Como implementar o ensino híbrido nas escolas?

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Entre as estratégias que ganham cada vez mais espaço na educação, o ensino híbrido se destaca como uma maneira de levar, para a sala de aula, o que a tecnologia tem de melhor. Em um cenário no qual os educadores precisam disputar a atenção dos alunos com os smartphones, por exemplo, esse modelo de aprendizagem surge como um grande aliado da escola. Além disso, o provável retorno gradual às escolas após a pandemia de covid-19 impulsionará a adoção desse método, já que ele tem sido o responsável por manter alunos e professores integrados, minimizando o impacto no processo de aprendizagem.

O ensino híbrido é, originalmente, utilizado para designar a união de duas modalidades de ensino já consolidadas: a educação a distância e a presencial. Contudo, no que se refere ao nível básico, o modelo vai além e engloba um leque muito mais amplo de estratégias de ensino-aprendizagem.

Neste artigo, você vai conhecer melhor o ensino híbrido e entender como essa metodologia pode ser implementada na sua escola. Por isso, continue acompanhando e não perca essas informações!

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Qual é a origem do ensino híbrido?

Desde o fim do século XX, as tecnologias digitais são empregadas no processo pedagógico por meio de computadores em ambiente escolar e, paralelamente, inúmeras pesquisas têm sido realizadas com a finalidade de identificar estratégias e consequências desse uso.

Mas foi no século atual, que o ensino híbrido passou a ser pesquisado e experimentado já com essa definição, na qual as escolas de educação básica inserem a tecnologia contemporânea no aprendizado — sem abandonar o que se conhece até o momento e a sala de aula regular.

Mais precisamente em 2014, o Instituto Península e a Fundação Lemann organizaram experimentações com a participação de 16 professores de escolas públicas e privadas. O intuito era de levá-los a experimentar essa nova forma de atuação e de analisar como o ensino híbrido impacta no desempenho dos alunos.

Como se caracteriza o ensino híbrido?

Basicamente, o ensino híbrido é a combinação de ferramentas de ensino online com técnicas tradicionais, ou seja, offline. Atualmente, ele é uma das maiores tendências da educação, tanto na Educação Básica quanto no Ensino Superior.

Esse modelo de ensino permite aos educadores utilizarem estratégias mais variadas. Assim, a tradicional aula expositiva cede espaço para novos métodos criativos, que podem ser praticados dentro e fora da sala de aula, nos quais a tecnologia tem papel essencial na personalização do aprendizado.

O professor tem a possibilidade de propor atividades que estimulem as interações entre os alunos no ambiente escolar, mudando um pouco a dinâmica de explicações e anotações. Paralelamente, o educador introduz os recursos tecnológicos durante o momento de estudos do aluno — na escola e em casa —, tornando-o mais atrativo para os jovens da era digital.

É importante ressaltar que todos os métodos adotados precisam estar alinhados, de forma que as tecnologias digitais complementem a grade curricular, portanto, não são consideradas como um fim em si mesmas. O objetivo do ensino híbrido é justamente promover uma educação diversificada, na qual o processo de ensino-aprendizagem seja mais envolvente, customizado e eficiente.

Quais são os benefícios desse modelo de ensino?

A integração entre o currículo escolar e os recursos digitais traz uma série de benefícios a todos os envolvidos. No cotidiano das aulas, por exemplo, o maior engajamento por parte dos discentes é notório, porque as atividades são estruturadas para demandar dos alunos mais participação e autonomia. Desse modo, eles têm liberdade de conhecimento, tomando as suas próprias escolhas sobre os elementos de estudo.

Essa participação, entretanto, não é forçada, mas sim incentivada. Afinal, quando os alunos se interessam mais pelas matérias, eles também passam a absorver melhor os conteúdos. Esse é o caso do ensino híbrido, em que os estudantes se distanciam cada vez mais da experiência rotineira e deixam de apenas memorizar conceitos e fórmulas para realmente compreender as temáticas abordadas.

O professor, por sua vez, consegue aproveitar melhor o tempo das aulas, permitindo condições de observar as necessidades e os déficits de aprendizagem de cada aluno, sendo possível personalizar suas atividades. Desse modo, a adoção adequada do ensino híbrido forma alunos e professores mais conscientes, sendo fundamental para o sucesso da jornada de aprendizagem que eles percorrem juntos.

Quais são as técnicas de ensino híbrido?

O ensino híbrido pode ser aplicado em diferentes modelos, alguns com características mais voltadas ao ensino tradicional e outros que buscam romper o padrão atual. Apesar das diferenças e independentemente da modalidade, online ou presencial, todos seguem o mesmo objetivo: complementar e promover uma educação mais proveitosa, intrigante e singularizada.

É importante lembrar que a escolha da técnica deve ser feita de acordo com o planejamento de aula do professor e com as características, dificuldades e momento da turma no processo de aprendizado.

A seguir, conheça seis técnicas de ensino híbrido que a equipe pedagógica da sua escola pode aderir!

1. Laboratório rotacional

Uma das mais adotadas no Brasil, essa metodologia divide o tempo dos estudantes entre a sala de aula e o laboratório de informática, ou seja, entre o ambiente real e o virtual. Para isso, é necessário determinar o período que os alunos se dedicarão a cada um deles e quais tipos de atividades eles podem desenvolver durante esse prazo.

Desse modo, é possível utilizar vídeos, imagens, slides, jogos, entre outros recursos capazes de atrair a atenção dos estudantes. Por outro lado, isso não quer dizer que a sala de aula não pode despertar o interesse deles. Atividades como debates e trabalhos em grupo também são eficientes para engajar os alunos.

Os educandos podem, por exemplo, passar a primeira hora da aula fazendo pesquisas online sobre determinado tema e depois aplicar os conceitos de modo a desenvolver projetos em sala de aula junto aos colegas e ao professor. Esse tipo de atividade permite que o aluno ganhe autonomia e aprenda da maneira que melhor funciona para ele.

2. Rotação por estações

Nesse modelo de ensino híbrido, a turma é dividida em grupos e cada um deles recebe uma atribuição específica, que pode estar relacionada à leitura, à escrita e, necessariamente, a alguma atividade via plataforma digital, por exemplo. Os alunos devem, em certos momentos, colaborar e, em outros, trabalhar individualmente. Tudo isso sempre contando com o apoio do professor.

Todavia, após determinado tempo em uma dessas funções, os grupos trocam de lugar, de modo que cada um passe a se dedicar a uma tarefa diferente. Até o fim da atividade, todos os alunos devem ter passado por cada uma das estações de trabalho.

Cada estação, a qual pode estar dentro ou fora da sala de aula, deve ter um objetivo exclusivo e uma proposta diferente. No entanto, cada uma delas precisa estar relacionada a uma finalidade central da aula, ou seja, os postos serão independentes um dos outros, mas ao final se completarão.

3. Rotação individual

A rotação individual se assemelha ao ensino anterior, com a turma realizando atividades em estações de trabalho. A diferença é que, neste, cada aluno tem um roteiro particular e alterna entre as funções individualmente. O grande propósito dessa técnica é fazer com que o estudante percorra as estações mais importantes para sanar as suas principais necessidades e dificuldades.

É interessante ressaltar que o guia pode ser desenvolvido pelo professor ou pelo próprio aluno. Outro detalhe importante é que ele não precisa passar obrigatoriamente por todas as estações, mas somente por aquelas necessárias ao desenvolvimento das atividades do seu roteiro, de acordo com seu ritmo de aprendizagem.

Como nessa metodologia o educador ganha um papel mais próximo ao de um tutor na busca pelo conhecimento, a carga de aulas expositivas diminui, oferecendo mais tempo para que o professor dê atenção personalizada e individual a cada um desses alunos.

4. Sala de aula invertida

No método da sala de aula invertida, os estudantes são orientados a estudar os conteúdos em casa, por meio de livros, apostilas, vídeos, games, áudios, mapas digitais, aplicativos e outros materiais interativos que possam potencializar a aprendizagem de acordo com as suas preferências. Assim, eles chegam à escola já tendo algum entendimento sobre os assuntos e levando bagagem de conhecimento para compartilhar durante a aula.

Nessa metodologia, o horário da aula com o professor é utilizado para tirar dúvidas e receber ajuda em qualquer outro quesito que possa ter causado dificuldade durante os estudos fora da sala. Os encontros presenciais também devem envolver debates sobre o tema e outras atividades que consolidem o aprendizado, como exercícios, avaliações e tarefas em grupo.

Para que o tempo de ambos, aluno e professor, seja aproveitado da melhor maneira possível, é preciso estimular a interatividade e conscientizar os estudantes sobre a importância de ter disciplina. Como a base para o sucesso dessa técnica é a autonomia na concepção do conhecimento, o educador deve ensinar a investigar, apurar e assimilar informações.

5. Modelo à la carte

No modelo à la carte, o aluno cumpre os objetivos estabelecidos pelo professor para a sua aprendizagem, mas ele mesmo fica encarregado de organizar o próprio estudo, ocupando, inclusive, os horários e os locais de sua preferência. Desse modo, o estudante pode optar por estudar na sala de aula, em laboratórios de informática ou em casa.

Nesta metodologia, o aluno pode personalizar o curso de acordo com os assuntos de seu interesse, optando por matérias tanto presenciais quanto online. O modelo à la carte pode ser também uma ótima alternativa para oferecer cursos eletivos quando, por exemplo, a escola não tem espaço físico ou tempo disponível dedicados a aprendizagens específicas.

Em outros países, algumas disciplinas do Ensino Médio podem ser ofertadas no modelo à la carte, porém, isso ainda é algo incomum no Brasil. Portanto, para implantar esse ensino híbrido em sua escola, é importante investir no desenvolvimento de seus educadores e planejamento.

6. Flex

Esta metodologia é uma das que mais proporcionam autonomia e controle sobre o próprio conhecimento aos estudantes. Isso porque os alunos, mesmo em sala de aula, podem adotar horários fluidos e de acordo com o ritmo de aprendizado pessoal.

No modelo flex, a aprendizagem online pode ser considerada a espinha dorsal, na qual o aluno trabalha individualmente o currículo e o conteúdo do curso por meio de ferramentas como tablets, aplicativos, reprodutores de áudio, entre outros. Ao mesmo tempo, professores ficam disponíveis para fornecer instruções e tirar dúvidas pessoalmente, conforme a necessidade particular de cada estudante.

Como implementar o ensino híbrido no ambiente escolar?

A implementação do ensino híbrido exige um alto grau de planejamento, assim como de qualquer outro modelo de ensino. É comum encontrar educadores equivocados que pensam que basta colocar computadores em sala de aula, quando, na verdade, são necessárias diversas mudanças. Nelas, estão incluídas infraestrutura da escola, formação dos professores, elaboração do plano pedagógico, modos de avaliação, entre outras.

Portanto, para tornar o ensino híbrido uma realidade na sua escola, o primeiro passo é identificar entre os colaboradores aqueles que estão engajados com a mudança, pois é importante investir na capacitação de professores.

Afinal, o preparo dos educadores é imprescindível para que eles utilizem as tecnologias da informação e comunicação de forma integrada e para que as novas estratégias de ensino sejam introduzidas com sucesso no cotidiano da sala de aula. Assim, todos os envolvidos serão beneficiados e a escola poderá oferecer um ensino cada vez mais completo.

Quanto aos alunos, é essencial que eles estejam interessados nesse tipo de interação. A boa notícia é que o ensino híbrido já apresenta esse potencial, possibilitando o equilíbrio entre aulas online e presenciais, permitindo ao professor elaborar estratégias de personalização para oferecer uma experiência completa aos educandos. De qualquer modo, vale destacar a importância de uma reelaboração da cultura escolar para garantir um efeito positivo.

Depois desta leitura, você deve ter entendido o que faz o ensino híbrido estar cada vez mais presente nas salas de aula. Afinal, no mundo contemporâneo em que vivemos, novas tecnologias surgem frequentemente, e é fundamental para as instituições se adaptarem e fazerem delas aliadas.

Essa metodologia permite uma maior aproximação com a geração que já nasceu conectada e integrada a outras diversas culturas. Isso faz com que o estudo, por meio de técnicas citadas anteriormente, seja otimizado e mais atrativo, preparando nossos alunos para profissões do futuro, algumas ainda nem inventadas.

E você, acredita que a metodologia do ensino híbrido é o ideal para os seus alunos? Apostamos que sim! Caso ainda reste alguma dúvida, é só entrar em contato!

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