Senso de comunidade: como ele pode ser trabalhado na escola

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O senso de comunidade é fundamental na educação das crianças e dos adolescentes. É a partir dessa noção que se torna possível formar adultos verdadeiramente atuantes socialmente, preocupados com o próximo e com as necessidades daqueles que os rodeiam.

Esse tipo de atitude deve ter início ainda na infância, para que se solidifique e se fortaleça cada vez mais. Nesse sentido, as instituições de ensino têm um papel fundamental.

Também é responsabilidade das escolas contribuir para a formação do caráter dos pequenos, provendo a eles as instruções necessárias para se tornarem bons cidadãos, em todos os sentidos.

Mas, afinal, como despertar o senso de comunidade? Quais ações devem ser colocadas em prática? O que fazer para ter bons resultados? É o que explicaremos neste artigo. Continue a leitura!

O que é senso de comunidade?

Antes de tudo, é importante ficar bem claro o que é o senso de comunidade. Trata-se da ideia de que não se está só no mundo, pelo contrário: é a certeza de que é necessário pensar nos interesses de toda a sociedade, e não só nos próprios.

Ao longo da vida, algumas pessoas parecem ter esse tipo de sentimento mais aguçado do que outras. Há, inclusive, aquelas que se tornam verdadeiros exemplos e até mesmo figuram nos livros de história.

No entanto, o senso de comunidade é para todos e pode ser cultivado por qualquer ser humano. Uma boa instrução nesse sentido é fundamental para que as pessoas consigam se desenvolver melhor e se tornarem protagonistas na arte de saber auxiliar e acolher os outros.

Quais são os elementos do senso de comunidade?

O senso de comunidade é composto por quatro elementos, conforme descrevem os estudiosos McMillan e Chavis, em 1986. Conhecê-los é fundamental para entender mais profundamente o conceito e para saber aplicá-lo na prática, de maneira acertada.

Abaixo, falamos mais acerca desses elementos. Cada um deles tem características bastante específicas, como veremos a seguir.

Pertencimento

O pertencimento tem a ver com o fato de se sentir parte da comunidade. Isso é importante para que se possa entender o outro, sentir a necessidade e até mesmo o dever de apoiá-lo continuamente.

Nessa perspectiva, identificar-se com as pessoas que compõem um determinado grupo é essencial. Essa identificação ocorre das mais diferentes maneiras e pode surgir de formas diversas também.

Há, aqui, alguns elementos palpáveis para que ocorra a identificação, como um estilo de se vestir ou uma moradia na mesma cidade, por exemplo. Há, ainda, outras características não palpáveis, como carregar um determinado sobrenome ou seguir uma crença específica.

Influência

Influenciar e ser influenciado positivamente faz parte do processo de se sentir parte de uma comunidade, de saber ouvir e ser ouvido. Pessoas que sentem que não conseguem influenciar as outras, em geral, não se sentem membros de um determinado círculo social.

Trata-se, aqui, de se entender como relevante para os outros e de compreender que eles também são importantes. Dessa forma, surge uma série de trocas que beneficiam todos os lados.

Integração

A integração, como o próprio nome sugere, está relacionada com a união de todos os membros de um grupo. Isso se dá de acordo com a satisfação das necessidades de cada um. É como se cada indivíduo buscasse no outro o preenchimento de algum desejo.

De maneira mais específica, considerando exemplos práticos, é só lembrar, por exemplo, de pessoas que têm um passado em comum, desejam rememorá-lo e, por isso, se unem em torno desse objetivo, formando um grupo no WhatsApp ou no Facebook.

Outra situação que pode ilustrar esse elemento é um conjunto de pessoas que se junta para praticar um esporte, ou seja, para satisfazer sua vontade individual de jogar futebol ou basquete, por exemplo.

Aqui, entende-se que através da comunidade consegue-se chegar melhor às próprias realizações, com uns apoiando e contribuindo com os outros.

Conexão emocional

A conexão emocional, por sua vez, diz respeito a situações vividas pela coletividade, a sentimentos compartilhados de uma maneira especial, tanto positivos quanto negativos.

A lembrança de um dia feliz com várias pessoas, de um piquenique no parque, de uma aula especial, tudo isso faz com que os indivíduos se aproximem, pois eles são parte de uma história em comum.

Além disso, situações de tristeza ou de superação, como a luta contra uma doença, uma mudança drástica no estilo de vida, entre outras, também podem unir mais os seres humanos. Em ocasiões como essas, há mais entendimento acerca do outro, pois há algo em comum com ele, além de aumentar a cumplicidade e o sentimento de apoio mútuo.

Senso de comunidade: como ele pode ser trabalhado na escola

Qual a importância do senso de comunidade na educação?

Após falarmos acerca do senso de comunidade e das suas características, chegou o momento de destacarmos como toda essa realidade se encaixa na educação. Porém, mais do que isso, é preciso entender por que a sua escola precisa se preocupar com esse tipo de abordagem.

Primeiramente, para que toda a comunidade escolar esteja em real harmonia, é de suma importância que ela conte com o sentimento de empatia, de querer apoiar e entender o outro.

Sem isso, fica praticamente impossível obter bons resultados em médio e em longo prazos. Como ter um ambiente agradável se todos só pensam em si? Como crianças e adolescentes vão se sentir bem no ambiente escolar se não se sentem integrados, se não compreendem que podem contar uns com os outros? Como professores e gestores conseguirão conduzir bem os estudantes em um local de insatisfação?

Além disso, as instituições de ensino também devem se importar com a formação do caráter das crianças e dos adolescentes. Nesses locais, os pequenos passam um grande período de tempo. Eles veem muitos adultos nas escolas como verdadeiros exemplos a serem seguidos e têm um cuidado especial com o que eles têm a dizer sobre os mais diferentes temas.

É no ambiente escolar que todos são preparados para se tornarem, mais adiante, bons profissionais, que realmente fazem a diferença no meio em que atuam. E isso não tem a ver somente com uma boa formação em termos de conhecimentos práticos, como português e matemática, mas também está ligado à forma de ser e de agir.

Diversos processos seletivos já contam com dinâmicas que visam conhecer mais o verdadeiro eu de cada candidato e o quanto ele poderá ser colaborativo com os colegas e com a própria empresa. Todos precisam estar bem preparados para isso.

Outro fator a se destacar aqui é que a educação pós-pandemia traz essa necessidade ainda mais urgente de promover a cidadania. A disseminação de Covid-19 pelo mundo mostrou como a colaboração faz a diferença, inclusive quando se trata de vencer um inimigo que pode atacar a todos, sem distinção. Cada vez mais, a importância de formar pessoas colaborativas mostra-se mais intensa.

Como ensinar o senso de comunidade e a cidadania?

Pronto, agora você já sabe o que é o senso de comunidade, quais elementos o compõem e por que é tão importante que ele seja cultivado no contexto da educação escolar. Porém, como fazer isso? O que é preciso para alcançar bons resultados e estimular a prática da cidadania? Quais ações devem ser aplicadas nesse contexto?

Preparamos um conjunto de dicas sobre o assunto para que a sua instituição de ensino se dê bem nesse sentido. Leia abaixo!

Ajude a desenvolver a inteligência emocional e a empatia

Empatia e inteligência emocional são algumas das palavras da moda atualmente. No entanto, muitas vezes, elas vêm acompanhadas de discursos vazios, que não fazem jus ao que de fato significam. Não caia nesse erro!

Esses dois conceitos são muito profundos e precisam ser entendidos em sua plenitude para que possam ser bem explorados. Ambos estão relacionados à capacidade de lidar com os outros a partir do entendimento dos sentimentos que eles possuem. Mesmo que não haja nada em comum com determinada pessoa, é fundamental tentar entendê-la diante do contexto em que está inserida.

Despertar esses sentimentos não é uma tarefa fácil, embora seja bastante satisfatória. Para isso, é indispensável explicar para as crianças e adolescentes que todo mundo tem uma história de vida que merece ser respeitada.

É essencial mostrar que todos os seres humanos desejam ser compreendidos, têm suas dores e esperam acolhimento. Procure destacar que erros são cometidos e que as falhas podem ser consertadas com o auxílio de quem verdadeiramente se dispõe a acolher e a amar.

Senso de comunidade: como ele pode ser trabalhado na escola

Uma forma de despertar a empatia e a inteligência emocional na prática em crianças e adolescentes é propor atividades que as façam usar a imaginação para viver situações que são comuns para os outros. Incentivá-los a se colocarem no lugar de pessoas diferentes fará com que eles consigam entendê-las de uma maneira diferenciada.

Proponha atividades em grupo e práticas de colaboração

Por falar em atividades, que tal propor algumas em grupo? Esse tipo de ação costuma produzir uma série de bons resultados. Divida a turma em times menores e peça a eles para realizarem trabalhos específicos.

O conteúdo, nesse caso, é importante, mas o foco principal deve ser outro: a cooperação de cada um dos membros. Por isso, pense em algo que obrigatoriamente faça com que todos tenham que participar igualmente e que precisem da ajuda uns dos outros.

Um exemplo de atividade nesse sentido é promover uma saudável competição de um time contra o outro. Um jogo de perguntas e respostas, por exemplo, fará com que todos estudem e se sintam responsáveis pelo resultado final. Cada um verá como o seu próprio acerto e o dos outros é relevante, e como a vitória não depende apenas de uma pessoa em especial.

O esporte costuma ajudar muito nesse sentido também. Aqueles realizados em grupos maiores revelam, na vitória e na derrota, que não se faz nada sozinho e que o individualismo não leva ninguém muito longe.

Além disso, pode-se incentivar os alunos a colaborar de maneiras diferenciadas. Estimulá-los a ajudar quem faltou a uma aula, transmitindo o que foi passado no dia, pedir para que aqueles que têm mais facilidade em uma matéria auxiliem e a expliquem aos colegas, entre outras ações, é bastante eficaz.

Tenha em mente que a aprendizagem criativa, com estudantes capazes de resolver os seus próprios problemas, de lidar com os desafios dos trabalhos em grupo, entre outras circunstâncias, é uma tendência que vem dando muito certo. Por meio desse tipo de abordagem, é possível ir longe nos objetivos e formar sujeitos mais ativos socialmente.

Promova o senso de pertencimento

Você se lembra de que falamos que as pessoas precisam verdadeiramente se sentir parte da comunidade? Entre as crianças e adolescentes, esse sentimento é ainda mais intenso e urgente. Eles realmente levam isso a sério e esperam ser aceitos e queridos pelo grupo do qual fazem parte.

Esse processo, no entanto, nem sempre ocorre de maneira natural. Embora existam aqueles estudantes que conseguem se tornar uma referência e que são procurados por todos os colegas para conversar ou brincar, há aqueles que precisam de um empurrãozinho a mais para se enturmarem e se sentirem integrados.

Ações nesse sentido são essenciais por parte das escolas. Uma forma de estimular esse senso de pertencimento tem a ver justamente com a influência, componente do senso de comunidade que já foi tratado neste artigo.

Descubra quais são os talentos e diferenciais de cada aluno e atue de forma que eles se sobressaiam, cada um de um jeito. Estimule-os a não somente mostrar essas características para os outros, mas também a se comunicar com alegria e entusiasmo. Cada criança e cada adolescente tem algo único dentro de si que pode contribuir com o crescimentos dos colegas de alguma forma, influenciando-os.

Abra espaço para o diálogo

Conversa, conversa e mais conversa. Isso é fundamental para que os pequenos consigam desenvolver o senso de comunidade de maneira plena e eficaz. Em primeiro lugar, porque, como já vimos, é de suma importância que eles sejam ouvidos. Essa escuta não deve ser só dos colegas, mas de todos que participam da vida estudantil deles, como os professores e gestores pedagógicos.

Entenda o que cada aluno sente. Muitas vezes, eles não estão confortáveis com alguém ou algum acontecimento e precisam se expressar para que possam ter ajuda para solucionar a questão. Aqueles que têm dificuldade de se sentir parte da comunidade podem ter uma razão especial para isso e ela precisa ser conhecida para ser tratada.

Nesse aspecto, a fala também é muito importante, em todos os momentos. Os envolvidos na educação da criança e do adolescente precisam estar preparados para responder as questões que porventura possam surgir deles. É necessário ter firmeza e mostrar que você é uma pessoa com quem se pode contar.

Porém, essa iniciativa nem sempre partirá dos pequenos. Muitos sentem dificuldades de dialogar sobre aquilo que estão passando. É nessa hora que se faz essencial se aproximar deles de maneira voluntária e conversar com bastante compreensão e sensibilidade.

Não seja invasivo, mas revele o quanto aquele estudante é importante para a escola e para aqueles que o rodeiam. Faça-o sentir alguém fundamental para todos.

Além disso, esteja sempre aberto para falar e ouvir quaisquer tipos de assuntos. Caso isso não ocorra, a criança pode perder a confiança no adulto e acreditar que não será entendida por ele.

Essa abertura ao diálogo também ajuda a estimular o pensamento crítico. Falando e ouvindo, as crianças e adolescentes conseguem compreender melhor o mundo e o universo ao qual pertencem, o que contribui para que consigam ser promotores de boas ações a partir de um entendimento mais aprimorado de suas responsabilidades.

Trabalhe a participação em projetos sociais

Para que se possa ter um sentimento maior de amor e cuidado pelos outros, investir em projetos sociais é uma ação que costuma gerar muitos resultados positivos ao longo do tempo. A escola pode tomar a frente nesse sentido, pensando em iniciativas para envolver as crianças e adolescentes nesse universo.

Promover visitas a asilos, por exemplo, pode ajudar a criar vínculos sólidos e a mostrar o quanto uns dependem dos outros. Antes disso, porém, deve-se preparar bem os pequenos para que eles entendam que essa ação tem um objetivo e que este é importante e nobre.

No caso de encontrar idosos, por exemplo, pode-se falar o quanto eles adquiriram sabedoria com os anos e como podem contribuir com os mais jovens a partir disso. Revele, ainda, que assim como eles podem auxiliar os pequenos, estes também podem ajudá-los, levando alegria e carinho à terceira idade.

Fale sobre o ciclo da vida e como cada fase é importante para o bom funcionamento de toda a sociedade. As crianças e adolescentes precisam entender que cada um tem o seu papel e que não há ninguém melhor ou pior do que o outro, mas que todos, inclusive eles mesmos, podem ter muito a acrescentar enquanto cidadãos.

A escola pode pensar em ações como essa ao longo do ano, já estabelecendo um calendário. Dessa forma, os próprios alunos já o seguirão e até criarão expectativas em relação a quando poderão estar mais perto de outras pessoas, fazendo e recebendo o bem.

Seja verdadeiramente inclusivo

Para realmente despertar o senso de comunidade nos estudantes, é de fundamental importância que a escola e que os que atuam nela sejam verdadeiramente inclusivos. Isso quer dizer que absolutamente todos devem ser acolhidos e ter as suas necessidades atendidas.

A educação especial é um exemplo de como a inclusão vem sendo trabalhada atualmente. Trata-se de conduzir a formação dos alunos de uma maneira consistente, valorizando-os tais como são e despertando neles os seus talentos e habilidades.

Além disso, aqueles estudantes que não têm necessidades especiais costumam ter uma formação mais sólida quando convivem com os que as têm. Eles crescem, em geral, menos preconceituosos, cientes do valor do outro e entendendo mais acerca das deficiências existentes e sobre como elas podem ser tratadas de maneira amorosa e exemplar.

A escola deve ter muita responsabilidade nesse sentido, mostrando-se preocupada com todos os estudantes e revelando que sabe tratar cada um deles da forma que precisa e merece.

Dessa forma, todos serão beneficiados e verão na instituição de ensino um local onde os desafios podem ser superados com o auxílio de todos que a integram, sem distinção.

Qual o papel da escola na formação do senso de comunidade?

Todas as ações descritas neste artigo são muito eficazes e ajudam a formar pessoas melhores para a comunidade em que elas vivem. A escola tem um papel fundamental nesse processo, não somente pensando e aplicando essas dicas, mas também fazendo um acompanhamento constante dos alunos.

Como cada pessoa tem suas características próprias. Pode ser que algumas despertem mais o sentimento de empatia do que outras ou mais rapidamente. Por isso, não basta apenas lançar mão de alguns artifícios. É importante encontrar os frutos e, caso eles não sejam colhidos em um primeiro momento, não deixar de investir neles.

Além disso, muito mais do que falar e promover boas atividades, a escola tem mais uma função social em todo esse processo: o de ser exemplo. Não é suficiente simplesmente ensinar ações do bem para a comunidade se a própria instituição de ensino não as pratica.

É necessário também ser uma referência em todos os sentidos. Por isso, sempre mostre preocupação com os envolvidos no processo de educação e com a sociedade como um todo. É fundamental que a escola, enquanto organização, assuma o papel de protagonista em fazer o bem, em auxiliar aqueles que precisam.

Exemplos do que pode ser feito nesse sentido são doações, palestras abertas para a vizinhança, campanhas que estimulem bons comportamentos, como de prevenção à saúde, entre outros. Os resultados valem muito a pena!

O senso de comunidade deve ser amplamente cultivado pelas instituições de ensino. Dessa forma, elas estarão formando verdadeiros cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, que futuramente serão profissionais bem-sucedidos. Estar ciente dessa responsabilidade é o primeiro passo para obter bons resultados e se diferenciar no cenário da educação não só hoje, mas também no amanhã.

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Senso de comunidade: como ele pode ser trabalhado na escola
Senso de comunidade: como ele pode ser trabalhado na escola