Síndrome de Burnout em professores: veja como esses profissionais são afetados!

Síndrome de Burnout em professores: veja como esses profissionais são afetados!
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Na rotina desafiadora dos professores, eles precisam não só preparar e ministrar aulas, mas também corrigir trabalhos e atividades, lidar com conflitos, além de, muitas vezes, levar trabalho para a casa e não ter o devido reconhecimento. Isso pode levar ao desenvolvimento de doenças ocupacionais, como a Síndrome de Burnout em professores.

Essa síndrome é bastante comum entre esses profissionais, pois eles estão expostos a diversos fatores de risco, como estresse, jornadas de trabalho longas e falta de reconhecimento profissional. Então, é importante entender essa síndrome e conscientizar os professores para que eles tenham atenção à sua rotina e busquem ajuda quando for necessário.

Neste artigo, explicamos sobre a Síndrome de Burnout em professores, mostrando o que é esse problema, quais são os principais sintomas, como pode afetá-los no exercício da profissão, entre outros pontos relevantes. Acompanhe!

O que é a Síndrome de Burnout?

A Síndrome de Burnout, termo que significa “queimar completamente”, é uma doença ocupacional caracterizada pelo esgotamento profissional. O termo foi cunhado em 1974 por Herbert Freudenberger, psicanalista de origem alemã, referindo-se ao distúrbio que prejudica a capacidade de um profissional exercer as suas funções de maneira adequada.

Ela surge como resposta emocional quando o indivíduo é submetido ao estresse crônico, principalmente no caso daqueles que lidam diretamente com o público e têm envolvimento emocional com ele, como os professores.

Estar submetido a más condições de trabalho, pressão e sobrecarga também é um fator que causa a síndrome, pois impede os profissionais de executarem seu trabalho de maneira satisfatória.

Embora esteja necessariamente ligada ao trabalho, ela também afeta outros aspectos da vida dos indivíduos acometidos, impactando não só a saúde mental, mas também a saúde física e a vida social.

Quais são os principais sintomas?

A Síndrome de Burnout tem três dimensões:

  • exaustão emocional;
  • despersonalização;
  • baixa realização profissional.

O distúrbio pode se manifestar de diversas formas, desdobrando-se a partir de cada uma dessas dimensões. O professor afetado costuma:

  • se sentir exausto ou sem energia, mesmo que descanse;
  • se distanciar mentalmente do trabalho;
  • executar o seu trabalho de maneira ineficaz ou com baixa qualidade;
  • faltar ao trabalho;
  • ter dificuldade para dormir;
  • ter falta de apetite;
  • se sentir tenso, ansiosa, fatigado, deprimido, apático e irritável;
  • se afastar das pessoas do seu convívio, tendo problemas nos relacionamentos com a família e os amigos;
  • ter dificuldade para se concentrar;
  • ter pensamentos pessimistas, acreditando que não pode fazer nada para melhorar a sua situação, o que o leva a se desinteressar pelo trabalho.

Qual é a incidência da Síndrome de Burnout em professores?

De acordo com uma pesquisa realizada em 2017 na Universidade de Brasília (UnB), 15,7% dos professores do ensino básico entrevistados desenvolveram a síndrome. Pode parecer uma parcela pequena, mas vários deles apresentaram um dos três sintomas principais.

Além disso, quase um terço dos docentes (29,8%) apresentou alto nível de exaustão emocional, 14% tiveram casos de despersonalização alta e 31,2% experimentaram sentimentos de baixa realização profissional.

Em 2020, durante a pandemia, foi realizada outra pesquisa com professores pelo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS-Sindicato), mostrando números alarmantes de docentes submetidos a fatores capazes de desencadear a Síndrome de Burnout. Esse estudo chama a atenção por revelar uma situação que pode ser vivenciada por docentes em todo o país atualmente.

Conforme a pesquisa, 98% dos professores participantes estavam sobrecarregados no trabalho sem receber adicional por horas extras, enfrentando atrasos nos salários e se sentindo desgastados física e psicologicamente, com insônia e sentimentos de ansiedade, tristeza e incertezas.

Como ela pode afetar os professores no exercício da profissão?

Algumas das consequências da Síndrome de Burnout em professores afetam a saúde física e mental e prejudicam a qualidade de vida. Assim, eles podem se ausentar com frequência do trabalho por estarem doentes e desempenhar suas funções com menos qualidade.

Isso ocorre tanto pelo desinteresse quanto por não darem conta de tantas demandas, além dos professores terem um relacionamento conturbado com colegas e estudantes.

Como a escola pode ajudar a evitá-la?

Na pesquisa da UnB, também foi levantado outro dado: 28,1% dos professores sentiram que não tinham suporte dos pares e 25,2% que não tinham suporte da chefia. É interessante considerar esse aspecto, pois mostra uma lacuna em algo que pode ajudá-los a superar — ou evitar — a Síndrome de Burnout.

Um dos primeiros passos é promover a conscientização sobre o problema, fomentando discussões saudáveis entre os docentes e outros profissionais da escola. Conversando sobre o assunto, eles podem notar sintomas e dar suporte uns aos outros diante dos desafios, como a sobrecarga e as condições de trabalho.

Também é importante incentivar os docentes a buscar tratamento psicológico quando necessário. Uma alternativa interessante seria ter um profissional na escola para ouvi-los quando sentirem necessidade.

Além disso, é indispensável que as escolas ofereçam boas condições de trabalho. Para isso, o principal é evitar salas superlotadas, fornecer aparelhos e materiais adequados para apoiá-los no desempenho das suas funções, não deixar que acumulem funções e estimulá-los a gerir melhor o tempo.

Pensando no bem-estar e na qualidade de vida, é possível que a escola crie um ambiente agradável e positivo, estimulando, por exemplo, o debate, a troca de ideias e a prática de atividades físicas. Assim, eles mantêm a saúde em dia e aliviam um pouco o estresse.

Como funciona o tratamento?

No caso dos professores que já desenvolveram a síndrome, é fundamental contar com ajuda profissional e realizar exames médicos para saber qual é o melhor tratamento. Dependendo dos sintomas, que são bastante variados, pode ser necessário, além da orientação com um psicólogo, consultar outros especialistas para tratar as manifestações físicas do Burnout.

Também é necessário tratar e mapear todos os sintomas físicos e psíquicos, pois cada indivíduo tem características próprias e nem todos são afetados da mesma maneira pela Síndrome de Burnout. É recomendável ainda que os profissionais acometidos pela síndrome realizem, no tempo livre, atividades que permitam o distanciamento do trabalho.

Além disso, é importante entender quais aspectos do trabalho geram desconforto e insatisfação, pois é isso que permite realizar mudanças eficazes para resolver a situação. Afinal, o ambiente precisa ser mudado para que o profissional volte a se sentir tranquilo e satisfeito no trabalho.

A Síndrome de Burnout em professores é um problema extremamente sério e deve ser tratado com seriedade na escola. Além disso, é importante que os docentes sejam incentivados a buscar auxílio especializado caso sofram com esse problema, de modo a receber o tratamento adequado.

Você conhece algum professor que sofreu com a Síndrome de Burnout? Tem alguma dica para compartilhar sobre o assunto? Conte para nós nos comentários!