Curva de aprendizado: como acontece e quanto tempo demora?

Curva de aprendizado: como acontece e quanto tempo demora?
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Cada aluno tem características únicas e que influenciam na forma e no tempo que demora para absorver o conteúdo ensinado em sala de aula. Diante disso, é fundamental que os educadores se atentem para a curva de aprendizado, que demonstra as dificuldades e evolução da aprendizagem do estudante dentro de um período.

A partir da análise desse conceito, é possível verificar se o nível de produtividade dos alunos está de acordo com o planejado, se estão aprendendo rápido ou devagar, e quais ajustes precisam ser feitos quando é identificado algum tipo de obstáculo na aquisição do conhecimento. Neste post, você entenderá melhor como funciona a curva de aprendizado e como potencializar os resultados das suas turmas. Confira!

O que é curva de aprendizado?

Criado em 1885 pelo alemão Hermann Ebbinghaus, que atuava no campo da psicologia da aprendizagem, o conceito de curva de aprendizado foi aplicado pela primeira vez por Theodore Wright, professor e engenheiro aeronáutico, a fim de analisar custos de produção. Ao longo dos anos, a ferramenta também passou a ser utilizada nas instituições de ensino, ajudando a monitorar o progresso do aprendizado dos estudantes.

De modo simples, a curva de aprendizado pode ser definida como uma ferramenta que mensura o desempenho do estudante conforme ele realiza atividades relacionadas ao conteúdo ensinado. Para ela, quanto mais o estudante evolui, mais ele consegue desenvolver as atividades e exercícios com maior qualidade, haja vista que aprende com os erros e, assim, identifica formas de ser mais produtivo e elimina as dúvidas que surgiram no início da aprendizagem.

O uso desse recurso no ambiente escolar é indispensável para que os professores tenham mais controle sobre o processo de aprendizado dos discentes, tendo a oportunidade de saber quanto tempo eles levam para evoluir diante de um conteúdo e quais são as dificuldades enfrentadas. Com isso, há embasamento suficiente para traçar estratégias que facilitem essa jornada, de maneira benéfica tanto para o aluno quanto para a escola.

Como funciona a curva de aprendizado?

É importante ressaltar que não estamos falando de uma linha que segue reta em diagonal, mas sim de uma curva que pode se estabilizar em determinados momentos. Isso acontece porque é normal que o início do aprendizado de um novo tema, por exemplo, seja mais lento, de forma que não haja uma melhora significativa na produtividade do aluno.

Todavia, quando o conteúdo, as suas técnicas e ferramentas começam a ser compreendidos e dominados, a realização das tarefas passadas pelo professor vai ficando mais fácil, o que impacta positivamente a produtividade individual e coletiva, e torna o aprendizado mais intenso.

Ao fim do processo, a tendência é que a curva se estabilize mais uma vez. Basicamente, é como se o aluno atingisse o seu pico de conhecimento e, após esse marco, a sua produtividade se mantém linear. Toda vez que um novo conteúdo é inserido na aula, uma nova curva se inicia, apresentando baixo nível de proficiência e produtividade.

Em cada situação, a curva pode ganhar um formato diferente. Se o professor está ensinando um conteúdo complexo, ela pode se tornar mais longa, exigindo mais tempo para que o aluno tenha um desempenho alto sobre o assunto.

Como fazer o cálculo?

A equação utilizada para calcular a curva de aprendizado é: y = C1Xb. O ‘’y’’ representa o tempo médio que o estudante deveria levar para concluir uma tarefa, já o ‘’C1’’ é o tempo que de fato ele necessitou para entregar a atividade. Por sua vez, o ‘’b’’ é o parâmetro responsável por dar inclinação à curva, e determina o percentual de aprendizagem do aluno, que é de -1 a 0. Para aqueles que aprendem muito rápido, usa-se -1, e para quem não demonstrou aprendizado, usa-se 0.

Por meio da execução do cálculo em uma matriz, você encontra a curva de aprendizado do discente. Caso queira, a equação pode ser alterada de acordo com os seus objetivos, de modo a considerar outras variáveis.

Como desenvolver atividades com foco na curva de aprendizado?

A evolução no processo de aprendizagem do aluno depende de alguns fatores, como a adaptação ao modo de ensino e às ferramentas implementadas na aula, autoconhecimento e a descoberta de estratégias personalizadas para a sua produtividade, queda no índice de dúvidas e, consequentemente, de erros.

Segundo um relatório feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 34% dos estudantes do Brasil com até 15 anos de idade já reprovaram de série pelo menos uma vez na sua jornada escolar. Entre outros fatores, esse índice é resultado das dificuldades e obstáculos na aprendizagem. Veja como criar atividades que estimulem a curva de aprendizado.

Prime pelo equilíbrio da curva

Antes de qualquer coisa, é altamente recomendado que você trabalhe para manter o equilíbrio do gráfico, fazendo com que se aproxime ao máximo do eixo vertical, porém sem provocar o rompimento do caminho trilhado pelo estudante na jornada de aprendizagem. Para tanto, faça os seguintes questionamentos na hora de montar o planejamento de conteúdo:

  • Qual conhecimento prévio o estudante precisa ter para entender o novo tema?
  • Qual é o nível de complexidade do conteúdo a ser trabalhado?
  • Quais são os requisitos mínimos para que o aluno seja aprovado na avaliação final?

Assim, pode-se construir materiais e atividades que direcionem os estudantes para um processo de aprendizagem completo, com recursos que atendam às necessidades deles e que garantam a absorção dos conteúdos lecionados.

Invista na familiarização do aluno com a disciplina

Em teoria, os alunos que fazem parte da mesma turma deveriam ter o mesmo nível de conhecimento sobre as disciplinas, mas na prática não é bem assim. Afinal de contas, dependendo do seu histórico escolar, pode ser que alguns alunos tenham dificuldades com algum assunto específico.

Por isso, antes de começar a ensinar um novo conteúdo, o ideal é familiarizar a turma com o tema. Questione o que os estudantes sabem sobre o assunto e com base nisso traga referências que os ajudem a relembrá-lo, preparando-os para a próxima etapa da disciplina.

Separe o conteúdo por níveis de dificuldade

Para otimizar a construção da curva de aprendizado da turma, é indicado criar gráficos que indiquem o nível de dificuldade de cada conteúdo que será desenvolvido. Para um tema considerado complexo, a curva será íngreme, logo, será necessário dedicar um número maior de aulas e atividades para que os alunos o assimilem.

Essa estratégia ajuda o educador a entender qual ritmo precisa seguir na trilha de aprendizado. Dessa maneira, não há o risco de avançar rápido demais a ponto de alguns estudantes não o acompanharem e não aprenderem corretamente, nem excessivamente devagar, fazendo com que a turma fique entediada e se disperse.

Conte com o auxílio de uma plataforma especializada

Sem dúvida, a tecnologia é uma importante aliada na evolução da aprendizagem dos discentes. Nesse sentido, é imprescindível contar com uma plataforma online que ofereça uma jornada de ensino adequada ao nível de conhecimento da turma, com atividades que reforcem o conteúdo aprendido em aula.

O acesso a materiais contextualizados estimula o interesse do aluno pelo conteúdo, uma vez que ele pode relacionar o assunto estudado aos acontecimentos do seu dia a dia, o que aumenta o seu engajamento e contribui para uma construção de conhecimento verdadeiramente sólida.

Como a curva tende a ficar mais acentuada com o ensino online?

A geração atual de crianças e adolescentes entra em contato com a internet e as suas ferramentas cada vez mais cedo. Levando isso em consideração, é essencial que as instituições de ensino se adéquem à transformação digital, trazendo modelos de aprendizagem e recursos que ambientem o aluno à realidade a qual está acostumado.

O ensino online, com a disponibilização de tarefas e conteúdos que podem ser acessados a qualquer momento e sempre que o estudante julgar necessário, é capaz de acentuar a curva de aprendizado, pois permite que ele tenha mais autonomia e controle sobre o seu processo de aprendizagem. Isso porque ele pode aprofundar-se no assunto, tirar dúvidas, fazer atividades extras e simulados — fatores que reforçam a assimilação e aquisição do conhecimento.

Por fim, é necessário ter em mente que a curva de aprendizado funciona como um indicador de desempenho dos estudantes. Sendo assim, é crucial monitorá-la periodicamente, o que deve ser feito por meio do seu cálculo. O resultado da equação aponta se o conteúdo lecionado está sendo aprendido ou não.

Ao identificar alguma falha de aprendizagem, o educador deve rever a forma como o assunto vem sendo apresentado à turma, buscando readequá-lo às necessidades dos alunos e assegurar que todos consigam superar os níveis de complexidade e aprender efetivamente.

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