Indisciplina na Escola Alunos bagunçando sala de aula

Envolver o aluno no processo do aprendizado é uma das ações que auxilia no combate à indisciplina na escola. Até mesmo práticas de meditação mindfulness estão sendo utilizadas, pois esse é um problema que gera grandes impactos na qualidade da aula e que requer uma intervenção por parte do professor e da equipe pedagógica. Por obstruir a construção do conhecimento, que é o objetivo maior do ambiente escolar, a desobediência requer especial atenção.

Pesquisa realizada pela revista Nova Escola, em parceria com o Ibope, aponta que 69% dos professores consideram a indisciplina e a falta de atenção os principais problemas encontrados em sala de aula. Por isso, conversamos com a assessora pedagógica Patrícia Paranhos sobre os impactos da desordem no ensino privado. Boa leitura!

Indisciplina na Escola - projeto Político Pedagógico

As causas da indisciplina na escola

O conceito de disciplina não é rígido e pode variar de acordo com o contexto ou com a abordagem utilizada pelo educador. Para falar sobre o assunto, Patrícia Paranhos resgata uma frase de Celso Antunes: “Uma classe indisciplinada é toda aquela que não permite ao professor oportunidades plenas para o desenvolvimento de seu processo de ajuda na construção do conhecimento”.

Mas, antes de tudo, é necessário encontrar as causas da indisciplina.

Identificando as causas

A indisciplina na escola pode ser causada por questões do ambiente, por problemas externos (até mesmo de infraestrutura) ou, ainda, por questões internas.

“A falta de atenção escolar pode ser gerada por um recreio ou intervalo que acontece ao lado de uma sala de aula e que tira o interesse do aluno”, lembra Patrícia Paranhos. Da mesma forma, pode ser gerada por questões que acontecem na rua da escola e afetam o ambiente interno. Até mesmo uma grade de horário desfavorável pode contribuir para a desordem.

Nesses casos, o educador deve encontrar formas para fugir da questão — como propor atividades que requerem menos concentração. “É preciso buscar estratégias para minimizar o problema”, explica a especialista.

Problemas internos, no entanto, também podem ser a causa da indisciplina. A pesquisadora e historiadora Maria Teresa Estrela dividiu em três categorias as causas dos problemas internos:

  1. quando o aluno quer escapar do trabalho;
  2. quando ele tem o objetivo de obstrução;
  3. quando ele protesta contra as regras.

Em todos os casos, Patrícia reforça que é essencial avaliar a situação. “O professor deve analisar qual a razão do desinteresse do aluno em fazer certo trabalho, para garantir que o aluno fique inserido na atividade”.

O aluno indisciplinado também pode não reconhecer o professor como líder, “então é necessário buscar estratégias para mostrar quem é a liderança e quem faz a gestão da turma”, alerta a especialista.

Por fim, o aluno pensante, pode se voltar contra o educador. “Se eu formo um aluno crítico e pensante, quando eu imponho regras isso pode me causar indisciplina”, explica a assessora pedagógica. Ela também lembra que para que funcionem, as regras devem ser feitas com a participação dos alunos.

Situações adversas também geram indisciplina

Questões e causas provenientes de situações adversas vividas na infância, como problemas decorrentes de uma vida doméstica problemática e violenta, com falta de limites, também podem gerar a indisciplina na escola. Pode ser, ainda, o caso de um enfermo ou óbito recente na família, que afete o desempenho daquele aluno.

Seja como for, “o professor deve planejar, contextualizar sua aula e ter ganchos de conexão, além de empatia, para ganhar o coração do aluno e incluir a questão do emocional e afetivo no ensino”, reforça Patrícia Paranhos.

A importância da participação do aluno

Quando o aluno acha que o que está sendo ofertado em sala de aula não é relevante, ou mesmo quando esta aula não oferece condições de participação, a indisciplina pode surgir. A especialista lembra que: “é a capacidade de colocar o aluno como protagonista que evita conversas paralelas, dispersão na atenção, ou falta de interação”.

Uma aula contextualizada desperta o interesse do aluno, ou seja, estratégias bem planejadas, que tenham uma proposta convidativa para a interação entre o aluno e o professor, fazem com que não exista espaço para a indisciplina.

Como reconhecer o aluno indisciplinado

Patrícia Paranhos explica que o aluno que está indisciplinado em sala de aula, está transgredindo a norma. “Ele não está em condições para construir o conhecimento”, avalia. Como impacto do comportamento indisciplinado, o aluno:

  • tenta escapar das aulas;
  • foge das atividades oferecidas,
  • procura obstruir o professor;
  • constantemente protesta contra as regras, sem razão;
  • não aceita regras;
  • está sempre testando a autoridade do educador;
  • quer chamar atenção tanto da turma, quanto do professor.

Nesses casos citados, é possível perceber que há um comportamento inadequado que precisa ser analisado e avaliado. “Quando, por sua vez, o professor tem uma turma muito numerosa, ou uma turma com tendência à indisciplina, é importante que esse profissional tenha sempre o apoio da orientação educacional, da equipe de pedagogia, para poder ajudá-lo. Afinal, isso pode ser uma causa externa”, finaliza.

Entenda os impactos no aprendizado

A indisciplina deve ser avaliada pela sua gravidade e pela atitude do aluno. Educadores e equipe pedagógica devem estar alinhados com a orientação educacional para prever ou identificar alunos desmotivados, desinteressados, sem atenção e, claro, indisciplinados. “Este aluno não vai aprender, assim como não vai participar ou mesmo interagir”, alerta a assessora.

O aluno que não participa do processo de construção de conhecimento em sala de aula, apresenta um rendimento escolar ruim, ou mesmo abaixo do esperado. “A indisciplina aparece naquele aluno que não está participando, perguntando, esclarecendo dúvidas, ou que não está curioso quanto ao assunto ensinado”, afirma Patrícia Paranhos. Como resultado, podem surgir notas baixas, potencial para ser um aluno de recuperação, casos de reprovação ou mesmo evasão escolar.

Outros impactos da indisciplina no aprendizado são:

  • queda no rendimento escolar;
  • comprometimento da aprendizagem do grupo;
  • desgaste entre o aluno indisciplinado e professor.

Para que isso não aconteça, a sala de aula deve ser um ambiente harmonioso, com alunos em condições propícias para receber as práticas significativas que serão trabalhadas como objetos de conhecimento.

Estratégias para resolução da indisciplina

Patrícia Paranhos explica que uma aula bem planejada, com um discurso que conquiste o interesse do grupo de alunos, ajuda na construção do conhecimento e na redução da indisciplina na escola. “O aluno precisa estar envolvido e entender que aquele objeto está dentro de um contexto do qual ele faz parte. Por isso, é importante aulas contextualizadas”, ensina.

O uso de recursos como reportagens, aplicativos, músicas, pesquisas e experimentos favorece a educação — até mesmo é uma tendência da chamada educação 4.0. Mas também é interessante que o professor se coloque no lugar do aluno, em alguns momentos. Além disso, que o profissional perceba que há singularidades entre os alunos.

Paranhos também lembra outra fala de Celso Antunes, que explica que “o que 10 broncas não constroem, um só conselho edifica”.

5 caminhos para minimizar a indisciplina na escola

A assessora pedagógica, pós-graduada em gestão escolar, apresenta 5 importantes atitudes e hábitos que auxiliam na construção de um ambiente de ensino propício para o aprendizado colaborativo.

  1. o início do ano letivo é fundamental para construção de regras e combinados;
  2. o professor é um líder com autoridade e não autoritário: traga o aluno para ser seu lado;
  3. as aulas precisam ser bem planejadas, estratégias e repletas de estímulos interessantes. Capriche na contextualização!;
  4. o professor é o referencial de seus alunos: seja o exemplo e cuide de suas atitudes;
  5. exerça o reconhecimento, ou seja, elogie quando for importante e necessário.

A importância de monitorar a disciplina escolar

Após identificar a indisciplina, o professor deve seguir estratégias, alinhado com a equipe pedagógica, para conquistar o aluno e observar como ele está apresentando mudança de comportamento.

“Você pode monitorar o comportamento por meio de avaliação e análise comportamental do desempenho em sala de aula (quantitativo e qualitativo)”, ensina Patrícia. Esse cuidado ajuda a mensurar o quanto aquele aluno teve de melhora comportamental e se ele está mais próximo de um comportamento disciplinado, preparado para aprender, amadurecido e com mais motivação.

Trabalhar a indisciplina na escola é um investimento importante tanto para a qualidade do ensino, quanto para o desempenho do trabalho dos professores. É uma atitude que minimiza os possíveis danos da desordem e da desobediência e ajuda na formação de alunos engajados e envolvidos no saber.

Quer conhecer outras estratégias que podem auxiliar na construção de um ambiente propício para o aprendizado? Entre em contato com a gente agora mesmo!

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