Gamificação na educação: como usá-la no processo pedagógico?

Crianças usando a gamificação para aprender conteúdos em sala de aula.
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Nativos digitais: esse é o nome que damos para os nascidos na chamada geração Z, entre meados dos anos 90 até 2010. Aqui, estamos falando de pessoas que já cresceram na presença de celulares, smartphones, computadores e demais dispositivos que permitem o acesso à internet. Em outras palavras, a tecnologia faz parte do cotidiano desses indivíduos — que não tiveram que se adaptar para lidar com a inovação proposta por esses recursos.

Por isso mesmo, é impossível ignorar, nos dias de hoje, a tecnologia como ferramenta de apoio ao ensino. A gamificação na educação é um dos exemplos de estratégia que vem gerando resultados bastante positivos, mesclando a lógica dos jogos com elementos de aprendizagem. Tudo isso potencializa a absorção do conteúdo, gera engajamento e torna os processos pedagógicos mais acessíveis aos nativos digitais.

Se você desconhece ou apenas ouviu falar no termo gamificação, não se preocupe. Neste post, trouxemos um guia completo sobre esse recurso, abordando seus intuitos, sua utilização e importância. Afinal, melhorar a qualidade do aprendizado deve ser um dos objetivos de qualquer educador, e oportunidades de fazer com que isso aconteça não devem ser deixadas de lado. Continue conosco na leitura do post e traga essa inovação à sua escola!

O que é gamificação?

O ser humano é naturalmente atraído por jogos. Podemos observar e validar essa constatação com exemplos que vão desde os primórdios da humanidade, como os gregos e suas competições olímpicas ou até mesmo os romanos, com suas lutas entre gladiadores como palco para a diversão. A partir dessa lógica, foi criado o conceito do gamification — gamificação, em português.

O termo foi criado ainda em 2002 pelo programador e desenvolvedor de jogos britânico Nick Pelling, correspondendo ao uso da lógica e da dinâmica dos games para engajar pessoas em um contexto de aprendizagem. Despertando a curiosidade dos jogadores, a gamificação na educação propõe desafios e estimula os alunos a buscarem soluções: e é a partir daqui que surge a construção do conhecimento.

Para entendermos um pouco mais sobre o conceito da gamificação, utilizaremos as questões levantadas pela PhD, palestrante e designer de jogos Jane McGonigal. De acordo com a norte-americana, todos os jogos, independentemente do público-alvo, apresentam quatro características principais:

  1. meta;
  2. regras;
  3. participação voluntária;
  4. sistema de feedbacks.

A primeira característica, meta, refere-se ao motivo pelo qual o usuário está jogando um game: seja para cumprir todas as fases, seja para promover a excelência do personagem, fazendo com que ele se desenvolva e atinja níveis máximos para competir com outros — algo comum nos jogos online —, seja para aprender. Com a gamificação se tornando cada vez mais presente em contextos escolares ou até mesmo corporativos, esse objetivo não deve ser deixado de lado.

Já as regras definem o comportamento do jogador dentro do game, ou seja, as dinâmicas que ele deverá seguir para atingir a meta. O sistema de feedback corresponde à forma em que o jogo mostra o desenvolvimento do usuário em sua jornada — quando falamos em gamificação na educação, é o professor quem assume o papel de dar esse norteamento, contribuindo para o propósito da atividade.

Por fim, a participação voluntária é a conscientização para com as metas, a regra e o sistema de feedback. Quando todos esses fatores entram em harmonia, os resultados são promissores e proveitosos. Atualmente, existem plataformas de ensino que oferecem uma gama de jogos pedagógicos para potencializar o aprendizado. Utilizar esses mecanismos em sala de aula é uma maneira de entrar no mundo do aluno e, assim, ajudá-lo a aprender.

Por que a gamificação apresenta tantos resultados?

Os educadores da atualidade têm se perguntado bastante sobre o que é preciso fazer para estimular os alunos a não só compreender os conteúdos abordados em sala, como também absorvê-los de forma efetiva. A resposta está justamente no uso da tecnologia como uma aliada. Não é preciso entrar em disputa com os smartphones para conseguir a atenção dos alunos — o segredo é trazê-los ao ambiente escolar de maneira didática.

Por essa razão, a gamificação apresenta resultados tão satisfatórios. A ferramenta potencializa os processos de ensino-aprendizado e aumenta o engajamento com a informação de maneira espontânea, uma vez que os alunos estarão em seu “habitat natural”. Em outras palavras, trata-se de despertar o interesse do estudante com elementos que ele já domina, ou seja, que fazem parte do seu dia a dia.

Além disso, a gamificação na educação permite que o aluno seja o protagonista do seu próprio aprendizado — algo extremamente beneficial e que dá abertura para que as metodologias de ensino não se restrinjam apenas à tradicional, na qual o professor é o único detentor de todo o conhecimento. Participando de forma ativa, o estudante se sente mais seguro e confiante, já que as tarefas são de acordo com seu nível de conhecimento e o educador atua como mediador e motivador.

Os recursos presentes nos games, como fases, desafios, recompensas etc. também contribuem para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como veremos. Em um contexto educativo, isso não poderia ser diferente. Quem joga quer sempre seguir adiante, trabalhando a proatividade e a persistência. O trabalho em equipe para a conquista de resultados é outro ótimo exemplo de elemento formativo para o ser humano.

Como aplicar a gamificação na educação?

Bom, agora que você já sabe o que é a gamificação na educação e por que ela é tão importante quando consideramos a influência da tecnologia no cotidiano dos alunos da atualidade, chegou a hora de entender como a lógica dos games pode ser aplicada em sala de aula. Acima, mencionamos a presença de plataformas de ensino que já trabalham essa ferramenta e a tem como um de seus pilares. Sobre isso, falaremos adiante no artigo.

Desde já, é possível começar a introduzir uma realidade gamificada em sala com técnicas simples que farão parte do seu plano de aulas. Primeiramente, considere as características da turma e de cada aluno, o que pode ser feito por meio de avaliações diagnósticas. Tendo essas informações em mãos, fica mais fácil encontrar formas de tornar as tarefas cotidianas mais estimulantes e empolgantes, contribuindo para a retenção do conteúdo.

Desafios em grupo, competições com prêmios… tudo isso ajuda a ganhar a atenção dos alunos e envolvê-los com as aulas. Assim, você trilha todo um caminho para chegar até o uso de jogos digitais, que costumam trazer melhores resultados por todos aqueles motivos que já desenvolvemos até aqui — como familiaridade do estudante com a tecnologia etc.

Quais são os benefícios da gamificação na educação?

Todo educador precisa compreender os benefícios de determinada ferramenta antes de expô-la aos alunos. Com a gamificação, isso não poderia ser diferente, não é mesmo? Por isso, nos próximos tópicos, você saberá em detalhes as vantagens do uso da lógica dos games como fator potencializante nos processos de ensino e aprendizado. Vamos lá?

Aulas mais dinâmicas

As aulas no ensino tradicional promovem a educação de maneira vertical, e todos os elementos do ambiente contribuem para isso, como carteiras voltadas para o educador etc. O professor é a única figura detentora do conteúdo, expondo as informações no quadro e explicando-as para os alunos, que devem copiá-las e absorvê-las por meio de exercícios feitos em casa ou mesmo em sala.

Aqui, não estamos entrando em mérito do que funciona ou não. Afinal, cada escola pode optar por adotar metodologias diferentes. No entanto, a gamificação deixa a exposição do conteúdo mais atrativa, e as aulas inevitavelmente se tornam mais dinâmicas, envolvendo a todos e proporcionando uma quebra de rotina — o que é muito importante para manter os estudantes motivados e interessados em aprender.

Engajamento

O uso da gamificação na educação colabora com o engajamento dos alunos, pois utiliza uma linguagem e um ambiente familiar para a maioria deles. Essa é uma lógica fácil de se compreender, uma vez que contar com a presença de algo com o qual já estamos habituados gera uma sensação de confiança que nos prepara para encarar desafios.

É sair da zona de conforto com conforto, em outras palavras. Vamos citar o exemplo real de uma turma de ensino médio que, após a observação do educador, está apresentando dificuldades para absorver alguns conceitos matemáticos. Com essa constatação, o professor levou os estudantes para o laboratório para trabalhar Função Quadrática e Função Afim por meio de jogos como o Angry Birds, que já foi fenômeno de downloads.

Os conteúdos poderiam ser colocados em prática no jogo para passar de fase, e os alunos os revisavam coletivamente conforme necessidade para conseguir avançar no game. Com o uso da gamificação, eles incorporaram conceitos diferentes e tornaram a aprendizagem significativa dentro de seus processos individuais. Dessa forma, foi observada uma assimilação muito mais completa do assunto abordado.

Interação social

Em sala de aula, os alunos convivem entre si e com os educadores. E se dissermos que essa convivência é benéfica para os processos de aprendizagem? O ensino colaborativo, por meio do trabalho em grupo, é uma ferramenta transformadora e que prepara o estudante tanto para a vida social quanto para a profissional.

Nada melhor para integrar a turma e trabalhar habilidades interpessoais do que propor jogos em equipe. Unidos, os alunos trocarão conhecimentos, compartilharão sugestões para a resolução de problemas, apresentarão diferentes ideias e conceitos uns aos outros… todos esses aspectos são essenciais para a formação do estudante enquanto ser humano, já que, ao longo de nossas trajetórias, precisaremos lidar com pessoas distintas que pensam diferente. Aceitar outras visões é outra lição importante da gamificação na educação.

Desenvolvimento de competências

Um dos principais pilares da gamificação enquanto estratégia é que ela é eficaz no desenvolvimento de habilidades e competências. Frente aos desafios propostos nos jogos, o aluno trabalha questões que, muitas vezes, ainda eram conflituosas ou permaneciam adormecidas, esperando um ponto de partida para serem aperfeiçoadas.

Abaixo, listamos algumas dessas competências consequentes da gamificação e que serão úteis não só no contexto educacional, mas também para o desenvolvimento emocional e social do aluno. Você perceberá, por exemplo, que muitas delas são bem-vistas ou até mesmo exigidas pelo mercado de trabalho atual. Sendo assim, o uso de jogos como parte da metodologia de ensino torna-se um grande diferencial competitivo para reter alunos.

Curiosidade

O educador precisa sempre buscar maneiras de impulsionar os estudantes a correrem atrás do conhecimento. Pense bem: ninguém se sente estimulado a cumprir com o proposto ou, até mesmo, ir além quando não há tanto incentivo para aquilo. A gamificação na educação é uma inovação que, querendo ou não, chama a atenção, despertando a curiosidade.

Quando o professor traz uma atividade diferente para a sala de aula, os estudantes se sentem curiosos a entender e participar da dinâmica. Por mais que a tecnologia já faça parte da vida deles, aquele jogo será uma novidade — e os conhecimentos trabalhados ao longo do game se tornam mais atrativos. Assim, o aluno tem mais motivação para buscar compreendê-lo e, até mesmo, identificar por que está aprendendo aquilo.

Espírito competitivo

A competição saudável é uma prática que incentiva o aprendizado. É comum que todos os participantes do jogo queiram se destacar e avançar fases com mais rapidez que os outros.

Quando a prática é aliada a recompensas, tudo isso se potencializa. Lembre-se de que a lógica dos games inclui elementos como pontuações e premiações, e isso pode ser trabalhado para gerar espírito competitivo em níveis benéficos.

Por isso, é de extrema importância que o professor esteja bem preparado para aplicar a gamificação na educação, como falaremos mais a frente no artigo. Se ele conseguir conduzir a situação de forma saudável, esse clima de competição pode instigar outras habilidades muito interessantes, como a integração da turma, a troca de saberes etc.

Persistência

Quando jogamos um game, nos sentimos desafiados. Independentemente se estivermos perdendo ou ganhando, criamos certa competição conosco mesmo, de tal maneira que a vontade, na maioria das vezes, é de sempre continuar. Ao ganhar, você recebe estímulos para seguir em frente, com o nível de dificuldade crescendo a cada fase. Ao perder, tem a possibilidade de tentar de novo e provar para si próprio que é capaz.

Essa persistência é muito importante para o aprendizado, uma vez que o indivíduo aprende com o erro. Estimular a gamificação na educação é um dos fatores-chave para que o aluno não se sinta desmotivado diante de conteúdos que ele considera difíceis, e isso vale também para aspectos que acontecem fora de aula.

Foco

Com tantos estímulos ao redor, um desafio comum entre as crianças, adolescentes e até adultos é lidar com a multiplicidade de tarefas. O consumo da informação por meio da tecnologia nunca foi tão acessível, ou seja, somos “bombardeados” a todo instante com uma quantidade imensa de conteúdos, o que pode interferir na capacidade de foco.

A gamificação entra aqui mais uma vez como ponto positivo, já que, durante o game, a tendência é que o aluno fique focado nos desafios e demais elementos lúdicos. Trabalhar essa habilidade é muito importante, já que desperta nos estudantes a vontade de se manter engajado e focado no conteúdo até que a aprendizagem ocorra.

Novos modelos de aprendizagem

Um dos principais desafios a serem driblados pelas escolas hoje é romper a associação de que o ensino é algo “chato”, que deve ser feito apenas por obrigação. Essa barreira é facilmente quebrada pela gamificação na educação, pois mostra que aprender pode — e, por que não, deve — ser algo divertido e prazeroso.

Assim, cria-se novos modelos de aprendizagem e transmissão de informações. Quando o aluno realiza as atividades propostas apenas com o objetivo de aprender aquele conteúdo e utilizá-lo na hora da prova, é muito provável que ele não venha a se interessar pelo assunto nem busque ir além, indo atrás de mais conhecimentos. Ou seja, se o tema não for pessoalmente relevante para dele de alguma forma, pode ser difícil a criação da motivação.

Os games têm esse “poder” de tornar um conteúdo relevante. Lembra que, logo no início do post, comentamos sobre a atração natural do ser humano por jogos? Com o uso da gamificação na educação, o aluno aprende enquanto recebe diversos outros estímulos, desmistificando o preconceito que muitos ainda têm sobre os métodos de ensino.

Acompanhamento de resultados

Nas atividades mais tradicionais executadas em sala, a possibilidade de medir o desempenho dos alunos e fazer o acompanhamento dos resultados demanda mais tempo. O professor precisa parar para analisar as respostas do exercício proposto, fazer as correções etc.

Isso é diferente quando se usa a gamificação na educação, já que a resposta para os problemas apresentados durante o jogo é imediata. Isso permite a avaliação do rendimento do estudante em tempo real e o oferecimento de feedbacks com mais agilidade. Afinal de contas, cabe ao professor orientar e mediar a participação nos jogos, solucionando dúvidas e dando um parecer ao final da atividade.

Um diferencial interessante desse método é que o aluno passa a ter interesse sobre a sua performance e em buscar maneiras de aperfeiçoá-la. A aplicação de provas como único método de avaliação da aprendizagem dificilmente permite que isso aconteça. Ao ver notas negativas, o estudante se vê desestimulado a prosseguir com a disciplina, muitas vezes, criando certa resistência a ela.

Como implantar a gamificação na educação?

Assim como toda ação, a implantação da gamificação requer etapas de planejamento, estruturação, adequação e alinhamento da equipe de educadores com o novo elemento que integrará a metodologia de ensino adotada em sala. Por isso, é recomendado seguir os passos que reunimos nos próximos tópicos.

Crie um plano de ação e faça testes

Existem várias maneiras de implementar a gamificação. No entanto, é preciso que a escola monte um projeto mensurável com a participação de todos os educadores. Esse plano de ação é o primeiro passo para montar uma estratégia de sucesso. Com os pontos positivos da ferramenta já listados neste post, a escola deve pensar em maneiras de incluir o recurso em sua proposta pedagógica e fazer o devido acompanhamento dos resultados.

Com o plano de ação, o próximo passo para trazer a gamificação na educação para a sua escola é testar a estratégia previamente. A equipe de educadores, como mencionamos, pode começar a utilizar elementos lúdicos que compõem a estrutura dos jogos — como fases, trabalho em equipe para conquistar posições em um ranking etc. — no cotidiano, avaliando a reação dos alunos e observando como a transformação afetou o rendimento da turma.

Alinhe o projeto com os ideais da instituição

Vale destacar que o projeto de gamificação na educação deve estar sempre alinhado aos valores e ideais da instituição escolar. Sendo assim, cabe avaliar bem o que será exposto aos alunos e educadores — ou seja, o conteúdo dos jogos deve combinar com a missão pedagógica da escola e ter como objetivo o aprendizado. Não basta apenas encontrar jogos na internet e tentar traçar uma relação entre o game e conteúdo.

Tudo deve ser bem planejado e pensado previamente no plano de ação, com a participação de todos os professores. Isso faz também com que o engajamento dos educadores para com a estratégia seja maior, porque pode acontecer de alguns apresentarem certa resistência à nova ferramenta. Eles precisam se sentir familiarizados com o processo. Portanto, o alinhamento é uma etapa indispensável.

Utilize uma plataforma de ensino

As plataformas de ensino são aliadas importantíssimas quando o assunto é gamificação na educação. Muitas escolas já adotam o uso de soluções como essa para otimizar a gestão de processos e auxiliar os times de professores a criarem propostas educativas interessantes para os alunos. Essas instituições já contam com um diferencial competitivo estratégico, pois entendem que a tecnologia e a inovação apoiam metodologias de ensino.

Ao optar por uma plataforma de ensino como a da Eleva, o recurso da gamificação já vem incluso e sincronizado ao conteúdo abordado em sala de aula. Essas atividades podem ser também extracurriculares, pois o aluno pode acessar e usufruir daquele conteúdo motivador em casa, por exemplo, reforçando ainda mais o aprendizado.

Como foi possível perceber, trazer a inovação para a sala por meio de ferramentas como a gamificação na educação é bastante vantajoso. O aluno da atualidade já nasceu conectado — e a escola não deve encarar a tecnologia como inimiga. Aliando-a aos seus propósitos, com a ajuda de uma plataforma de ensino, é possível obter resultados surpreendentes.

Se você gostou das dicas do post, entre em contato conosco e saiba como se tornar uma parceira Eleva. Assim, será possível aplicar a gamificação no contexto da sua escola!

Gamificação na educação: como usá-la no processo pedagógico?