Indisciplina na Escola: como eliminar esse problema no ensino privado?

Indisciplina na Escola Alunos bagunçando sala de aula
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No cotidiano escolar, existem problemas que geram grandes impactos na qualidade da aula. Muitos professores consideram que a indisciplina e a falta de atenção são os principais obstáculos encontrados em sala. Uma pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que os docentes no Brasil chegam a perder até 20% da aula com a bagunça em classe.

Por obstruir a construção do conhecimento, a desobediência requer especial atenção. Para isso, é preciso buscar formas de envolver o aluno no processo de aprendizado. Até mesmo práticas de meditação mindfulness estão sendo utilizadas para auxiliar na mudança desse cenário.

Com intuito de compreender os impactos da desordem no ensino privado, conversamos com a assessora pedagógica, pós-graduada em gestão escolar, Patrícia Paranhos. Confira o conteúdo completo a seguir!

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A indisciplina na escola e suas causas

O conceito de disciplina no ambiente escolar pode variar de acordo com o contexto ou com a abordagem utilizada pelo educador. Para falar sobre o assunto, Patrícia Paranhos resgata uma frase de Celso Antunes: “Uma classe indisciplinada é toda aquela que não permite ao professor oportunidades plenas para o desenvolvimento de seu processo de ajuda na construção do conhecimento”.

A indisciplina na escola pode ser originada por fatores distintos. Ela pode ser atrelada a situações adversas, como questões de infraestrutura, influência de colegas e problemas familiares, por exemplo.

Podemos dividir as causas em dois grandes grupos: questões internas e externas à escola. Confira a seguir as situações que se enquadram em cada um deles.

Causas internas

“A falta de atenção escolar pode ser gerada por um recreio ou intervalo que acontece ao lado de uma sala de aula e que tira o interesse do aluno”, lembra Patrícia Paranhos. Até mesmo uma grade de horário desfavorável contribui para tal desordem.

Outra circunstância que se desenvolve na escola é quando os problemas partem diretamente da relação do aluno com o ensino. Em alguns casos isso está relacionado ao fato de o estudante achar que o que está sendo ofertado em sala não é relevante, ou mesmo que a aula não oferece condições para sua participação.

O aluno indisciplinado também pode não reconhecer o professor como líder e se voltar contra ele. “Se eu formo um aluno crítico e pensante, quando eu imponho regras isso pode me causar indisciplina”, explica a assessora pedagógica.

Causas externas

As causas externas podem ser relacionados a acontecimentos na rua da escola que afetam o ambiente interno, por exemplo. Contudo, questões provenientes de situações pessoais vividas pelo aluno fora do cenário escolar também podem gerar a indisciplina.

Exemplo disso são problemas decorrentes de uma vida doméstica problemática e violenta ou com falta de limites. Pode ser, ainda, que um caso de enfermidade ou óbito recente na família afete o desempenho daquele estudante.

Como reconhecer o aluno indisciplinado

Patrícia Paranhos explica que o aluno que está indisciplinado em sala de aula está transgredindo a norma. “Ele não está em condições para construir o conhecimento”, avalia. Como impacto do comportamento indisciplinado, o aluno:

  • tenta escapar das aulas;
  • foge das atividades oferecidas;
  • procura obstruir o professor;
  • constantemente protesta contra as regras, sem razão;
  • não aceita regras;
  • está sempre testando a autoridade do educador;
  • quer chamar atenção tanto da turma quanto do professor.

Nesses casos citados, é possível perceber que há um comportamento inadequado que precisa ser analisado e avaliado. “Quando, por sua vez, o professor tem uma turma muito numerosa, ou uma turma com tendência à indisciplina, é importante que esse profissional tenha sempre o apoio da orientação educacional, da equipe de pedagogia, para poder ajudá-lo. Afinal, isso pode ser uma causa externa”, finaliza.

Os impactos no aprendizado

A indisciplina deve ser avaliada pela sua gravidade e pela atitude do aluno. Educadores e equipe pedagógica devem estar alinhados com a orientação educacional para identificar alunos desmotivados, desinteressados, sem atenção e, claro, indisciplinados. “A indisciplina aparece naquele aluno que não está participando, perguntando, esclarecendo dúvidas, ou que não está curioso quanto ao assunto ensinado”, afirma Patrícia.

Como resultado, pode haver a queda no rendimento escolar — refletindo no surgimento de notas baixas —, potencial para ser um aluno de recuperação, casos de reprovação ou evasão escolar, comprometimento da aprendizagem do grupo e desgaste entre o aluno indisciplinado e professor.

Para que isso não aconteça, a sala de aula deve ser um ambiente harmonioso, com alunos em condições propícias para receber as práticas significativas que serão trabalhadas como objetos de conhecimento.

Estratégias para resolução da indisciplina

Não existe uma estratégia única para tratar os casos de indisciplina e, portanto, é fundamental que o professor avalie cada situação individualmente e perceba as singularidades entre os estudantes. “O professor deve analisar qual a razão do desinteresse do aluno em fazer certo trabalho, para garantir que fique inserido na atividade”, relata.

Por outro lado, existem iniciativas que podem auxiliar alguns casos recorrentes nesse cenário. Patrícia lembra que “a capacidade de colocar o aluno como protagonista evita conversas paralelas, dispersão na atenção, ou falta de interação”. Com uma aula contextualizada, o aluno fica envolvido e entende que aquele objeto está dentro de um contexto do qual ele faz parte.

Para isso, é preciso traçar estratégias que tenham uma proposta convidativa para a interação entre o aluno e o professor. Ela explica que uma aula bem planejada, com um discurso que conquiste o interesse do grupo de alunos, ajuda na construção do conhecimento e na redução da indisciplina na escola.

O uso de recursos como reportagens, aplicativos, músicas, pesquisas e experimentos favorece a educação — até mesmo é uma tendência da chamada educação 4.0.

Mas também é interessante que o professor se coloque no lugar do aluno em alguns momentos. Além de planejar e contextualizar sua aula, é preciso “ter ganchos de conexão e empatia para ganhar o coração do aluno e incluir a questão do emocional e afetivo no ensino”, reforça Patrícia. Nesse aspecto, Paranhos lembra outra fala de Celso Antunes, que afirma que “o que 10 broncas não constroem, um só conselho edifica”.

5 caminhos para minimizar a indisciplina na escola

A entrevistada apresenta 5 importantes dicas que auxiliam na construção de um ambiente de ensino propício para o aprendizado colaborativo. São elas:

  • o início do ano letivo é fundamental para construção de regras e combinados e, para que funcionem, devem ser feitos com a participação dos alunos;
  • o professor é um líder com autoridade e não autoritário;
  • as aulas precisam ser bem estruturadas e repletas de estímulos interessantes;
  • o professor é o referencial de seus alunos: seja o exemplo e cuide de suas atitudes;
  • exerça o reconhecimento, ou seja, elogie quando for importante e necessário.

A relação professor-aluno

Dentre todos os membros da comunidade escolar, o professor costuma ser aquele que mais tem contato com a indisciplina do aluno. Consequentemente, também é uma figura que pode influenciar o seu comportamento de forma positiva, conseguindo amenizar e até eliminar as atitudes que têm causado problemas na sala de aula.

Contudo, é importante que o docente compreenda que, para superar esse obstáculo que tanto prejudica o processo de ensino-aprendizagem, a postura que ele adota faz toda a diferença. Ao contrário do que pode parecer aos olhos de algumas pessoas, a indisciplina na escola não é algo que se combate com intransigência. Quanto mais o aluno for confrontado com autoritarismo, mais ele se sentirá inclinado a desafiá-lo.

Portanto, faz-se necessário que o professor estabeleça uma parceria com os estudantes, incluindo aqueles que não têm se comportado de maneira adequada. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio no qual o docente seja considerado como um aliado pelos alunos, mas sem deixar de ser aquele que lidera a jornada de aprendizagem.

A seguir, explicaremos o que o professor pode fazer a fim de contribuir para o fim da indisciplina na escola. Veja algumas posturas recomendadas!

Criar uma relação de confiança

Para o bem ou para o mal, o aluno sabe quem ocupa a posição hierárquica mais elevada dentro da sala de aula. É por isso que, em casos de indisciplina, existe uma tendência de se voltar contra o professor, antagonizando-o e provocando uma deterioração na convivência, o que chega a causar prejuízos para toda a turma.

Diante disso, o professor deve, desde o primeiro contato com a classe, tentar construir uma relação de confiança com os alunos. Ser transparente quanto às formas de avaliação e ser receptivo aos questionamentos durante as aulas são algumas atitudes que demonstram interesse em estabelecer um canal de comunicação eficiente. Esse diálogo é fundamental para que, eventualmente, outras questões que vão além do currículo escolar possam ser abordadas.

Agir como mediador

Os modelos mais tradicionais de ensino colocam o professor como detentor do conhecimento, o que faz com que ocupe um papel central no processo de ensino-aprendizagem. Nos últimos tempos, esse paradigma vem sendo quebrado, mas ainda há quem continue praticando estratégias que não dão ao aluno o destaque que lhe cabe na sala de aula.

O docente precisa entender que essa mudança de postura traz importantes benefícios tanto para o aluno quanto para o seu próprio trabalho. Ao assumir o papel de mediador entre o estudante e a aprendizagem, ele torna o ambiente propício à construção de novos saberes e incentiva os alunos a se engajarem cada vez mais nas aulas.

Oferecer autonomia

Quando o professor se coloca como mediador, o aluno passa a ter mais autonomia. O processo de construção do conhecimento ultrapassa os limites do ambiente escolar e se estende a outras esferas da vida do estudante. Nesse contexto, podem ser usadas metodologias ativas e atividades interdisciplinares, assim como novas tecnologias aplicadas à educação.

Para que essa estratégia funcione, porém, o professor precisa saber como conceder a dose certa de autonomia e, ainda assim, cobrar responsabilidades com os compromissos escolares. Desse jeito, continuará liderando a turma, mas com uma maior participação por parte dela.

A relação responsáveis-aluno

Se uma boa relação entre professor e aluno pode colaborar para a redução da indisciplina na escola, a família tem a possibilidade de, em muitos casos, contribuir ainda mais para eliminar esse problema. Afinal, como já foi mencionado, o comportamento inadequado pode ser reflexo de situações que acontecem longe da instituição de ensino.

Em vista disso, listamos, aqui, alguns exemplos de posturas que os pais ou responsáveis podem adotar para ajudar a combater a indisciplina na escola. Acompanhe.

Reconhecer o papel da família na educação

Uma educação completa e de qualidade é resultado da parceria entre escola e família. Por mais que os educadores se dediquem para formar cidadãos conscientes, isso se torna inviável se não houver uma participação efetiva de todos os que rodeiam o estudante. É a ação em conjunto que realmente impacta a formação de crianças e adolescentes.

Por isso, a primeira coisa que os pais ou responsáveis podem fazer para evitar a indisciplina na escola é ter consciência do próprio papel na educação dos alunos. A família não deve encarar a instituição de ensino como um órgão que foi contratado para educar seus filhos, mas sim como uma parceira nesse processo. Cada parte tem suas atribuições e ambas afetam diretamente o estudante.

Acompanhar o desempenho do aluno

Seja por não reconhecer a influência que tem na educação dos jovens, seja por ter outras ocupações importantes — como os compromissos de trabalho —, muitos responsáveis acabam por não dar a devida atenção ao que está acontecendo na escola. Dessa forma, traços de indisciplina passam despercebidos e, mesmo quando se tornam evidentes, são ignorados por causa da crença equivocada de que o problema vai ser resolvido exclusivamente pela escola.

Portanto, é de grande importância que a família reconheça a necessidade de participar da vida escolar dos filhos. É preciso acompanhar o desempenho, não apenas verificando as notas, mas conversando com professores, coordenadores e direção escolar, além de participar das reuniões de pais.

Com isso, é possível estabelecer um diálogo com os educadores — o que é muito importante para que, juntos, família e escola possam trabalhar em prol de um aluno disciplinado e com bom desempenho em todos os âmbitos de sua vida.

Garantir um ambiente saudável

Quando a causa da indisciplina na escola não está na relação com professores e outros alunos, os responsáveis precisam analisar se o ambiente familiar está adequado para que a criança ou adolescente se desenvolva. Certas situações podem dificultar bastante a consolidação de um cenário verdadeiramente saudável em casa.

Para solucionar essa questão, a família precisa ter o bem-estar do estudante como uma prioridade. Isso implica em solucionar questões de convivência entre os pais e outros parentes, por exemplo, a fim de que o jovem não continue a ser afetado por esses fatores. Em alguns casos, o suporte de psicólogos e outros profissionais pode ser necessário para superar a fonte da indisciplina na escola.

A importância de monitorar a disciplina escolar

Após identificar a indisciplina, o professor deve buscar as possíveis causas e seguir estratégias adequadas para cada uma delas. Nesse processo, deve estar alinhado com a equipe pedagógica e com a família do estudante, acompanhando se ele está apresentando mudanças em suas atitudes.

“Você pode monitorar o comportamento por meio de avaliação e análise comportamental do desempenho em sala de aula (quantitativo e qualitativo)”, ensina Patrícia. Essas iniciativas ajudam a entender se aluno teve alguma melhora, se está mais amadurecido e com mais motivação.

Trabalhar a indisciplina na escola é um investimento importante para a instituição — tanto para a qualidade do ensino quanto para o desempenho do trabalho dos professores — e, claro, para o desenvolvimento dos alunos. É uma atitude que minimiza os possíveis danos da desordem e da desobediência e ajuda na formação de estudantes engajados e envolvidos no saber.

Quer saber mais sobre como a sua instituição de ensino pode contornar problemas como o da indisciplina? Confira o nosso artigo que aborda o papel da orientação escolar no desenvolvimento dos alunos!

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