à proposta e garantir que eles sejam feitos de forma cuidadosa e orientada. Veja quais são as mudanças que devem ser implementadas pelas escolas.

Divisão do ensino por áreas de conhecimento

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Médio será organizada por áreas de conhecimento, como Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Ciências da Natureza e suas Tecnologias.

Flexibilidade

Os alunos terão a oportunidade de escolher em quais itinerários formativos desejam se aprofundar, o que inclui a formação técnica/profissional. As únicas disciplinas que obrigatoriamente deverão ser estudadas nos três anos do segmento são: Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Matemática.

Carga horária

A carga horária do Novo Ensino Médio vai aumentar de 2.400 horas para 3.000 horas, das quais 1.200 poderão ser escolhidas pelo estudante. Todas as escolas terão que migrar para o ensino em tempo integral até 2024.

Para Virgínia Chaves, o ideal é que a grade horária seja dividida em disciplinas por motivos de organização das cargas de professores. ‘’Estamos iniciando essa nova jornada e queremos que aconteça de forma suave, justamente porque as mudanças são grandes’’, completa.

No entanto, essa divisão não consiste na compartimentalização dos conhecimentos disciplinares. Além dos projetos integrados, que são interdisciplinares, o ensino será trabalhado no contexto da carga horária regular da formação geral básica, contando com o auxílio de professores de disciplinas diferentes.

Com isso, cria-se uma oportunidade para que os educadores que ainda não vivem essa realidade possam experienciá-la. Assim, a formação continuada se faz crucial para instrumentalizar os professores e auxiliá-los na mudança de mentalidades em relação ao ensino contemporâneo e o protagonismo do aluno.

‘’O professor (eu incluída) precisa passar o bastão aos estudantes, pois estivemos tempo demais em evidência direcionando todas as dinâmicas possíveis de aprendizagem. Agora, com o Novo Ensino Médio, temos uma excelente oportunidade de virar a chave e praticar o protagonismo do aluno’’, ressalta a Líder de Assessoria Pedagógica da Eleva.

Como montar um cronograma para a adaptação ao Novo Ensino Médio?

A adoção de um cronograma de ações para a adaptação ao Novo Ensino Médio permite que a escola faça interações no decorrer do percurso de forma mais segura. Por meio dele, você pode antever os possíveis obstáculos do processo de transição e, assim, agir antecipadamente para corrigi-los. Entenda quais são os passos para montar um cronograma bem estruturado.

Conscientize a comunidade escolar sobre a mudança

Antes de qualquer coisa, é necessário garantir que todos os membros da comunidade escolar estejam na mesma página. O diretor, educadores, alunos e responsáveis devem entender o que é o Novo Ensino Médio e o impacto que ele causa na instituição de ensino.

Segundo Virgínia Chaves, o mais apropriado é estabelecer um objetivo comum e que haja muito diálogo acerca de como as mudanças serão implementadas, permitindo ajustes ao longo do tempo. ‘’A mudança estrutural será a primeira a ser notada, porém as alterações secundárias de mentalidade dos professores e alunos, bem como do corpo pedagógico da escola, serão vistas posteriormente refletindo nas práticas pedagógicas’’, destaca.

Comunique-se com as famílias

De nada adianta preparar a escola para as mudanças, mas não comunicar as famílias sobre o que será feito. Portanto, mantenha os responsáveis informados a respeito das ações implementadas, deixando-os a par de tudo, de modo que caminhem junto com a instituição de ensino e acreditem no projeto trabalhado em sala de aula.

Invista na capacitação dos professores

Para que tudo funcione conforme o planejado, é imprescindível contar com professores capacitados e que entendam o propósito das alterações feitas. Diante disso, ofereça cursos de atualização de acordo com as normas da nova BNCC e dê suporte para que os educadores saibam como orientar os seus alunos nas escolhas dos itinerários formativos.

Trace estratégias baseadas nas intenções dos estudantes

Outro ponto importante é que o corpo pedagógico trace estratégias para compreender quais são as intenções dos alunos do 9º ano, o que ajuda a definir itinerários formativos que estejam em harmonia com os interesses dos jovens e, assim, gerem engajamento e comprometimento na jornada de aprendizagem.

Faça a adequação logística

Resolvidas as questões burocráticas, a escola inicia o planejamento logístico para a adequação de carga horária de professores, infraestrutura de salas e modalidades de ensino, que podem ser presenciais ou remotas. Verifique também quais tecnologias precisam ser adquiridas para que o projeto seja colocado em prática.

A construção do planejamento escolar do Novo Ensino Médio é indispensável para guiar a instituição de ensino na implementação da proposta, além de ajudar a identificar o que demanda alterações e reduzir eventuais erros. Ter à sua disposição parceiros que facilitem essa transição faz toda a diferença, como é o caso da Plataforma de Ensino Eleva, que oferece às escolas um programa de formação global, que contempla a formação de professores, corpo pedagógico e alunos.

‘’Nosso diferencial é saber como a escola se move. Os gestores na Eleva são professores atuantes. Sou professora de Biologia, por exemplo. Dessa maneira criamos nossas soluções com um olhar mais empático, de quem faz parte do processo e conhece algumas das principais dores’’, reforça Virgínia Chaves.

Quer saber tudo sobre o Novo Ensino Médio da Eleva? Acesse agora mesmo o nosso site do Novo Ensino Médio e tire todas as suas dúvidas!

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