Neurociência e Educação: como utilizar na sala de aula?

Neurociência e Educação: como utilizar na sala de aula?
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O aprendizado é algo inerente ao ser humano, pois desde o momento em que nascemos somos capazes de descobrir e reter informações — condição que acontece sem filtros e escolhas. Diante disso, aprender sobre neurociência e educação é fundamental para entender melhor como funciona o nosso cérebro e, assim, fazer abordagens mais efetivas junto aos seus alunos.

Conhecida como a parte da ciência que estuda o sistema nervoso, a neurociência traz à tona conceitos que ajudam a aprimorar os métodos de educação, bem como a forma como o conhecimento é transmitido e compreendido. Neste post, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre o tema e como aplicá-lo na sua aula. Confira!

O que é a neurociência na educação?

De modo direto, a neurociência pode ser definida como o campo científico que estuda as funcionalidades do sistema nervoso, que nada mais é do que o grande responsável pelo nosso aprendizado em todas as etapas da vida.

Ela se divide em três áreas: neuropsicologia, neurofisiologia e neurociência cognitiva, que juntas têm a finalidade de compreender como funciona a mente humana e quais são as técnicas possíveis para a otimização dos seus processos.

Vale ressaltar que o aprendizado se enquadra em um desses processos, uma vez que ele ocorre dentro do sistema nervoso, que inicialmente coloca os nossos sentidos para trabalhar e depois leva a informação para o cérebro, onde ela será processada, compreendida e armazenada. Caso não sejam aplicados os estímulos certos, é provável que esse aprendizado acabe sendo esquecido.

Alguns dos fatores que são capazes de estimular o sistema nervoso e a capacidade de aprendizado são:

  • plasticidade cerebral: é a habilidade do cérebro de se modificar de acordo com as inferências do ambiente. Quanto mais plástico é o cérebro de uma pessoa, mais facilidade ela terá para aprender;
  • memória: funciona por meio da ativação de circuitos neurais com base em associação. A partir do momento em que um circuito é ativado, ele automaticamente vai ativar o próximo;
  • emoção: consiste no fator que pode deixar as sinapses mais fortes e estáveis, influenciando a memória e aprendizado. Um exemplo disso é a facilidade para lembrarmos das memórias da infância;
  • motivação: trata-se da força que nos leva a realizar uma tarefa para alcançar determinado resultado;
  • atenção: a atenção se relaciona com o nosso interesse e os estímulos aos quais somos expostos. Estímulos em demasia tiram o foco da atenção, evitando que o aprendizado seja retido.

Para a área da educação, a neurociência permite que os educadores entendam como o cérebro é impactado pelo ambiente e, assim, possam adotar os estímulos mais adequados para conduzir os processos de aprendizagem em sala de aula.

Qual a importância da neurociência para a educação?

Nas últimas décadas, a neurociência vem sendo apontada como uma poderosa aliada para a educação, o que não é para menos, tendo em vista que direciona o professor para o entendimento das características de aprendizado dos seus alunos e para as estratégias de ensino mais eficientes para cada caso. Veja alguns dos benefícios da neurociência para o setor educacional.

Ajuda a entender o desenvolvimento do aluno

Ao obter informações embasadas de como os discentes aprendem em cada faixa etária, os educadores conseguem enxergar novas possibilidades e estratégias para facilitar o aprendizado. O respeito ao tempo de cada aluno e a busca por ferramentas que derrubam barreiras são pontos primordiais para uma formação de qualidade e que garantem a afinidade da criança ou adolescente com o ambiente escolar.

Possibilita a adoção de estratégias adequadas

Todo professor precisa ter em mente que o estudante não é uma caixa fechada que abriga exatamente os mesmos componentes. Afinal, o modo como cada aluno aprende é único, logo a neurociência contribui para a adoção de estratégias adequadas e que contemplam as necessidades de aprendizagem da sua turma.

Para alunos que aprendem melhor de forma lúdica, por exemplo, uma das estratégias mais apropriadas é a gamificação, que se baseia em games para prender a atenção, estimular o raciocínio lógico e a concentração, e transmitir conhecimentos.

Neurociência e Educação: como utilizar na sala de aula?

Melhora a assimilação do conteúdo

As descobertas da neurociência estão impactando as escolas e estudantes ao redor do mundo. De acordo com um estudo feito por cientistas britânicos, 30 minutos a mais dormindo por dia ajudam a melhorar a cognição e a atenção do aluno na aula. Isso tem levado muitas escolas a modificarem o horário de início das aulas no período da manhã.

Além disso, esse campo da ciência também propõe que os discentes escolham os conteúdos de acordo com as suas habilidades. A medida estimula o ensino personalizado, que se adequa às necessidades da pessoa.

Reduz o estresse dos estudantes

Se o aluno enfrenta dificuldades para evoluir em uma disciplina, a busca pela melhoria do seu desempenho pode causar ansiedade e estresse. Nesse sentido, a neurociência também se faz valiosa, pois possibilita ao professor entender o estudante e quais são as suas barreiras, para que possa dar o suporte mais adequado possível, eliminando situações de estresse.

Como trabalhar a neurociência em sala de aula?

Agora que você já sabe como a neurociência é capaz de impactar os processos de aprendizado, é o momento de descobrir como aplicá-la na sua rotina de aulas. Isso pode ser feito com mudanças sutis, mas que fazem toda a diferença para a compreensão dos discentes. Acompanhe, abaixo, as melhores práticas para aplicar na escola.

Utilize todos os canais de aprendizagem

Os canais de aprendizagem são: oral, visual, auditivo, registro de memorização e motor. Estimular todos esses canais é fundamental para reforçar a compreensão do conteúdo ensinado em sala de aula. Por isso, o ideal é que o professor não foque apenas na aula falada, mas também utilize recursos de som, imagem e de atividades práticas para ampliar a absorção do conhecimento.

Envolva os alunos na construção do aprendizado

O protagonismo do aluno é uma das principais tendências quando se fala em educação. Por muito tempo os estudantes foram apenas figurantes no seu próprio processo de aprendizagem, cabendo a eles receber o conteúdo lecionado pelo professor sem fazer nenhum tipo de questionamento.

Na atualidade, os discentes estão no centro da aprendizagem, o que requer que eles sejam envolvidos nas aulas por meio de atividades inovadoras, das quais tenham uma participação mais ativa. Um exemplo disso são as oficinas, em que a turma é separada em equipes e cada uma fica responsável por apresentar uma parte do conteúdo que será introduzido na aula.

Assim, os alunos contribuem para com a aprendizagem um do outro e o professor atua como um mediador do conhecimento, ajudando a turma a tirar as suas dúvidas, compartilhar os seus sentimentos, refletir e ter discussões saudáveis sobre o tema proposto.

Entenda as motivações da turma

O que faz a sua turma engajar com a aula? Ter essa resposta na ponta da língua é crucial para que as suas aulas sejam mais produtivas. Para tanto, há que se entender quais são os interesses dos alunos e, a partir daí, trazer para a sala questões relacionadas à disciplina e que estejam dentro dos interesses da criança ou adolescente, o que contribui para prender a atenção deles.

Aposte na tecnologia

A tecnologia, como discutido na segunda temporada do programa ‘’Café com Prof’’, da Eleva no YouTube, não deve ser vista como uma adversária do professor, com quem ele precisa disputar a atenção do aluno, mas sim como uma aliada, já que ela amplia as possibilidades de ensino.

Não tenha medo de utilizar elementos da internet, como vídeos e aplicativos que ajudem a entender como os alunos aprendem, bem como estejam adequados à realidade da turma e personalizem o conteúdo. Porém, devemos deixar claro que a tecnologia por si só não faz milagre, ela tem que fazer parte de um planejamento pedagógico.

A combinação entre neurociência e educação potencializa a capacidade de aprendizado dos estudantes. Isso porque, a evolução da ciência mais os experimentos realizados nas escolas apontam estratégias neuropsicológicas da aprendizagem e psicologia cognitiva que tornam as aulas mais atrativas, melhorando a performance dos alunos.

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