Conheça 10 benefícios da música na educação infantil

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A música é uma linguagem universal e está presente na vida dos seres humanos desde a gestação. Inúmeros estudos ao redor do mundo comprovam que um feto exposto à música tem sua atividade cerebral aumentada. Especialmente no último trimestre da gestão, a capacidade auditiva cresce e ele reconhece não apenas a voz da mãe, como também sons externos, incluindo música.

Após o nascimento, essa percepção se desenvolve, e ainda que a fala e as capacidades motoras não estejam plenamente desenvolvidas, é possível observar que a criança já tem a habilidade de reagir a diferentes sons, movimentando o corpo e acompanhando a canção.

A partir dessa relação, é possível constatar também a importância da música na educação infantil como ferramenta de aprendizado e desenvolvimento de importantes habilidades intelectuais, emocionais e sociais.

Neste artigo, vamos apresentar 10 benefícios que o uso da arte musical na escola pode gerar para as crianças, além de sugerir algumas iniciativas práticas para o dia a dia escolar. Continue a leitura e saiba mais!

Quais são as maiores vantagens do uso da música na educação infantil?

Por meio da música e do seu aprendizado, os estudantes podem desenvolver uma série de habilidades benéficas, as quais veremos a seguir.

1. Melhorias para a saúde mental

A preocupação com o desenvolvimento socioemocional da criança deve ser parte integrante do sistema de ensino na educação infantil. Nesse aspecto, a música exerce um papel bastante importante para que esse objetivo seja alcançado de maneira mais natural e com resultados positivos.

O contato com diferentes sonoridades, ritmos e instrumentos contribui para o aumento da sensibilidade e faz que com as crianças lidem melhor com o que está ao seu redor. De acordo com a atividade aplicada, é possível atingir resultados diversificados, como:

  • maior integração entre os alunos;
  • espírito de socialização;
  • autoconhecimento e autoestima;
  • relaxamento e descontração.

Além disso, a música também contribui ativamente com a formação da personalidade das crianças e o reconhecimento de sua identidade, seu estilo e seus gostos pessoais.

2. Desenvolvimento da expressão corporal

Desde os primeiros dias de vida, a criança entra em contato com diversas sonoridades, pulsações e cadências: as batidas do coração da mãe, as vozes dos pais, o tique-taque de um relógio, o barulho da chuva, os passos de outras pessoas pela casa e tantas outras motivações auditivas.

Todos esses estímulos fazem com que os pequenos consigam sentir os ritmos na pele, e o resultado dessa experiência é a evolução da percepção dos sons e, mais tarde, a sua reprodução.

No âmbito escolar, a combinação dessas habilidades com o uso das atividades sonoras proporciona o desenvolvimento da coordenação motora, da expressão corporal e das capacidades cognitivas de modo geral.

3. Desenvolvimento do equilíbrio e coordenação motora fina

A importância da música na educação infantil também inclui o equilíbrio e a coordenação motora fina. Para ter precisão rítmica, por exemplo, um músico precisa não só desenvolver sua noção de tempo e espaço entre um som e outro, como também saber onde e de que forma produzir o som em seu instrumento (incluindo a voz).

Logo, em atividades de musicalização infantil com palmas, pulos, coreografias ou instrumentos percutíveis, a criança vai desenvolvendo sua motricidade fina e equilíbrio — habilidades essenciais para as atividades da vida.

Para se ter uma ideia dos benefícios do trabalho rítmico com os pequenos, grupos musicais como o Barbatuques são um exemplo dessa prática. Desde 1995, realiza oficinas de percussão para crianças, nas quais as crianças exploram ludicamente sons e ritmos com todas as partes do corpo e objetos ao seu redor.

4. Maior concentração geral

Além de trazer melhorias para a saúde mental e a coordenação motora, o aumento da sensibilidade proporcionado pela música também contribui para melhorar as capacidades de concentração e memorização. Assim, a criança tem maior capacidade de registrar e identificar os diferentes sons à sua volta.

Essas novas competências são de extrema importância não só no campo musical, como também trazem benefícios tangíveis ao processo de alfabetização e à construção do raciocínio lógico e matemático, como veremos adiante.

Aqui, podemos oferecer um exemplo prático. Seja como solista, seja em uma banda, orquestra ou coro, para realizar uma música, o instrumentista e o cantor precisam saber se localizar na partitura, ter acuidade auditiva e percepção do conjunto da obra. Para isso, sua concentração precisa ser de alto nível por longos períodos. Do contrário, ele poderá se perder, desafinar ou terá dificuldades de memorização.

No caso de uma criança em fase escolar, ao se tornar capaz de manter o foco e prestar atenção ao que está sendo mostrado em aula, não de forma superficial, mas durante um maior intervalo de tempo, ela certamente terá ganhos significativos em seu desempenho escolar.

5. Desenvolvimento da fala e ampliação do vocabulário

Nós sabemos que a formação das primeiras palavras, bem como a construção de um raciocínio linear, faz parte de um período importante e que deve ser acompanhado com muita atenção pelos pais e educadores.

Nesse aspecto, a utilização da música na educação infantil faz contribuições diretas à cadência, à dicção, à articulação dos fonemas, à velocidade da fala e ao desenvolvimento do vocabulário por meio da utilização de recursos como:

  • histórias cantadas;
  • letras com rimas e jogos de palavras;
  • canções com diferentes ritmos;
  • técnicas de canto coral.

A escolha de um bom repertório para trabalhar com as crianças tem total influência nesse aspecto. Conforme a faixa etária, é possível desenvolver trabalhos vocais específicos, com músicas de diferentes complexidades textuais, incluindo diferentes idiomas.

Um trabalho ideal é aproximar o universo cotidiano dos alunos de referências mais distantes, como a música folclórica, regional, oriental ou de diferentes períodos da história. Assim, no decorrer das atividades, é possível observar o surgimento das diferentes preferências e aptidões dos alunos. A partir daí, abre-se uma boa oportunidade para que os professores promovam iniciativas que estimulem a descoberta de novos talentos.

6. Estímulo à criatividade

O exercício da criatividade desde os primeiros anos de vida é essencial à formação intelectual e emocional das crianças. Por isso, é importante que a escola inclua, em seu projeto político pedagógico, disciplinas e projetos que estimulem essa competência.

Por meio de aulas de música, das oficinas de canto e dos instrumentos, além de atividades interdisciplinares que utilizam os recursos musicais, a aprendizagem criativa é facilitada. As aulas se tornam mais dinâmicas, e os alunos se sentem mais motivados a participar e a expressar suas ideias com liberdade, buscando soluções inovadoras para as questões abordadas em sala.

Com isso, a música é um recurso que vai ao encontro das metodologias ativas de aprendizagem, tão necessárias à realidade do ensino atual. Misturar um caráter lúdico e experimental à atividade musical permite que o aluno se torne protagonista no processo de ensino-aprendizagem e se engaje mais com os conteúdos estudados ― algo fundamental desde a Educação Infantil até Ensino Médio.

7. Capacidade de aprendizagem lógico-matemática

A música tem uma grande relação com a lógica e a matemática. Por isso, além do contato sensorial com os instrumentos e a escuta de canções, permitir que a criança entenda como se dá uma construção musical favorece relacionar muitos desses conhecimentos.

Por exemplo, a pulsação de uma música é determinada pela velocidade do tempo, pela regularidade rítmica e pela divisão de compassos. Essas divisões são representadas na partitura por meio de figuras (semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia etc.) e números em forma de “frações” (2/4; 3/4; 4/4; 6/8; 12/16 etc.).

Já os intervalos são as distâncias entre uma nota e outra, escritas na partitura com “bolinhas” colocadas em diferentes linhas e espaços. Um conjunto de intervalos em sequência forma as melodias, quando são tocados juntos, forma a harmonia. Tudo isso faz nascer uma música.

Ainda que o trabalho na escola, em geral, não seja realizado de maneira tão profunda, permitir que a criança entenda essas relações auxilia no desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático, uma vez que o processo de leitura e o entendimento das músicas, incluindo a memorização, dependem da construção de mapas mentais sobre o que se está ouvindo.

Além disso, os exemplos técnico-musicais citados aqui também podem ser um ponto de partida para aulas interdisciplinares.

8. Habilidades para trabalho em grupo

Toda música é resultado de uma ação coordenada em que os músicos possuem papéis e hierarquias. Vejamos uma orquestra e todos os seus naipes: há os ritmistas, os acompanhadores, os instrumentos solistas e o grande líder, o maestro.

Para que a música seja tocada o mais perfeitamente possível, todos precisam saber qual sua função naquela obra, aprender a ouvir, tocar mais forte ou mais fraco e obedecer as instruções do maestro, que tem uma visão geral de cima do pódio. Um grande trabalho em equipe.

Ao trazermos isso para o contexto da escola, os alunos precisam aprender a trabalhar em grupo, como uma verdadeira engrenagem: não apenas executando bem as tarefas sob sua responsabilidade, mas também sabendo colaborar, dar opiniões, ajudar os amigos com dificuldade, ter senso de comunidade etc.

9. Desenvolvimento da autonomia

A autonomia é uma das principais habilidades socioemocionais a serem construídas até a vida adulta. Permitir que a criança aprenda a tomar as próprias decisões, adquira uma postura proativa e saiba posicionar-se diante das situações cotidianas é essencial para sua atuação plena na sociedade.

A música auxilia nesse sentido, uma vez que os pequenos precisam reconhecer certas atitudes esperadas na performance, todas ligadas à sua autonomia, como:

  • empatia e paciência (entender o ritmo de aprendizado do colega e respeitar suas limitações);
  • autoconhecimento (analisar seu próprio comportamento e lidar com dificuldades);
  • lidar com desafios;
  • autoconfiança para enfrentar o nervosismo e situações de estresse;
  • capacidade de adaptação;
  • liderança.

10. Contato com outras culturas e idiomas

Outra mágica que explica a importância da música na Educação Infantil é que a criança é apresentada a diferentes culturas e idiomas. Toda obra musical é resultado das influências, dos conhecimentos, das vivências, da língua e do território do compositor.

A própria música brasileira é essa grande miscigenação, que resultou em obras-primas de compositores como Heitor Villa-Lobos, Guerra Peixe e Vinicius de Moraes, que compuseram temas sobre a cultura indígena e afro-brasileira. Já na música internacional, o repertório é ainda mais vasto e os professores podem contextualizá-lo conforme o objetivo das atividades.

Um exemplo bem-sucedido de trabalho musical para crianças de 7 a 13 anos é o Coro Infantil da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). O grupo existe desde novembro de 2000. Sob a regência do maestro Teruo Yoshida, meninas e meninos dessa faixa etária podem entrar sem conhecimento musical e lá aprendem técnica, leitura de partitura e repertório de diferentes complexidades.

O trabalho é tão especial que o coro já participou de apresentações com os grupos estáveis da casa em obras grandiosas, como a 8ª Sinfonia de Gustav Mahler, regida por Marin Alsop, e a Paixão Segundo São Mateus, de Johann Sebastian Bach, regida por Nathalie Stutzmann.

Como os educadores podem utilizar as músicas na Educação Infantil?

Como apontamos no tópico acima, a música pode ser inserida no currículo escolar por meio de aulas regulares, oficinas e outros projetos mais pontuais ao longo do ano letivo. Pensando nisso, vamos apresentar aqui algumas sugestões de atividades que podem ajudar a enriquecer o aprendizado, além de promover um bom engajamento das crianças. Veja a seguir:

  • música de roda e danças circulares, que favorecem o espírito de grupo e a integração entre os alunos;
  • construção de objetos sonoros, para que as crianças tenham a experiência de construir instrumentos como chocalhos, tambores de lata e xilofones;
  • contação de histórias com música, que trabalham a imaginação e a criatividade;
  • análise de sons do dia a dia, que estimula a percepção dos pequenos para os ruídos à sua volta;
  • apreciação musical, para que as crianças entrem em contato com diferentes ritmos e gêneros musicais;
  • coro infantil, para desenvolvimento da voz cantada e aumento da percepção auditiva.

É interessante observar que, para que as atividades musicais sejam aplicadas com sucesso, é importante que o corpo docente também se mantenha engajado e motivado. Assim, é possível explorar a interdisciplinaridade, bem como as diversas possibilidades que a música pode trazer para os alunos de diferentes faixas etárias.

Além disso, a escola tem um papel primordial no reconhecimento da importância na música na Educação Infantil, ao fomentar a busca de novas práticas didático-pedagógicas e de formas diferenciadas de estimular a aprendizagem por meio de recursos mais dinâmicos e criativos, incluindo o uso da tecnologia.

Esperamos que este conteúdo permita que você tenha ótimos insights na promoção de atividades musicais para crianças em sua escola. Para ter acesso a novidades e dicas pedagógicas, curta nossa página no Facebook!

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