Como definir o material didático da sua instituição de ensino?

Alunas estudando com seu material didático
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Como definir o material didático da sua instituição de ensino?
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No cotidiano de um ambiente escolar, a equipe pedagógica está habituada a enfrentar desafios que são fundamentais para a qualidade do ensino oferecido. Um deles é a escolha de um material didático que realmente possa auxiliar os estudantes em sua caminhada durante o ano letivo.

Essa, a propósito, é apenas uma parte do compromisso que a escola tem com seus alunos. Afinal, sua missão é ainda mais complexa do que apenas fazê-los adquirir conhecimentos técnicos. A escola precisa formar jovens adultos conscientes do seu papel na sociedade e aptos a continuar seus estudos após a educação básica.

Em vista disso, a definição do material didático é um processo que merece atenção e preparo por parte da equipe pedagógica. Para compreender melhor a importância desse material e descobrir como fazer a escolha ideal para a sua escola, confira a seguir!

Qual a importância de acertar na escolha do material didático?

É natural que toda instituição escolar tenha o objetivo de oferecer a melhor educação aos seus alunos e excelentes condições de trabalho ao seu corpo docente. No entanto, isso só será uma realidade se várias medidas forem tomadas para alcançar tal meta.

Escolher o melhor material didático é um dos passos de grande importância em direção a esse objetivo. Quando a seleção é feita sem seguir critérios rigorosos, isso compromete bastante os resultados da prática de ensino-aprendizagem.

Afinal de contas, esse material é uma ferramenta essencial para o dia a dia em sala de aula. É ele quem auxilia o professor em seu trabalho de transmitir os conhecimentos de cada disciplina, servindo, inclusive, de guia para o preparo das aulas.

Enquanto isso, para os alunos, o material didático tem grande utilidade na hora de acompanhar as explicações do professor, além de ser o apoio do qual eles necessitam para dar continuidade aos estudos em casa, por exemplo. Afinal, livros e apostilas são fontes confiáveis que podem ser consultadas a qualquer momento.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) traz diretrizes sobre o currículo escolar e os livros didáticos são escolhidos de acordo com suas determinações. Assim, mesmo tendo a possibilidade de buscar conhecimento em outras fontes — o que é encorajado —, professores e alunos têm o material didático com uma base, uma espécie de bússola capaz de guiá-los.

Deve-se levar em conta, também, os professores que estão em início de carreira e, consequentemente, precisam ainda mais do suporte que o livro didático lhes proporciona. Bons materiais trazem não só os conteúdos curriculares, mas sugestões de atividades e ideias sobre como a aula pode ser conduzida. Tudo isso contribui para a qualidade do trabalho desse educador.

Desse modo, se o material didático é um elemento que não pode faltar na rotina tanto dos professores quanto dos alunos, fica evidente que a importância de acertar nessa escolha não deve ser subestimada.

Como o material didático pode influenciar na proposta pedagógica?

Prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a proposta pedagógica é um documento desenvolvido pela escola com a intenção de estabelecer sua metodologia de ensino, de acordo com os seus interesses e valores. Essa proposta costuma ser atualizada anualmente, durante o processo de planejamento escolar.

A escolha do material didático também faz parte dessa organização. Assim, é muito importante que quaisquer livros e apostilas selecionados sejam condizentes com a proposta pedagógica da instituição de ensino.

Conforme foi dito neste artigo, o livro serve como material de base para que o professor elabore planos de aula e desenvolva atividades com os alunos. Por isso, se o material didático não for escolhido com atenção, corre-se o risco de a escola se distanciar da própria proposta pedagógica no decorrer do ano.

É importante notar que o livro didático é que deve servir aos propósitos da proposta pedagógica, e não o contrário. Uma vez que esse documento norteia as ações da escola, o material precisa atender às suas demandas. Isso também é fundamental para que os professores possam utilizá-lo mais livremente, sabendo que os interesses da escola estão sendo respeitados.

A inserção de metodologias ativas influencia no material didático?

Nas metodologias de ensino tradicionais, o papel do livro didático já foi consolidado há muito tempo. O modelo de aula em que o professor transmite os conhecimentos, tendo um livro como base, e o aluno escuta suas explicações, acompanhando-as por meio dessa mesma ferramenta, ainda é o adotado por muitas instituições escolares.

Entretanto, outros tipos de estratégias já começaram a ganhar espaço no mundo da educação. São as chamadas metodologias ativas de aprendizagem, que surgiram para mudar a forma como a prática de ensino-aprendizagem acontece.

Quando uma escola ou um sistema de ensino adota esse método, o aluno deixa de ser um agente passivo, que apenas recebe o conteúdo transmitido pelo professor, e se torna um agente ativo — engajado na construção do conhecimento. Nesse cenário, as aulas expositivas tradicionais perdem espaço na rotina do estudante.

Nesse caso, o aluno ganha autonomia e um maior senso de responsabilidade sobre o próprio processo de educação. Assim, o professor já não é o detentor do conhecimento, mas um mediador que auxilia o discente em sua jornada.

Logo, ao inserir esse tipo de metodologia, a instituição de ensino precisa estar pronta para fazer adaptações. A tecnologia, por exemplo, é uma grande aliada nesse novo jeito de aprender, uma vez que o uso de smartphones e computadores é algo convidativo para os jovens.

No entanto, é um erro pensar que o material didático se torna obsoleto nas metodologias ativas. Isso porque o que muda é apenas a maneira como ele será utilizado, ou seja, a forma como o aluno interage com os livros e apostilas nas aulas e atividades propostas por esse método diferenciado. Entenda melhor, a seguir, com alguns exemplos dessa abordagem!

Sala de aula invertida

Como o próprio nome indica, ocorre uma inversão nesse tipo de aula. Em vez de o conteúdo ser exposto pelo professor, o aluno estuda primeiro em casa, sozinho, utilizando o material didático — podendo ser o próprio livro ou mesmo uma videoaula.

Depois, na sala de aula, o estudante tem a oportunidade de aprofundar o conhecimento adquirido por meio de debates, exercícios e trabalhos complementares, entre outras atividades. O horário da aula também é o momento de esclarecer dúvidas com a ajuda do professor.

Problemas

Nessa metodologia, os conteúdos também são estudados antes da aula. Esse horário passa, então, a ser destinado à resolução de problemas — ou desafios —, tendo como referência os assuntos que foram revisados em casa. O professor estimula a capacidade de investigação e reflexão dos alunos, que devem colaborar entre si para encontrar a solução de questões.

Projetos

Essa estratégia de ensino-aprendizagem é similar à anterior, a qual é focada na resolução de problemas teóricos. A diferença, aqui, é que a busca pelo conhecimento ocorre por meio de atividades práticas.

Em um projeto, o desafio é apresentado e os alunos precisam desenvolver uma solução concreta para superá-lo. Para isso, eles combinam conhecimentos de variadas disciplinas, colocando-os em prática.

Nessa metodologia, é importante que a infraestrutura escolar tenha condições de oferecer o suporte adequado para as atividades realizadas pelos alunos. Laboratórios de ciências, por exemplo, podem ser necessários. Além disso, a escola deve ter uma jornada que guie o estudante por esses projetos.

Estudos de caso

Essa é uma metodologia que também se assemelha aos problemas e projetos, mas difere deles por envolver situações reais. Um estudo de caso se baseia na investigação de um fenômeno ou série de eventos verídicos, com o objetivo de reunir informações sobre eles e, portanto, chegar a uma conclusão. Atividades desse tipo desenvolvem a compreensão de mundo do aluno e estimulam o raciocínio lógico a partir das conexões de ideias.

Como o material didático auxilia no desenvolvimento do aluno?

A importância do material didático no processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos curriculares já é conhecida, seja em aulas expositivas tradicionais ou nas metodologias ativas. Por isso, vale ressaltar que esse material contribui, também, para outros aspectos do desenvolvimento do aluno.

Isso acontece desde os anos iniciais da educação básica. Afinal, auxiliando também no incentivo à leitura, o livro didático coloca o aluno em contato com diversas categorias de textos, incluindo trechos de grandes obras literárias.

Assim, o hábito da leitura, estimulado pelo material didático, amplia o vocabulário — o que ajuda a desenvolver habilidades de comunicação, possibilitando que a criança e o jovem articulem os pensamentos com mais clareza. Isso acaba por refletir, ainda, nas habilidades de escrita, que melhoram à medida que essa prática se consolida na vida do aluno.

Além disso, o material didático continua a auxiliar o desenvolvimento do estudante de acordo com a sua idade — em cada etapa da educação básica. Na educação infantil, por exemplo, ele traz atividades lúdicas para desenvolver habilidades manuais, o que ajuda muito na coordenação motora da criança.

No ensino fundamental, além das habilidades de leitura e escrita, o livro didático ajuda a aumentar a sua capacidade de raciocínio e argumentação. Um exemplo de como isso acontece são as atividades realizadas na disciplina de Matemática, que estimulam a resolução de problemas a partir da investigação que tem como ferramentas os conceitos da matéria.

Essas habilidades evoluem, ainda mais, no ensino médio, quando o aluno passa a se reconhecer ainda mais como um cidadão e enxergar o seu papel na sociedade. Nessa fase, as atividades propostas no livro didático têm o potencial de estimulá-lo a pensar com mais independência, posicionando-se diante das situações e de temas diversos.

O material didático é uma constante na vida do aluno, estando presente em toda a sua trajetória escolar. Consequentemente, ele também tem grande influencia no seu desenvolvimento, o que reforça a importância de selecioná-lo muito bem.

O que levar em conta ao escolher um material didático?

A fim de que o material didático atinja os resultados esperados, é preciso que a equipe pedagógica estabeleça critérios rigorosos para sua escolha. A partir disso, deve ser feita uma análise minuciosa e, assim, ter certeza de que um determinado material é realmente a opção mais adequada para a sua escola.

Conheça, agora, os fatores que não podem deixar de ser considerados no momento da escolha do material didático!

Autor da obra

Na análise do material, uma estratégia que ajuda a perceber se ele realmente está alinhado com os preceitos da escola é conhecer a linha de pensamento do autor. Observando seu currículo profissional, suas experiências e opiniões, fica mais fácil entender o que ele pretende transmitir com as atividades propostas no livro didático.

Encadeamento da coleção

Outro fator essencial é o encadeamento da coleção da qual o livro faz parte. É importante observar se essa coleção segue uma sequência lógica que reflete a proposta curricular da escola, de modo que os livros se complementem, de uma série para a outra. Do contrário, podem ocorrer repetições de conteúdos e até mesmo existirem lacunas nos assuntos estudados, o que certamente poderá prejudicar o aprendizado os alunos.

Coerência com o projeto político pedagógico (PPP) da escola

O projeto político pedagógico define os objetivos do colégio e as estratégias traçadas para alcançá-los. Esse documento traz, entre outras informações, a proposta curricular da instituição, ou seja, o que será ensinado, a metodologia utilizada e os critérios de avaliação. Portanto, o material didático precisa estar de acordo com essas definições. Além disso, os conteúdos contemplados nesse material devem ser coerentes com os objetivos e os valores do projeto político pedagógico da escola.

Linguagem da obra

É muito importante que o material didático dialogue com os alunos que o utilizam. Por isso, a equipe pedagógica deve analisar se os estudantes de uma determinada série já detêm os conhecimentos necessários para compreender a linguagem aplicada no livro.

Logo, o vocabulário e as estruturas das frases precisam ser acessíveis, para que eles não tenham dificuldades em compreender o que está escrito. Somente assim os alunos serão capazes de fazer uso do material de forma satisfatória.

Estratégias didáticas

Além da coerência com o PPP, deve-se analisar, também, se as estratégias que o material didático adota para trabalhar os temas da proposta curricular estão condizentes com o que a escola deseja. Uma instituição de ensino que se preocupa em explorar todo o potencial do aluno, por exemplo, não ficará satisfeita com um livro que apenas induz à repetição de conceitos.

Estímulo ao desenvolvimento do pensamento crítico

Esse é um ponto que está relacionado às estratégias didáticas. Para formar cidadãos conscientes no mundo de hoje, a escola não pode mais se limitar a um currículo engessado, que obriga os alunos a memorizar conceitos e responder exercícios repetitivos.

Nesse sentido, o livro didático é um aliado na construção do pensamento crítico. Na sala de aula, é possível estimular a busca pela resolução de problemas e a formação de opinião em relação aos temas estudados, além de outros assuntos relevantes para a sociedade. Para isso, no entanto, é necessário escolher um material didático que induza o aluno a pensar por si mesmo.

Estímulo à leitura

Para que as crianças e jovens desenvolvam habilidades de leitura e escrita, como mencionado anteriormente, o material didático deve ser adequado a esse propósito. Isso é possível não só com a presença de textos no livro como com a indicação de leituras complementares.

Todavia, para realmente estimular essa prática e torná-la para os estudantes, os textos precisam dialogar com a realidade deles. Por isso, é preciso que os jovens se identifiquem com o que estão recebendo.

Interatividade

Além do tradicional livro didático, os alunos dispõem de diversos outros recursos nos quais podem se informar — televisão, revistas, internet, filmes, tablets entre outros. Assim, o material utilizado pela escola é frequentemente deixado de lado por não parecer tão atraente quanto essas mídias.

Uma maneira de lidar com esse problema é adotando um material que interaja com essas fontes alternativas de conhecimento. Desse modo, os estudantes passam a reconhecer o livro didático como parte do seu mundo, e não apenas como uma obrigação.

Alguns materiais didáticos, inclusive, já permitem que o aluno tenha acesso à versão digital do livro — que pode ser acessada em qualquer lugar, sendo muito útil quando a versão impressa é deixada em casa, por exemplo. Além disso, esse tipo de suporte também traz vídeos e recursos interativos, como infográficos e outras atividades. Tudo isso torna o material didático muito mais atraente para o estudante da era digital.

Conteúdo adaptável

Sabe-se que, em uma mesma classe, é possível encontrar alunos com diferentes perfis e níveis de aprendizado. Por isso, uma das funções do professor é encontrar um meio de atender às necessidades de todos, de modo que ninguém tenha prejuízos. Assim, é interessante que o material didático possa ser adaptado às demandas desses alunos, permitindo que o docente supra as necessidades da turma no dia a dia.

Estética da obra

Por mais que o conteúdo curricular e as estratégias adotadas na obra sejam satisfatórios, sua aparência estética também precisa ser considerada. Essa pode parecer uma preocupação superficial, mas que faz muita diferença na aceitação do material didático pelos alunos.

Isso ocorre porque, antes de qualquer leitura ser feita, a diagramação do livro é o que vai causar uma primeira impressão nos estudantes. Logo, se o material tiver uma aparência poluída e pouco atraente, eles sequer se sentirão interessados em explorar a obra. Por outro lado, um visual pensado para esse público tornará a leitura muito mais agradável e convidativa.

Livro de apoio ao professor

Para aperfeiçoar ainda mais o trabalho do docente, recomenda-se selecionar uma apostila que inclua um bom material de apoio para o professor. Afinal, o ideal é trazer um conteúdo capaz de complementar o livro do aluno, com atividades extras e propostas interdisciplinares.

Por que os professores e diretores devem fazer a escolha dos materiais juntos?

O resultado do processo de escolha do material didático gera impactos de grande importância na instituição de ensino. Por esse motivo, é recomendável que diretores e professores tomem essa decisão em conjunto.

Nesse sentido, a comunicação escolar tem um papel essencial, pois todos os membros da equipe pedagógica devem estar cientes de que esse é um assunto que merece destaque. É responsabilidade da direção da escola convocar o corpo docente para refletir sobre os materiais didáticos que estão sob consideração.

Os professores, com toda a sua experiência em sala de aula, não podem deixar de ser ouvidos. Afinal, o material didático é uma ferramenta essencial para que eles possam exercer suas atividades com eficiência.

Desse modo, é a junção dos conhecimentos dos professores e da direção escolar em relação ao contexto da escola — a proposta curricular, a metodologia de ensino, o projeto político pedagógico e, ainda, o perfil dos seus alunos — que vai definir qual é o material didático mais adequado para esse cenário.

Quais são os impactos dessa escolha na instituição de ensino?

Dada a sua importância para o andamento das aulas, pode-se afirmar que um material pedagógico que não foi escolhido corretamente é capaz de comprometer o sucesso de todo o ano letivo. Estamos falando de professores sem suporte adequado para planejar as aulas e, ainda, de alunos que não se identificam com as situações retratadas nos livros e não conseguem interagir ou se conectar com o material.

Da mesma forma, uma escolha criteriosa contribui bastante para que a prática de ensino-aprendizagem atinja os objetivos da instituição escolar. Professores e alunos ficarão satisfeitos e responderão a isso com resultados concretos, como o melhor aproveitamento possível das aulas e uma maior qualidade na educação.

Portanto, conclui-se que, embora faça parte da rotina escolar, a escolha do material didático é um tema que merece cada vez mais atenção. Essa é uma decisão que deve ser tomada somente após uma análise de todos os fatores, para que, assim, docentes, alunos, e a escola como um todo, possam ser beneficiados pela sua utilização.

As informações que trouxemos o ajudaram a entender a importância da escolha do material didático? Então leia também o nosso artigo sobre como o sistema de ensino influencia o desenvolvimento socioemocional dos alunos! Temos certeza de que esse conteúdo será muito útil para você!

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