Setembro Amarelo nas escolas: como abordar temas de saúde mental?

setembro amarelo nas escolas
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A adolescência é uma fase cheia de mudanças físicas e emocionais, o que por vezes pode afetar a saúde mental dos jovens. Assim, trabalhar a campanha Setembro Amarelo nas escolas é fundamental para conscientizar sobre a prevenção do suicídio e incentivar os alunos a buscarem ajuda psicológica quando necessário.

Iniciada em 2015, a campanha Setembro Amarelo reserva este mês para ações que previnam o suicídio. No Brasil, a iniciativa é liderada pela Associação Brasileira de Psiquiatria, o Conselho Federal de Medicina e o Centro de Valorização da Vida (CVV).

Seu principal objetivo é quebrar o tabu de falar sobre suicídio e salvar vidas. Para tratar esse assunto delicado nas escolas, é preciso fornecer mecanismos para que os estudantes conheçam os seus sentimentos e desenvolvam as suas habilidades socioemocionais com maior segurança.

Além disso, é importante que os educadores evitem categorizar qualquer sentimento ou emoção como algo negativo, o que abre espaço para que os alunos e familiares entendam, reflitam e dialoguem mais sobre o que sentem.

Quer saber mais sobre o assunto? Confira, neste post, qual é a importância e como falar sobre saúde mental nas escolas!

Qual é a importância de trabalhar o Setembro Amarelo nas escolas?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente um milhão de pessoas tiram a própria vida ao redor do mundo todos os anos. O órgão também aponta que, no Brasil, o suicídio é considerado a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. E segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 60% das pessoas que se suicidam nunca se consultaram com um profissional especializado em saúde mental.

Diante desses dados alarmantes, é imprescindível falar sobre o assunto desde cedo, tanto na escola quanto em casa, para que se crie uma rede de apoio sólida em torno dos jovens. A escola é o espaço em que as crianças e adolescentes passam a maior parte do dia, onde convivem com colegas e formam as suas habilidades socioemocionais.

Essas habilidades são aperfeiçoadas por meio do desenvolvimento da inteligência emocional, que é demonstrada a partir dos comportamentos que apresentamos em relação a nós mesmos e aos outros. Estimular a inteligência emocional é de suma importância para que os jovens consigam entender o que estão sentindo, reconheçam o sentimento de outras pessoas, gerenciem as suas emoções e busquem ajuda para os seus problemas.

Na escola, os alunos estão próximos de amigos, gestores, funcionários e professores que também podem estar enfrentando alguma batalha interna e necessitando de ajuda. Nesse contexto, é preciso que a escola busque alternativas para fortalecer o senso de comunidade e de pertencimento. Desse modo, um cuida do outro e cria-se um espaço de confiança para quem precisa falar dos seus sentimentos.

Como trabalhar a campanha Setembro Amarelo nas escolas?

Ao implementar ações de combate à depressão e prevenção do suicídio, a escola mostra-se ativa e passa a entender melhor como os seus alunos estão se sentindo. Para tanto, é necessário adotar abordagens que falem com toda a comunidade escolar e que, em hipótese alguma, sejam percebidas como julgamento. Acompanhe as melhores ações para praticar na sua escola a seguir.

Faça palestras

Um dos principais objetivos da campanha Setembro Amarelo é enfrentar o problema de frente. Para isso, é substancial falar sobre o assunto abertamente. Portanto, convide profissionais da área de psicologia e que trabalham na prevenção do suicídio para dar palestras na escola.

Os palestrantes devem expor os fatores de risco e ensinar os estudantes a identificá-los em si e nos outros. Também é preciso apresentar possíveis soluções para o problema, como acompanhamento psicológico e psiquiátrico, exercícios físicos e mudanças de hábitos.

Geralmente, as palestras são realizadas presencialmente. No entanto, no contexto atual de pandemia em que a maioria das escolas adotou a modalidade de aulas remotas, esses eventos podem ser feitos virtualmente. Com isso, os pais também terão a oportunidade de assistir às palestras e debater o assunto em casa com seus filhos.

Promova rodas de conversa

Essa atividade incentiva o diálogo, contribuindo para que os alunos digam o que pensam sobre o tema, compartilhem ideias e tirem dúvidas, podendo ser realizada de forma presencial ou virtual. Para que flua e seja uma conversa esclarecedora, o debate deve ser mediado por uma pessoa experiente, que identifique momentos oportunos para fazer observações e eventuais fatores de risco.

Os organizadores das rodas de conversa devem criar um ambiente que transmita confiança, que seja acolhedor e livre de julgamentos que possam intimidar os estudantes e reprimi-los sobre o assunto. Também é indicado exemplificar o debate trazendo casos de pessoas conhecidas da cultura jovem.

Estimule o desenvolvimento das habilidades socioemocionais

O desenvolvimento das habilidades socioemocionais, como autoconhecimento, empatia e resiliência, permite que as crianças e adolescentes aprendam a lidar melhor com as suas emoções e com as de quem está ao seu redor. Quanto mais autoconhecimento um indivíduo tem, mais facilidade ele terá para identificar o que está sentindo, facilidade para se abrir e receber acompanhamento psicológico.

Sendo assim, é recomendado estimular o aperfeiçoamento das competências socioemocionais por meio de projetos em grupo, em que os alunos se aproximem dos seus colegas e possam exercer essas habilidades, além de capacitar os professores para trabalharem essas questões dentro da sala de aula.

Espalhe cartazes pela escola

Espalhar cartazes no ambiente escolar é um ótimo ponto de partida para incluir o assunto na escola. Os cartazes podem ser produzidos pelos próprios alunos como uma atividade extracurricular, incentivando-os a pesquisar e conversar sobre o tema de maneira criativa.

Durante as aulas remotas, os cartazes podem ser feitos em casa e apresentados à turma virtualmente. A escola também pode enviar materiais personalizados por e-mail para cada turma para que pais e alunos leiam, debatam e formem uma rede de preservação da saúde mental.

Incentive o acompanhamento profissional

Ao aplicar as ações citadas aqui, a escola poderá identificar eventuais membros da comunidade escolar que estejam com depressão ou demais problemas psicológicos e direcioná-los para um acompanhamento profissional. Isso é imprescindível para que a pessoa receba um tratamento adequado e eficiente.

Quais são os sinais de que um aluno está com a saúde mental comprometida?

Quanto mais cedo forem identificados os sinais de que um aluno está passando por problemas psicológicos, mais rápido ele poderá ser encaminhado para um tratamento profissional. Apesar de não haver uma regra sobre os sinais manifestados, algumas das situações mais comuns são:

  • perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
  • abandono do convívio social e amizades;
  • falta de interesse pelos estudos e de comprometimento com as responsabilidades diárias;
  • desequilíbrio emocional, como irritabilidade, agressividade ou agitação;
  • falar constantemente sobre morte;
  • alteração no sono, o que faz com que o aluno fique sonolento durante a aula;
  • queda no rendimento escolar.

Os educadores também devem observar a comunicação não verbal dos jovens, como postura, olhar, gestos e jeito de falar. Esses sinais acendem uma luz vermelha, principalmente quando são manifestados em conjunto. Nessas circunstâncias, os profissionais da escola devem estabelecer uma relação de confiança com o estudante e abordar o assunto de uma maneira confortável.

Como você pode perceber, a campanha Setembro Amarelo nas escolas é algo de extrema importância. Afinal, ela abre o diálogo sobre saúde mental e gera oportunidades de observação sobre como os alunos se sentem. A iniciativa conscientiza alunos e funcionários sobre como identificar questões relacionadas à ansiedade e depressão, fazendo com que não tenham receios de buscar ajuda.

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