Saiba a importância de falar sobre saúde mental na educação

Saiba a importância de falar sobre saúde mental na educação
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Ansiedade, depressão e outros transtornos da mente têm se tornado pautas cada vez mais discutidas na sociedade. O aumento na incidência dessas doenças levanta um alerta também para a importância de falar abertamente sobre saúde mental na educação.

Em um momento de isolamento social causado pela pandemia do coronavírus, é comum que sentimentos de solidão e incerteza aflorem ainda mais os problemas na saúde mental. Mesmo distantes, educadores precisam se preocupar e dar a assistência necessária aos alunos.

Neste artigo, queremos compartilhar com você um pouco sobre este tema, mostrando como ele se insere o contexto de crianças e adolescentes e como pode ser discutido com sabedoria nos dias atuais. Continue a leitura e confira nossas dicas!

O que é saúde mental?

Falar de saúde mental é falar de equilíbrio. Trata-se da capacidade de conciliar as emoções sentidas com as experiências vividas no dia a dia. Quando esse aspecto é bem desenvolvido, a pessoa alcança maior qualidade de vida e harmonia em suas relações interpessoais.

Por outro lado, lacunas na saúde mental permitem o desenvolvimento de doenças como ansiedade e depressão. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem a maior taxa de depressão da América Latina e o maior índice de ansiedade do mundo.

Problemas de saúde mental podem aparecer por conta de pressão excessiva em alguma área da vida, como trabalho, família, relacionamentos amorosos e traumas, por exemplo. Por mais que o equilíbrio entre emoções e vivências pareça algo simples de ser alcançado, a verdade é que muitos indivíduos não são preparados corretamente para lidar com seus próprios sentimentos.

Por que falar de saúde mental na educação?

A falta de discussão sobre o tema tem sido combatida nos últimos anos, tendo como objetivo a conscientização da sociedade e, consequentemente, a diminuição dos índices de depressão e suicídio. A comunidade escolar não pode ficar de fora dessa conversa e, por isso, é essencial que se fale sobre saúde mental nas aulas.

Engana-se quem pensa que doenças mentais atingem apenas jovens e adultos. Segundo a OMS, distúrbios de ordem mental se tornam responsáveis por 16% de situações de lesões corporais e doenças em pessoas de 10 a 19 anos. A organização também mostra que o suicídio é a terceira principal causa de morte entre adolescentes entre 15 e 19 anos.

No contexto escolar, situações como bullying, pressão por notas altas, dificuldade de aceitação e problemas com pais e professores podem se tornar gatilhos para indisciplina na escola e para transtornos que marcam a adolescência e a vida adulta.

Considerando o papel das instituições de ensino de formar cidadãos saudáveis e preparados para os desafios da sociedade, é fundamental trazer esse tema para discussão. Falar sobre saúde mental nas aulas não pode ser um tabu, mas sim um espaço seguro para que crianças e adolescentes exponham suas dúvidas e criem um entendimento aprofundado sobre o assunto.

Qual a melhor forma de abordar o assunto nas aulas?

Para falar de saúde mental com os alunos, a gestão escolar democrática precisa garantir uma abordagem segura e correta do tema. Além disso, é importante que a linguagem usada seja adequada e alcance todas as idades. Veja a seguir algumas dicas para debater o tema com a comunidade escolar!

Qualificar os educadores

O primeiro passo é capacitar aqueles que serão porta-vozes do assunto. Os educadores precisam ter uma visão clara sobre como tratar da saúde mental com alunos de cada idade. Além de falarem sobre o tema, eles devem saber como responder a dúvidas e até mesmo lidar com situações mais graves que podem aparecer.

A direção pode oferecer treinamentos e palestras sobre saúde mental para o corpo docente. Existem diversas pesquisas científicas que podem ser compartilhadas para embasar o assunto. Além disso, é possível sugerir abordagens lúdicas que tenham melhor engajamento para cada grupo de estudantes.

Trabalhar temas relacionados a saúde mental

Se ainda não se fala sobre saúde mental na sua escola, o que deve ser feito em um primeiro momento é começar a abordar o tema e assuntos relacionados a ele.

O Setembro Amarelo é um exemplo de campanha nacional que pode ser trazida para o contexto escolar de forma natural, gerando conscientização e iniciando uma discussão sobre suicídio e distúrbios que podem levar a esse extremo. Disciplinas como sociologia podem abordar questões de identidade e pertencimento, que também podem estar atreladas aos problemas emocionais de alunos.

É interessante fazer com que os próprios alunos pesquisem sobre o tema. Isso pode ser feito por meio de trabalhos e apresentações, por exemplo.

Promover momentos de conversa e integração entre os alunos

A escola tem uma grande responsabilidade de se tornar um espaço seguro para conversas sobre saúde mental. Por isso, inicialmente é essencial que a instituição de ensino não favoreça situações que podem causar malefícios psicológicos, como discriminações, competitividade e pressão excessiva.

Em vez disso, é necessário promover momentos de conversa franca sobre ansiedade, depressão, suicídio e outros temas que envolvem saúde mental. Isso pode acontecer na sala de aula, em grupos de apoio direcionados e até entre os alunos por iniciativa voluntária com incentivo dos professores.

Durante aulas online, esse momento de troca também é necessário. É fundamental mostrar que os vínculos positivos do ambiente escolar continuam sendo mantidos mesmo durante períodos de isolamento social.

O importante é que estudantes que estejam enfrentando desafios nessa área se sintam livres para compartilhar seus dilemas e encontrem acolhimento na comunidade acadêmica.

Favorecer o desenvolvimento de habilidades socioemocionais

Um dos fatores que faz com que muitos jovens e adultos tenham doenças mentais é a falta do desenvolvimento de algumas competências socioemocionais ainda na infância e adolescência. Ao se preocupar excessivamente com as habilidades técnicas, pais e educadores muitas vezes deixam de lado aspectos emocionais e comportamentais.

A escola pode ser uma grande incentivadora desse desenvolvimento mais completo. Trabalhar a habilidade de comunicação, por exemplo, é essencial para que crianças e adolescentes consigam expor seus pensamentos de maneira clara, além de ouvir sugestões e conselhos. Junto a isso, a empatia gera uma compreensão melhor dos sentimentos dos que estão em volta.

Ao trabalhar a inteligência emocional, os alunos descobrem que conseguem ter maior controle de suas próprias emoções, aprendendo, ao mesmo tempo, como lidar com elas de forma saudável e mais madura.

Autoconhecimento e habilidade de relacionamento interpessoal também estão na lista de competências que colaboram para a saúde mental dos estudantes.

Agora que você já sabe que discutir sobre saúde mental na educação é cada vez mais imperativo, comece a conscientizar seus alunos e professores, tornando sua instituição de ensino um espaço seguro para abordar o tema.

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