O novo ensino médio: veja 4 mudanças e como implementá-las

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O cenário da educação teve, em 2020, grandes mudanças em um curto espaço de tempo. Isso porque, com a pandemia, a discussão sobre o novo ensino médio e o cronograma de implementação foram deixados em segundo plano, abrindo espaço para o ensino não presencial, as novas tecnologias, as avaliações on-line e o ensino híbrido.

Com a possibilidade do retorno das aulas presenciais em breve, segundo as previsões do governo, será necessário pensar no acolhimento, no planejamento, na segurança e na saúde. Além disso, os debates sobre as mudanças do novo ensino médio serão retomados para ajuste de cronograma e planejamento.

Na Plataforma de Ensino Eleva, a equipe pedagógica acompanhou cuidadosamente todas as renovações trazidas por essa reforma, a fim de repensar o currículo e o material didático proposto no Ensino Médio, com excelência acadêmica e totalmente integrado. Esse processo foi feito com a consultoria de Eduardo Deschamps, membro e ex-presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) e ex-Secretário de Estado da Educação de Santa Catarina.

A Diretora Pedagógica da Plataforma de Ensino Eleva, Carolina Pavanelli, fez uma entrevista com Eduardo Deschamps sobre essa reforma e suas principais mudanças, e, ao longo deste artigo, você poderá ler pontos importantes levantados por eles!

Veja as principais mudanças:

A partir de referências educacionais de vários países do mundo, o Novo Ensino Médio, descrito na Lei nº 13.415/2017, indica um formato diferente para essa etapa escolar, com mudanças na carga horária, no currículo e, principalmente, na disposição de disciplinas obrigatórias e outras optativas. 

A reformulação do Ensino Médio propõe um modelo em que o aluno possa sair da escola com uma formação técnica ou profissional, possibilitando que ele tenha a chance de entrar no mercado de trabalho, se desejar. Isso porque, atualmente, mais da metade dos adultos, cerca de 69,5 milhões de pessoas, não concluíram essa etapa escolar, segundo a pesquisa da PNAD Contínua 2019 – IBGE. E os principais motivos citados para essa evasão incluem a necessidade de trabalhar, representando 39,1% das causas.

Além disso, o Novo Ensino Médio também torna obrigatório o desenvolvimento de um projeto de vida para o estudante, o que pode ser feito através do acompanhamento de um psicólogo, na escola, ou mesmo de um projeto ou material socioemocional, como o LIV. Dentro desse projeto, os jovens vão desenvolver habilidades, relacionadas à compreensão de si e do mundo, respeito e cooperação, e também vão entender e refletir sobre as escolhas que serão feitas na vida adulta.

Carga horária

Até então, todos os alunos de uma mesma escola tinham exatamente o mesmo formato de ensino médio, com disciplinas iguais e obrigatórias, e experiência acadêmica baseada em uma carga horária fixa, destinada a essas disciplinas. A partir da reforma, as mudanças principais trazem como referência o ensino médio de países do exterior, como os Estados Unidos e a Finlândia, onde o aluno tem liberdade de escolha entre as áreas do conhecimento nas quais gostaria de se aprofundar ao longo dos anos.

O objetivo principal desse novo formato é que os jovens saiam da escola com um preparo mais técnico e profissional, podendo ingressar no mercado de trabalho, se desejarem, mesmo não tendo ingressado no ensino superior. Para que isso seja possível, o currículo foi adaptado a uma carga horária de 3.000 horas – ao longo dos anos desse segmento – divididas de forma que: 1.800 sejam direcionadas para disciplinas obrigatórias, comuns a todos, chamadas de formação geral básica; e 1.200 possam ser escolhidas pelo aluno, de acordo com seus interesses pessoais e profissionais, para aprofundamento do conhecimento.

Itinerários formativos

Dentro da nova carga horária estipulada para o ensino médio, os itinerários formativos, como são chamados, são as 1.200 horas mínimas, escolhidas pelos alunos, para aprofundamento em áreas do conhecimento de seu interesse. Principalmente para que ele tenha uma base maior naquela área que deseja seguir profissionalmente.

Por isso, se um aluno tiver mais afinidade com uma área específica, como ciências humanas, ou escolher uma profissão relacionada a ciências da natureza, ele poderá fazer do ensino médio uma etapa escolar que acrescente conhecimentos importantes para essa formação profissional e possibilite sua inserção no mercado de trabalho após concluir os estudos.

Dessa forma, o aluno pode explorar a área do conhecimento escolhida e entender, também, se  aquele é o caminho que deseja seguir profissionalmente, o que proporcionará a ele uma maior abertura para experimentar temas relacionados às suas habilidades e interesses, refletindo sobre suas escolhas profissionais.

Projeto de vida

Nem todos os alunos entram no ensino médio com a certeza da carreira que desejam seguir. Muitos deles, inclusive, mudam suas escolhas ao longo desses anos finais, conforme descobrem novos aprendizados, exploram outros temas e adquirem novas experiências.

Segundo Deschamps: “o projeto de vida é algo que deve vir sendo construído, no mínimo, nos anos finais do ensino fundamental. Em termos de habilidades e competências, há muito a ser desenvolvido com os estudantes para eles entenderem os caminhos que vão seguir, as escolhas profissionais que podem ser feitas”.

Por isso, pode ser interessante para o aluno que a escola proponha disciplinas eletivas no primeiro ano do ensino médio, para que ele possa ir, aos poucos, descobrindo e entendendo o que quer, pontua Deschamps.

Na Plataforma de Ensino Eleva, há a possibilidade da escola usar o material do LIV – Laboratório de Inteligência de Vida, um material integrado com as habilidades socioemocionais, que é visto como um tipo de projeto de vida, dentro da reforma. Também é possível que, como alternativa, as escolas ofereçam acompanhamento psicológico profissional para os alunos. O objetivo é que, sendo essa a forma escolhida, este projeto possa ajudar o aluno a refletir e entender suas escolhas profissionais e pessoais.

BNCC

Segundo a entrevista com Eduardo Deschamps, as escolas precisam pensar em um currículo que esteja alinhado à BNCC, dialogando com competências e habilidades a serem desenvolvidas. Além disso, ele também destaca o papel da interdisciplinaridade e seu espaço dentro dos conteúdos pensados no currículo.

“Você vai ter que mudar um pouco o modelo mental de trabalho. Imaginar que aquilo que está sendo colocado na base como desenvolvimento de competências e habilidades tem que ser trabalhado em algum espaço de interdisciplinaridade. O ideal é que você eventualmente evite deixar muito disciplinar toda a etapa. Você até pode trabalhar com a organização disciplinar, mas deverá saber que precisa ter um espaço para a interdisciplinaridade com projetos integradores”, coloca Deschamps.

Ele também pontua que, com a mudança da carga horária na formação geral básica, anteriormente, de 2.400 horas e, no novo ensino médio, de 1.800 horas, será necessário saber priorizar e repensar os conteúdos dessas disciplinas, a fim de entender o que cabe nesse espaço e o que pode ser aprofundado em cada escolha de itinerário formativo.

ENEM

Como a reforma do ensino médio impacta na carga horária e sua distribuição entre as áreas de conhecimento, conforme escolhidas pelos alunos, isso também terá impacto no ENEM e na forma como este é aplicado.

Sobre o ‘’novo ENEM’’, Deschamps cita que é um documento ainda não elaborado, mas já solicitado pelo INEP, visando orientar e servir de base para a matriz do exame nessa nova etapa.

Antes da pandemia, esse modelo novo do ENEM seria lançado em 2024, “o que significa dizer que todas as escolas deveriam fazer a virada de chave para o novo ensino médio em 2022”, destaca Deschamps. Porém, com o isolamento social e seu impacto na educação, em 2020, provavelmente esses prazos serão repensados.

Deschamps também comenta sobre a possibilidade de existirem dois tipos de ENEM, um seriado, com uma prova para cada ano do ensino médio e uma média dessas notas após a conclusão, ou um ENEM geral ao fim do ensino médio, relacionado à área de escolha, o que ocasionaria em dois tipos de vagas nas universidades. Porém, isso ainda está sendo discutido e não há uma definição certa, conforme enfatiza Deschamps.

Implementação e cronograma

Durante a entrevista com a nossa diretora pedagógica, sobre como deve ser o próximo ano, 2021, em relação a implementação, Eduardo Deschamps pontuou que “são várias etapas. Começa como o Eleva está fazendo, definindo um currículo, pensando o material didático trabalhado e fazendo um diagnóstico dos seus professores para prepará-los para essas mudanças – desde lógica de trabalho (desenvolvimento de trabalho colaborativo, projeto, integração de conteúdos, desenvolvimento de habilidades e competências), lógica da sala de aula invertida, de incentivar os alunos a trabalharem de forma diferente, fora do padrão atual da sala de aula”.

Como os professores poderão aprofundar os conteúdos dos itinerários formativos, indo para além do básico e entrando em temas antes não abordados nessa etapa escolar, pode ser interessante para a escola incentivar a formação continuada do corpo de professores, a fim de aprimorar metodologias e formas de pensar a sala de aula nesse novo formato, no qual o aluno é muito mais protagonista do próprio conhecimento, explorando a área que lhe interessa.

A princípio, a lei 13.415/2017, coloca que o cronograma das mudanças deveria ser montado em 2019, no primeiro ano após a publicação a BNCC, e o processo de implementação deveria começar no ano seguinte, ou seja, no ano de 2020. Porém, como pontuado anteriormente, com a pandemia e o isolamento social, a educação teve um cenário completamente fora do planejado e outros temas entraram em discussão com maior urgência.

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