Tecnologia, performance e diversidade no contexto educacional

performance e diversidade
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Para contemplar as necessidades de alunos e professores, as escolas vêm buscando, cada vez mais, ferramentas tecnológicas e inovações que possam ser implementadas no processo de ensino e que ultrapassem os limites da sala de aula e viabilizem novos modelos de gestão da educação.

Durante o Festival Nova E-ducação, Guilherme Cintra, head de inovação do Eleva Next, mediou um bate-papo com Silvana Bahia, diretora executiva do Olabi, e Fabro Steibel, diretor executivo do ITS Rio, sobre tecnologia, performance e diversidade. Confira a seguir!

Os conceitos de tecnologia e performance

Como o assunto é tecnologia, performance e diversidade, é importante entendermos o que cada um dos palestrantes pensa a respeito de tecnologia e suas aplicações no contexto educacional.

Fabro enfatiza que mesmo o papel e a caneta são tecnologias muito avançadas, porque compreendem gravidade, atrito, entre outros conceitos, e que a tecnologia, portanto, pode ser considerada como qualquer ferramenta utilizada para atingir um objetivo.

“Geralmente pensamos em coisas mais high-tech, como celulares e computadores, mas a tecnologia pode ser uma maneira de chegar ao resultado, como a voz é a maneira de se comunicar”, explica Fabro.

Silvana destaca a importância de observar o significado de tecnologia de uma forma ampla. Apesar de a ideia de tecnologia ser habitualmente associada ao digital, não necessariamente eles estão ligados. “A tecnologia é muito importante para criarmos soluções e permitir a aplicação de criatividade”, diz Silvana. 

Ela também ressalta que a tecnologia não começa com a internet e que é importante lembrar sua relação com um conceito mais amplo, que visa a encontrar soluções. Realça que a performance está ligada à maneira como usamos a tecnologia e especifica os indicadores usados para entender o caminho para atingir um objetivo. “Se o mundo está em mudança constante, então o uso da tecnologia também é alterado, e a performance e os indicadores também precisam sofrer transformações”, destaca a diretora executiva do Olabi.

Nessa linha de performance e mensuração de dados, Fabro diferencia dois formatos, o quantitativo e o qualitativo. Segundo sua explicação, quantitativo é aquilo que pode ser expressado em uma escala de menor a maior, enquanto qualitativo permite diferenciar o valor entre duas coisas. 

Para ele, o ideal é pensar performance sob esses dois aspectos e, a partir dos dados coletados, criar uma tecnologia para alcançar o objetivo proposto, entendendo o que é necessário e quais informações você quer visualizar durante o processo para mensurá-las.

Tecnologia, performance e diversidade no contexto educacional

A importância das relações humanas nesse processo

Durante a conversa, Guilherme Cintra abordou as relações humanas dentro da escola, e como elas estão relacionadas com a tecnologia. Silvana Bahia abriu o tema ressaltando como é importante conhecer a experiência de todos os envolvidos, ouvindo feedbacks e entendendo o que pode melhorar..

Ela também destacou que não devemos pensar na educação de forma linear, porque existem várias formas de aprender, e demonstrou a importância de experimentar e tornar o ambiente escolar um espaço de escuta. Além disso, ressaltou que a diversidade deve estar também nas formas de aprender e nas ferramentas com esse fim. Destacou a relevância de analisar a tecnologia mais criticamente, indo além de seus aspectos técnicos.

Cintra ligou o assunto às mudanças por que estamos passando neste momento de crise, às muitas transformações na educação, como o novo ensino médio e o ensino híbrido, e às incertezas para o ano de 2021. Com isso, destacou a importância de pensar a escola como um espaço de ressignificação, envolvendo o time todo na criação de novos caminhos.

“Para isso, é essencial entender que muitas coisas nós não sabemos fazer”, ressaltou Fabro, “e ter humildade para aceitar nosso erro e pensar em respostas e soluções que tornem a escola mais humanizada”.

Silvana destacou o fato de estarmos formando pessoas para trabalhar em profissões que sequer ainda existem, ou seja, o fato de que tudo está em constante transformação. Segundo ela, mais importante do que descobrir que profissões serão essas é definir como será a transição e adaptação a essas mudanças para que seja possível acompanhá-las com agilidade.

Ela conclui essa fala pontuando a necessidade constante de aprender e reaprender em um ambiente que muda tão rapidamente. É preciso ter também um espaço aberto para que haja diversidade na escola, e que isso promova uma pluralidade de olhares.

Escola e diversidade

Para pensar a escola como um espaço de performance e diversidade, Silvana destaca que isso vai muito além de oferecer bolsas, no caso de escolas particulares por exemplo, e que é necessário criar estímulos que fomentem os múltiplos olhares, com pessoas diferentes e ideias diferentes.

Fabro ressalta que é preciso zelar por órgãos de governança dentro da escola, como conselho de pais e de professores, com uma agenda proativa, dispostos a entender os problemas e pensar em soluções para eles. Afinal, processos são fundamentais, mas é necessária também uma boa gestão de tais processos.

O gestor escolar precisa entender que ele é um condutor e precisa saber coordenar todos os processos, avaliar, escutar e entender o que está sendo feito, para um melhor funcionamento da escola.

Uso de dados nas escolas

“Acho que precisamos gerar novos dados e fazer novas perguntas”, destaca Silvana. Ela afirma que é preciso perceber a experiência da comunidade escolar, elaborar dados relevantes sobre isso, mensurar e criar indicadores que possam ajudar a desenvolver potencialidades.

Ela também assinalou que a transformação digital está alinhada com a transformação da cultura, reforçando a ideia de que as escolas podem ser um espaço de acolhimento onde alunos e professores podem se sentir potentes. E recomendou o canal do youtube ‘Computação se caô’, dentro do tema.

“As pessoas que estão na escola hoje são os adultos de amanhã”, destacou.

Por fim, Silvana deixa a mensagem de que é necessário aprender e desaprender para deixar o novo chegar e abrir espaço para novas experiências.

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