Novo Ensino Médio: esclareça as suas dúvidas sobre flexibilização curricular e como implementar

flexibilização curricular
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Em 2017, entrou em vigor a Lei 13.415, que alterou Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e determinou uma mudança estrutural no Ensino Médio. Essa alteração aumentou a carga horária para até 3.000 horas totais (cerca de 1.000 horas por ano) e propôs uma nova reorganização curricular flexível, que possibilitasse aos estudantes maior liberdade de escolha de aprendizado.

As escolas têm até 2022 para se enquadrar no Novo Ensino Médio, mas as dúvidas sobre flexibilização curricular ainda são muitas e envolvem toda a comunidade escolar. Pensando nisso, preparamos este artigo sobre o assunto para que você saiba tudo sobre a questão!

O que é flexibilização curricular?

O Novo Ensino Médio tem a proposta de oferecer maior dinamismo a essa etapa da formação escolar, aproximando o curso conforme as demandas atuais e complexidades da sociedade, principalmente em relação às perspectivas técnicas para o mercado de trabalho.

Por esse motivo, a flexibilização da grade curricular é um dos pontos mais importantes. De acordo com as novas diretrizes, cerca de 40% da carga horária de estudos será uma escolha dos alunos, a partir dos seguintes itinerários formativos:

  • Ciências da Natureza;
  • Ciências Humanas e Sociais Aplicadas;
  • Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias;
  • Matemática e Suas Tecnologias;
  • Formação Técnica e Profissional.

No entanto, cada escola é obrigada a oferecer apenas um itinerário formativo e terá a liberdade de agregar trajetos disciplinares que dialoguem com os itinerários oferecidos. Para o Ministério da Educação (MEC), isso pode favorecer maior integração entre os ensinos regular e técnico.

Tecnologia e inovação também entram na esteira da flexibilização curricular, já que até 20% das aulas poderão ser oferecidas na modalidade de educação a distância (EAD) ― quando o curso for no período noturno esse percentual poderá aumentar para até 30%.

Como funciona na prática?

Com a flexibilização curricular, 60% da grade continua obrigatória, ou seja, se mantém comum a qualquer um dos 5 itinerários formativos. Trata-se das disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática e Inglês. As demais disciplinas ficam divididas conforme o itinerário escolhido pelo aluno.

A intenção da distribuição dos conteúdos por meio desses itinerários é torná-los mais interdisciplinares e possibilitarem interações que facilitem a escolha de uma profissão no futuro. Na prática, os itinerários formativos são uma formação complementar escolhida individualmente, de acordo com suas preferências e anseios profissionais.

Diferentes possibilidades de trajeto

A flexibilização curricular favorece um trajeto mais personalizado através dos anos do Ensino Médio. Veja os 3 exemplos a seguir.

Itinerário sequencial

O aluno cursa um itinerário seguido de outro. Por exemplo, ele pode estudar dois anos na área de Matemática e Suas Tecnologias e, depois, concluir o último ano do curso com Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

Itinerário integrado

O aluno realiza um único itinerário de maneira integrada, por exemplo, Ciências da Natureza e Suas Tecnologias e Linguagens e Suas Tecnologias. Essa escolha, porém, é permitida somente a partir do 2º ano.

Formação técnica + Itinerários paralelos

O aluno começa o Ensino Médio com um curso de Formação Técnica e Profissional (Webdesigner, por exemplo). Concluído o 1º ano, ele escolhe um itinerário (Ciências da Natureza e Suas Tecnologias, digamos). Concomitantemente, ele pode fazer outro curso de ensino profissional (Eletricista Industrial, por exemplo). 

Ao incluir o ensino profissionalizante no percurso, o aluno receberá dois diplomas ao final do Ensino Médio, chegando, portanto, ao mercado de trabalho mais qualificado, antes mesmo de ter completado a graduação.

Por que a flexibilização é tão importante para o contexto educacional atual?

Ao longo do tempo, o mundo veio enfrentando constantes transformações, porém, a educação, em muitos aspectos ainda leva resquícios do que vinha sendo praticado há várias gerações, dentro de um tradicionalismo quase perpetuado.

Acontece que o tempo passou. As exigências do mercado de trabalho e as demandas sociais se alteraram de tal maneira que não é mais possível admitir aulas 100% teóricas e uma grade curricular engessada.

Inclusive, uma das premissas das chamadas metodologias ativas de aprendizagem é transformar a dinâmica da sala de aula, a fim de transformar o aluno em protagonista na construção do próprio conhecimento.

Soma-se a isso a transformação digital, que trouxe de vez a tecnologia para a sala de aula e facilitou estratégias como o ensino híbrido (mescla de atividades online com presenciais) e a gamificação (utilização da lógica de jogos em sala de aula).

Com isso, vemos três pontos principais que serão ainda mais favorecidos com a flexibilização curricular no Ensino Médio.

Relação professor-aluno

De instrutor, o professor passa a ser um tutor no processo pedagógico, estimulando que o aluno adquira proatividade, poder de decisão e outras habilidades socioemocionais.

Desenvolvimento profissional

Essa é uma ótima oportunidade de os alunos se aprofundarem em alguns áreas profissionais antes do ingresso na faculdade. Além disso, os jovens já saem da Educação Básica com uma formação que lhes permita atuar profissionalmente.

Otimização do tempo

Com as mudanças sociais e no mercado de trabalho, é preciso otimizar o tempo com cursos mais objetivos e conteúdos que dialoguem diretamente com as demandas atuais. Por isso, a combinação de conteúdos e estratégias (como o caso do ensino remoto) garante uma aplicação mais eficiente e ágil dos saberes.

Quais os desafios a serem enfrentados?

A flexibilização curricular do Ensino Médio alterará completamente a dinâmica da escola que oferecer o curso. Com isso, alguns desafios merecem atenção.

Questões estruturais

Com a possibilidade de múltiplos itinerários acontecendo ao mesmo tempo, incluindo educação profissional e o período integral ou estendido, a escola deverá investir em infraestrutura física e tecnologia para acomodar a novas proposta pedagógica. Será necessário investir em salas de aulas, laboratórios, espaços de uso comum, como refeitórios ou cantinas, além de dispositivos digitais e uma plataforma de estudos online eficiente.

Necessidade de implantar uma nova cultura educacional

A implantação do programa também exige a criação de uma nova cultura organizacional, de maneira que professores, funcionários, alunos e familiares compreendam a nova proposta e ajam com empatia diante das mudanças no Ensino Médio.

Atualizar o ensino técnico

As escolas terão a liberdade de oferecer os cursos técnicos de sua preferência para os alunos. Nesse sentido, deverá haver uma profunda pesquisa de mercado para identificar os setores com maior necessidade de mão de obra e, ao mesmo tempo, verificar as possíveis áreas de maior interesse dos alunos.

Como implementar?

Para auxiliar as escolas na implementação progressiva do Novo Ensino Médio, será necessário um profundo planejamento administrativo e pedagógico, além de uma gestão eficiente de recursos humanos.

Então, uma das primeiras ações do MEC foi criar um Guia de Implementação do Ensino Médio apontando possíveis caminhos para a construção dessa nova estrutura em todas as redes de ensino.

De maneira generalizada, sugerimos a seguinte sequência estratégica:

  • crie uma equipe responsável pela reelaboração curricular;
  • defina um plano de implementação progressiva, com a experimentação em projetos-piloto;
  • atualize o projeto político pedagógico (PPP);
  • crie as condições necessárias para a implantação dos itinerários formativos (adequação de infraestrutura, contratação e capacitação de professores, captação de alunos etc.);
  • revise as políticas de formação, reveja o sistema de ensino, materiais didáticos e processos avaliativos;
  • construa parcerias sólidas com empresas de destaque para suprimentos, materiais e tecnologia, principalmente para plataformas de educação a distância;
  • crie uma estratégia de comunicação eficiente para engajar a comunidade escolar nas mudanças.

Implementar a flexibilização curricular para o Novo Ensino Médio é um desafio que depende de um empenho conjunto entre os profissionais e as famílias, com articulação, transparência e diálogo. Por isso, esperamos que as informações deste post sirvam como insights para que você consiga construir um trabalho bem embasado teoricamente e que reflita as necessidades da sociedade e, claro, em consonância com a realidade dos seus alunos.

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