Saiba como acolher diferentes estilos de aprendizagem na escola

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Em qualquer sala de aula, não é difícil perceber que os estudantes têm estilos de aprendizagem distintos. Isso não quer dizer que cada um aprende exclusivamente de um modo, mas a facilidade é maior com uns que com outros.

É importante que os educadores entendam esses perfis para incluir recursos que abranjam todos eles em suas aulas, o que traz diversos benefícios para os alunos. Embora pareça desafiador, há ferramentas disponíveis que tornam isso mais fácil.

Veja a seguir quais são os estilos de aprendizagem e como acolher cada um deles para potencializar o aprendizado de seus alunos.

Quais são os diferentes estilos de aprendizagem?

De acordo com a teoria VARK (Visual, Aural, Read/Write, Kinesthetic), proposta em 1987 por Neil Fleming, há quatro modos que caracterizam as preferências de aprendizagem de cada pessoa.

Ela parte da ideia de que aprendemos por meio dos nossos sentidos, especialmente o auditivo, o visual e o tátil. Então, haveria um estilo primário e os outros teriam um impacto menor no processo de aprendizagem.

Visual

Conforme a teoria VARK, os alunos que demonstram mais interesse nesse estilo de aprendizagem são mais atraídos por recursos visuais, como gráficos, imagens, diagramas. Então, as aulas que exploram esse tipo de elemento são mais estimulantes para eles.

Eles gostam de visualizar o que estão aprendendo, ver demonstrações dos conceitos, se expressar por meio de ilustrações, cores e formas. Entretanto, eles também aprendem bastante lendo textos, uma vez que podem fazer marcações e ilustrações durante a leitura.

Auditivo

Os estudantes que se identificam mais com o estilo auditivo preferem ouvir o que o professor tem a dizer, expressar-se verbalmente e sua atenção é retida com mais facilidade em momentos que eles podem aprender dessa maneira.

Ouvir um podcast, assistir a vídeos, explicar o que aprenderam podem ser estratégias de estudo mais interessantes para eles do que ler textos detalhados sobre os assuntos abordados em sala, por exemplo.

Leitura/escrita

Os alunos com perfil de leitor/escritor se sentem mais à vontade quando podem ler e escrever, expressando-se por meio de palavras. Palestras ou podcasts, por exemplo, geralmente não são tão estimulantes para eles.

Algumas estratégias com que eles se dão bem ao estudar são fazer resumos detalhados ou listas de tópicos. Apesar disso, eles podem se beneficiar de aulas expositivas como os estudantes que não têm a leitura/escrita como estilo primário se forem incentivados a tomar notas, por exemplo.

Cinestésico

No último grupo descrito pela teoria VARK encontram-se os estudantes que gostam de aprender na prática. Geralmente, eles têm um perfil mais ativo, desempenhando melhor atividades que requeiram trabalho manual e permitam movimentar o corpo. Assim, eles tendem a ser mais participativos na sala de aula.

Como acolher cada um deles?

Embora seja útil distinguir esses estilos de aprendizagem, os professores não devem priorizar um em detrimento dos outros. Afinal, o fato de ter mais aptidão com um não significa que os estudantes só consigam tirar proveito dele.

Na verdade, integrar recursos variados tende a potencializar o aprendizado dos alunos e tornar a abordagem mais inclusiva, uma vez que respeita suas diferenças e estimula a prática de habilidades distintas. Sendo assim, é interessante que a escola possibilite a aplicação de práticas que acolham todos os perfis de aprendizagem identificados.

Para conseguir alcançar esse objetivo, a escola e os professores podem se adaptar usando algumas estratégias.

Diversifique as atividades

É interessante propor atividades diversificadas para serem realizadas tanto dentro da sala de aula como fora dela. Para isso, é possível adaptar as tarefas que já fazem parte das práticas pedagógicas adotadas na escola ou incluir novidades.

Assim, os professores podem estimular o uso de habilidades distintas nos exercícios escritos, trabalhos em grupo e apresentações. Uma ideia é sugerir a construção de representações dos conceitos estudados — moléculas de átomos, por exemplo — e apresentá-las para a turma.

Nesse caso, os estudantes exercitam habilidades táteis no processo de construção, visuais, auditivas, por falarem e ouvirem seus colegas, e de leitura, realizada durante as pesquisas necessárias para preparar o trabalho.

Outra sugestão é promover um projeto interdisciplinar. Além de integrar as áreas do conhecimento e ampliar a compreensão global dos conteúdos, essa ação também permite utilizar habilidades distintas, favorecendo todos os estilos de aprendizagem.

Use a tecnologia

As tecnologias educacionais facilitam o trabalho dos professores que decidem incluir recursos diversificados em suas aulas para abranger vários estilos de aprendizagem. Além disso, elas oferecem diversas possibilidades de acolher todos eles.

Uma delas é a gamificação, estratégia que usa jogos para promover a educação e apresenta elementos dos quatro estilos. Os desafios podem ser personalizados de acordo com a interação dos estudantes, focando suas necessidades individuais.

É fundamental que as iniciativas nesse sentido sejam discutidas por professores e diretores de escolas. Eles precisam identificar as possibilidades de colocar as ideias em prática, já que o uso de tecnologia requer uma infraestrutura apropriada, e decidir em conjunto como isso será feito, planejando cada passo desde o planejamento até a execução.

Combine os estilos de aprendizagem

Essa talvez seja a melhor maneira de acolher todos os estilos de aprendizagem. Combiná-los é bastante natural, visto que os nossos canais sensoriais estão associados uns aos outros, ou seja, recebemos mais de um tipo de estímulo ao mesmo tempo.

Desse modo, é possível encontrar ferramentas de ensino que já fazem isso. Por exemplo, em vídeos educativos há elementos visuais, sonoros e textuais, como termos importantes, datas, nomes de personagens históricos etc.

Ao definir quais práticas e recursos serão adotados nas aulas, é necessário considerar outras características dos alunos. Afinal, uma vez que todos os estilos que listamos podem (e devem) ser combinados, outros critérios ajudam a identificar o que pode funcionar melhor com cada turma e em qual momento do processo de ensino-aprendizagem.

Considerando tudo isso, notamos a importância de compreender os diferentes estilos de aprendizagem e saber como integrá-los às aulas. Assim, os professores conseguem tornar suas aulas mais inclusivas, estimulantes e interessantes, prendendo a atenção dos alunos e os engajando, o que leva a uma assimilação melhor dos conteúdos.

Quer aprender mais sobre como alcançar cada um dos seus alunos, abraçando suas diferenças? Então leia o nosso artigo sobre aprendizagem individualizada.

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