Liderando a transformação da educação: a importância da escola inovadora e do protagonismo do aluno

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O Festival Nova-Educação, promovido pela Plataforma de Ensino Eleva, trouxe à tona as diferentes faces da nova educação. Quando questionados sobre os rumos da educação do futuro, nomes nacionais e internacionais se uniram para dizer que, independentemente da realidade, as escolas precisam estar abertas à inovação. 

No Talk “Liderando a transformação da educação”, Carolina Pavanelli, Diretora Pedagógica da Plataforma Eleva, e Lilia Melo, Coordenadora do Cine Clube TF, falam sobre esse projeto educacional, que promove aulas gratuitas de teatro, dança, música e poesia, desenvolvido por Lilia na comunidade de Terra Firme, uma das regiões mais violentas de Belém – PR. 

Ponto de partida 

Lilia Melo, vencedora do Prêmio Professores do Brasil e considerada uma das 50 melhores professoras do mundo em 2020, viu os estudantes da escola onde leciona se afastarem da sala de aula depois de uma chacina ocorrida no próprio bairro, que vitimou um de seus alunos e familiares de outros.

A necessidade do surgimento do projeto, segundo Lilia, é potencializar a arte de meninos e meninas da periferia, tornando-os protagonistas de suas próprias histórias e mudando a imagem ruim sobre eles. “Eles podem contar um pouco de suas realidades de uma maneira que não a da mídia tradicional”, afirma ela. 

Quebra de barreiras e início do projeto

Lilia conta que, no retorno às aulas, não existia de imediato o escopo de um projeto de arte e cultura, mas existia a necessidade de que as dores e dificuldades dos alunos fossem escutadas por parte do corpo docente. Foi, então, que ela descobriu como o incidente refletiu na vida cotidiana dos estudantes. E, ao passo que se aproximava deles, descobria, também, talentos na sala de aula. 

Ela reflete, ainda, sobre a necessidade do contexto na educação. E usa como exemplo o ato de pedir que a turma interprete um texto de Carlos Drummond de Andrade quando esse conteúdo não desperta o senso de pertencimento em seus alunos. 

Para ela, reconhecer-se no conteúdo estudado e desenvolvido é essencial para promover o engajamento dos alunos. E usar como objeto de estudo as obras dos próprios alunos ainda é capaz de reforçar que o que é produzido por eles também é importante. 

Depois da escuta e da identificação de necessidades, a professora conta que o próximo passo foi escutar as músicas que os alunos escutavam. “Nos tornamos sensíveis ao que era importante para eles”, diz ela. 

Alunos em posição de protagonistas

Lilia conta que para poder dar início ao projeto, a escola fez parcerias com coletivos culturais do bairro e, assim, descobriu que vários de seus alunos já atuavam como oficineiros, professores de dança, professores de artes plásticas, entre outras coisas. 

Assim, dentro da escola foram de formando grupos de trabalho, que são coordenados por jovens estudantes. Para a professora, é importante que jovens possam ser liderados por outros jovens, porque eles são capazes de se identificar um com o outro, de entender os temas e as demandas mais latentes de suas realidades. 

Foi dessa maneira que o grupo de jovens que compõem o projeto se tornou referência na região. E, com o passar do tempo, o projeto tomou proporções tão grandes que os jovens passaram a ser convidados para ministrar palestras e oficinas em escolas, museus, universidades e empresas. 

Inclusão digital dos alunos

Lilia fala que a inclusão digital dos alunos é um assunto muito debatido na escola. Segundo ela, é necessário admitir que esses jovens e crianças entendem mais de determinadas tecnologias que os próprios adultos e que isso está longe de ser uma coisa ruim. 

Para ela, se o professor nega esse conhecimento, corre o risco de ter uma aula substituída por uma busca na internet. Mas se a escola acolhe esse conhecimento, e coloca o aluno também na posição de quem ensina, a troca entre professor e aluno se torna constante. 

Sobre seu papel nesse processo e no desenvolvimento do clube, Lilia fala que os alunos precisavam de espaço para ecoar suas vozes, o que ela fez foi dar espaço para eles e promover conexões com profissionais experientes da área.

Dicas para o desenvolvimento de projetos inovadores na escola

Para finalizar a palestra, Carolina Pavanelli pergunta à Lilia se ela tem dicas para professores que almejam desenvolver projetos com seus alunos. 

Lilia divide sua resposta em três passos:

1- Realizar a escuta entre os alunos

De acordo com os professores, os alunos não são folhas em branco. Eles possuem seus históricos de vida, suas dores, seus motivos de felicidades, suas habilidades. Conhecê-los faz parte do processo.

2- Trabalhar juntos

Trabalhar junto significa que ambos os lados possuem importância e lugar de fala e que esse trabalho em conjunto pode render frutos maravilhosos. 

3- Nutrir uma rede de afeto

A confiança e o conforto precisam ser a base de tudo. E, uma vez que essa rede de trocas e afeto se estabelece, ela precisa ser nutrida para que os alunos se sintam confortáveis, continuando, assim, a desenvolver suas iniciativas. 

Liderando a transformação da educação: a importância da escola inovadora e do protagonismo do aluno