O que é cultura maker e por que utilizá-la em sala de aula?

Cultura maker menina desenhando um projeto que irá realizar
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Aprender a partir de uma perspectiva prática — esse é o intuito da Cultura Maker, um movimento que incentiva a “mão na massa” e começa a se tornar tendência também nas escolas. A ideia é que o ensino seja baseado na experiência do aluno, que passa a se tornar protagonista, além de poder desenvolver a sua criatividade, o seu senso crítico e também o trabalho em equipe.

É uma maneira inovadora de engajar o estudante na aquisição do conhecimento com a integração de diversas disciplinas e com o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Mas você sabe como implantar o conceito em sala de aula? Acompanhe nosso post e conheça melhor o que é a Cultura Maker, bem como algumas ideias para colocá-la em prática e os benefícios da tendência para seus alunos. Boa leitura!

O que é cultura maker e por que utilizá-la em sala de aula?

O que é Cultura Maker?

A Cultura ou Movimento Maker parte da ideia do “DIY (Do It Yourself)”, ou “Faça Você Mesmo” — que você já deve ter visto em diferentes tutoriais na internet. Inicialmente, a ideia ficou mais concentrada em laboratórios e na criação de tecnologias. Porém, atualmente, seu conceito já é uma realidade também em muitas escolas.

Em vez de centrar o aprendizado apenas na teoria, os professores podem propor experimentações aos alunos e, desse modo, explorar sua criatividade, raciocínio e planejamento. É uma atividade em que tentativas e erros são permitidos até que o aluno possa acertar.

Trata-se de uma maneira inovadora de aprender, em que crianças e jovens podem trabalhar em grupo para idealizar, consertar e modificar diversos objetivos. É uma oportunidade para que eles sejam desafiados a propor soluções para diferentes problemas e a enxergar conceitos além do ponto de vista comum.

Um pouco sobre o surgimento da Cultura Maker

A Cultura Maker não está limitada ao ambiente escolar. Ela surgiu em comunidades que identificaram a necessidade de valorizar a colaboração como ferramenta de aprendizado.

De forma geral, a proposta é muita vezes conectada à geração dos millennials, nascidos entre 1979 e 1995. Esses jovens e adultos utilizam a internet como uma ferramenta para a aquisição do conhecimento, assim como para o compartilhamento de habilidades.

Os tempos de pandemia exemplificam como a Cultura Maker é experimentada pelos jovens. Com o auxílio de tutoriais, transmissões ao vivo em redes sociais, ou mesmo por meio de ligações com conhecidos ou familiares, os jovens descobrem maneiras de cozinhar, cuidar da casa ou mesmo criar projetos — como construir um jardim ou apoiar ações sociais, mobilizando amigos e conhecidos por um bem maior.

No contexto de distanciamento social, a Cultura Maker encontra muito sentido como uma forma de reconectar pessoas que estão fisicamente distantes na cidade. É como uma ponte que permite uma aproximação (ainda que virtual), com o apoio de dinâmicas ou outras iniciativas.

Mas a Cultura Maker não está limitada aos contextos de pandemia, de distanciamento social nem mesmo dentro da esfera dos millennials. Há muito mais a ser explorado dentro de escritórios, casas de descanso ou mesmo salas de aula.

Como colocar essa tendência em prática?

O ideal é que as escolas façam um planejamento das atividades que serão baseadas na Cultura Maker e, se possível, tenham um local dedicado à realização dessas experiências — um espaço ou laboratório maker.

Na atualidade, é possível desenvolver vários projetos com o uso de impressoras 3D, que estão mais acessíveis, cortadores a laser ou até mesmo kits de robótica ou de programação.

No entanto, todo esse aparato não é necessário para implementar a ideia do “aprender fazendo”! Você pode colocar a Cultura Maker em prática na sala de aula mesmo, formando, por exemplo, uma grande bancada com as carteiras sem precisar de muitos recursos ou tecnologias.

A Cultura Maker nas escolas

As características da cultura do “Faça Você Mesmo” conectam-se diretamente com as necessidades dos alunos — mas principalmente das crianças.

O movimento é baseado na inclinação natural dos jovens por aprender colocando a mão na massa. Dessa forma, a experiência é muito mais completa quando o conhecimento é transmitido com o auxílio de atividades práticas.

Um dos pilares da Cultura Maker é o chamado “dê uma chance”, ou, em outras palavras, tente fazer. Essa ausência de julgamentos iniciais permite uma visão mais otimista para as oportunidades a serem descobertas. No ambiente escolar, isso é algo extremamente valioso.

A conquista do conhecimento está diretamente ligada a questões como abertura e criatividade. Por isso, é uma constante tendência pedagógica.

Ainda que um ambiente especial para o desenvolvimento de atividades da Cultura Maker seja interessante, é possível pensar que o necessário é ter um local para interagir com ferramentas, materiais, sucatas, tintas, entre outros para criar experiências e realizar algo.

O apoio de um professor será um diferencial para as experiências relacionadas com o DIY. Ele terá uma atuação de grande importância, guiando projetos e trazendo significado para cada abordagem — conectando, assim, a proposta da criatividade com a conquista de novas habilidades.

Colocando a mão na massa

Acompanhe, a seguir, algumas dicas para que os alunos coloquem a mão na massa com a utilização de materiais simples:

  • montagem de objetos com o uso de sucatas — garrafas PET, caixas de leite, jornal, papelão, barbante, entre outros;
  • criação de uma horta comunitária na escola;
  • projetos de reaproveitamento de água da chuva;
  • montagem de maquetes com materiais diversos;
  • aparatos de marcenaria;
  • utilização de blocos de montar para criar minicidades;
  • criação e edição de vídeos com o uso do celular.

O importante é propor projetos interdisciplinares de acordo com a faixa etária dos alunos para incentivar sua participação efetiva.

Além disso, a ideia é a realização de um trabalho conjunto, por isso cabe ao professor elaborar um roteiro e guiar o projeto, instigando a turma com perguntas e garantindo o envolvimento dos alunos em todas as etapas.

Utilizando projetos como TEC Educação

Iniciativas inovadoras como o Tecnologias e Experiências Criativas (TEC) são a prova do potencial do conceito. O projeto TEC Educação utiliza a aprendizagem ativa para ensinar ciência e tecnologia aos alunos. Com o apoio de kit didáticos, livros e aplicativos, o ensino torna-se muito mais mão na massa.

Cultura Maker na Educação Infantil

Sempre que precisamos realizar alguma tarefa difícil ou resolver algum problema, pensamos: “deve existir um aplicativo para isso”. Porém, é importante lembrar que, na Cultura Maker, a tecnologia é um meio para o nosso objetivo principal: colocar a mão na massa.

Nada melhor, então, do que iniciar esse processo na Educação Infantil, momento em que a criança está descobrindo novas formas de enxergar o mundo.

Lembre-se de que, para realizar uma atividade maker, com experimentação e possibilidade de erros e acertos, não é necessário o uso de tablets ou computadores com os alunos. Basta estimular a criatividade, criar uma ambientação lúdica e saber atuar como um mediador no processo.

Na Educação Infantil, por exemplo, pode-se trabalhar com a criação de um boneco feito de materiais recicláveis. A ideia é realmente instigar o imaginário das crianças e utilizar materiais que ajudam também na coordenação motora final: pincéis, tinta, garrafa pet, lã, papel colorido, cola, canetinha, entre outros. Ao fim do projeto, as crianças terão uma bagagem de conhecimento e experiências que foram produzidas em sala de aula por meio de uma ideia simples e da Cultura Maker.

O mais legal disso tudo é pensar que a escola pode promover a mão na massa sem precisar de um espaço físico todo elaborado e com equipamentos de última geração.

Papel do professor na Cultura Maker

A figura do professor que detém todo o conhecimento está cada vez mais ultrapassada. No mundo da tecnologia atual, sabemos que muitas informações e conhecimentos são aprendidos na internet ou em outros ambientes configurados fora de sala de aula.

Por isso, é ideal que o professor atue na promoção do pensamento maker. Assim, os alunos constroem a cultura de que é possível aprender com a filosofia do “Do It Yourself” e se tornam exploradores do conhecimento. O professor segue como a pessoa que instiga a mão na massa, a observação e o compartilhamento de ideias e resoluções.

No Ensino Médio, engajar os alunos se torna mais difícil. É o momento em que muitos estão focados com resultados e provas. Então, uma boa ideia para realizar uma atividade maker é explorar conteúdos curriculares por meio das habilidades e ferramentas.

Veja, a seguir, uma proposta de atividade.

Acesso à água na África-subsaariana

Explicar que um dos principais problemas sociais é a falta de acessibilidade à água de lagos e rios em vilas rurais, afastadas das principais cidades africanas. De fato, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo lida com problemas de acessibilidade e falta de água: 300 milhões delas, na África-subsaariana.

A atividade simula o problema tangenciando diversos temas curriculares e colocando o aluno como responsável por criar um protótipo de uma nova solução para resolver o desafio apresentado. Serão colocados dois baldes no local, a cerca de 15m de distância um do outro. Um contém água até a metade e o outro está vazio. As equipes devem criar um dispositivo que carregue o máximo de água possível em um período de 30s.

A discussão pedagógica proposta na atividade perpassa o curricular e o extracurricular.

Do lado curricular, o desafio é uma forma lúdica de introduzir os alunos em uma problemática social da falta de acesso à água na África, gerando uma curiosidade sobre como vivem populações nesse contexto, as raízes históricas que envolvem esses povos, uma análise geográfica sobre a distribuição da água e mudanças climáticas, a relação da agricultura e ecossistemas locais e muitos outros assuntos que os educadores acharem pertinente conectar ao desafio em sala de aula.

Do lado extracurricular, o desafio estimula o trabalho em equipe e o desenvolvimento criativo frente a limitações de tempo e recursos, conseguindo conectar habilidades socioemocionais ligadas à resiliência, à criatividade, à colaboração e à comunicação. Exemplo de atividade baseada no navio à vela.

Criando um Espaço Maker na escola

Os ambientes customizados para a realização de atividades da Cultura Maker contribuem ativamente para uma melhor promoção e realização das atividades de inclusão. O fundamento do conceito está na possibilidade de criar um local que seja propício para a reflexão, a resolução de problemas e o aprendizado.

A partir de temas predeterminados, podem ser desenvolvidas hipóteses, testes e até mesmo a aplicação de ajustes. Por isso, o Espaço Maker deve funcionar como um laboratório que ofereça possibilidades para o desenvolvimento das soft skills e hard skills.

Separamos alguns pontos que devem ser avaliados no momento da criação de um Espaço Maker.

Avalie a estrutura

Para que os alunos consigam explorar a criatividade e vivenciar a experiência de realmente colocar a mão na massa, será necessário ter um espaço que consiga acomodar uma turma com conforto.

Grandes mesas coletivas e um local para a livre circulação serão importantes. Se o ambiente para o desenvolvimento de atividades da Cultura Maker puder contar com uma área aberta, melhor ainda — mas esse não é um pré-requisito.

Com mesas coletivas e um espaço confortável, o próximo passo é garantir que professores e alunos tenham acesso às ferramentas necessárias para desenvolver as ações idealizadas.

Escolha as ferramentas

O tipo de ferramenta a ser utilizada vai variar de acordo com a idade dos estudantes. Mas existem possibilidades da tecnologia, como as impressoras 3D, que podem ser aplicar nas mais diversas fases escolares.

Outra abordagem que pode engajar os alunos é o simples ato de criar receitas ou trabalhar com culinária. Por isso, um forno pode ser interessante, caso essa seja a proposta escolar.

Conectar a proposta escolar com o que será aplicado na Cultura Maker é um ponto que precisa ser considerado. Em determinados casos, o artesanato poderá ser encarado como o caminho a ser seguido — sendo necessário reunir uma série de aviamentos para a viabilidade dos projetos.

Em outros, pode-se pensar em computadores que precisem de reparo, permitindo uma conexão com a ideia da sustentabilidade ou mesmo avançando para a gamificação.

Avançar no nível da discussão e conectar a Cultura Maker com questões mais complexas (ou práticas) será o grande diferencial. Essa é uma forma de inserir o pensamento da cidadania na rotina de estudos.

Cultura Maker com poucos recursos

É interessante ter um espaço reservado para as atividades maker, com ambientalização e tecnologia a favor dos alunos. Porém, essa não é a realidade de muitas escolas ao redor do país.

Então, como engajar os alunos a pensarem fora da caixa e criar soluções diferentes? Planeje sua aula maker simples, utilizando os recursos que você tem.

Por exemplo, que tal usar matéria-prima como areia e água para propor alguma mão na massa? Vale argila, tesoura, tinta e outros. O fator principal é sempre observar a interação entre alunos, o trabalho em equipe e a forma de analisar e resolver o desafio proposto. É sempre interessante ver como o estudante se torna, aos poucos, protagonista do próprio conhecimento adquirido por meio da troca de experiências.

Por que sua escola deve investir nessa ideia?

A adoção de projetos baseados na Cultura Maker pode trazer uma série de benefícios para o desenvolvimento acadêmico e pessoal dos seus alunos. Confira!

Propicia o aprendizado por meio da brincadeira

Promover o aprendizado centrado na prática — por meio de materiais diferentes e com a participação de todos — vai se tornar uma brincadeira.

São projetos em que o professor consegue envolver a turma, desenvolver habilidades e instigar a curiosidade dos alunos, que terão prazer em ir à escola e participar das atividades propostas.

Desenvolve a autonomia

O conhecimento deixa de ser transmitido pelo professor para um grupo de estudantes enfileirados em suas carteiras. Quem vai atrás dos conceitos levanta hipóteses e faz experimentações são os próprios alunos — os protagonistas de todo o processo na Cultura Maker.

Dessa forma, são projetos que desenvolvem a autonomia de crianças e jovens e mostram que eles são capazes de criar objetos, fazer descobertas e buscar o conhecimento.

Incentiva a cuidar melhor do meio ambiente

A criação de uma horta comunitária, a plantação de mudas de árvores ou ainda o uso de sucatas na fabricação de materiais — além de promover o aprendizado e o trabalho colaborativo —, vai despertar nos alunos a noção de que é importante preservar os recursos naturais e reciclar o lixo, por exemplo.

São lições que vão modificar os hábitos das crianças em casa e na escola, influenciar seus familiares e prepará-las para serem cidadãos conscientes.

Exercita a criatividade

Quando a escola abre um espaço para experimentações, os alunos podem explorar a criatividade ao procurar soluções diferentes para cada projeto. Assim, a sala de aula torna-se um espaço em que eles podem desenvolver diversas aptidões e até mesmo descobrir talentos.

Melhora a cooperação entre os colegas

Os projetos são elaborados em grupo, o que melhora a cooperação entre os colegas. Eles desenvolvem a empatia e percebem a importância do trabalho em equipe.

Além disso, aprendem a se comunicar melhor e conseguem ouvir opiniões diversas para chegar a um consenso. Entendem ainda a necessidade da ajuda mútua para que se obtenha melhores resultados.

Prepara para a vida

Por fim, é importante destacar que as atividades baseadas na ideia de Cultura Maker vão preparar o aluno para a vida, pois trabalham as habilidades socioemocionais.

O estudante aprende a ter autonomia para correr atrás de seus objetivos, consegue “pensar fora da caixa”, trabalhar em equipe e entender que todo mundo está sujeito a erros.

O processo de aprendizagem pode ser bastante dinâmico e atrair a atenção dos alunos de diferentes faixas etárias. O importante é buscar formas inovadoras de envolvê-los — como a Cultura Maker — incentivando, assim, sua autonomia e criatividade com o “aprender fazendo”.

O que avaliar antes de criar um Espaço Maker?

Conectar a proposta da escola com a idealização das formas de aplicar a Cultura Maker é muito importante. O ponto de partida pode ser um profundo planejamento a alinhamento com a abordagem pedagógica. Dessa forma, a construção do local, assim como a avaliação das atividades a serem realizadas, vão estar em perfeita harmonia com outras ações a serem realizadas no campo escolar.

A Cultura Maker pode ser explorada no meio digital

Enfim, a Cultura Maker oferece uma série de oportunidades para as escolas que querem criar cidadãos completos. Saber como lidar com formas variadas de ensinar deve ser uma das características do professor do futuro.

Em um contexto de pandemia mundial, no qual novas formas de interagir e aprender são valorizadas, a Cultura Maker pode ser levada até mesmo para o ambiente virtual, no qual o professor propõem atividades que poderão ser realizadas pelo aluno em suas casas, com apoio da família — ou mesmo com o auxílio de outros colegas (conectados).

Vale lembrar ainda do potencial do projeto TEC, como forma de multiplicar e acelerar a preparação dos alunos para o futuro.

Gostou de conhecer o conceito? O que acha de implementá-lo como parte da carreira do professor? Então compartilhe este post em suas redes sociais para que mais pessoas conheçam os benefícios de implementar projetos baseados na Cultura Maker!

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