Você sabe o que é avaliação formativa?

Você sabe o que é avaliação formativa?
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Nem sempre as avaliações tradicionais se mostram eficientes, uma vez que o aluno pode ter estudado bastante, mas na hora da prova ficar ansioso e acabar esquecendo algum assunto importante. Diante disso, surge a necessidade de aplicar métodos mais amplos e que mensuram melhor o desenvolvimento dos estudantes, como a avaliação formativa, que realiza um acompanhamento aprofundado e individual do discente.

Como se trata de uma estratégia inovadora e que ainda está dando os primeiros passos no Brasil, muitas escolas e educadores apresentam diversas dúvidas sobre como funciona a avaliação formativa e como é possível aplicá-la. Neste post, vamos abordar tudo o que você precisa saber sobre o assunto. Confira!

O que é avaliação formativa?

De acordo com uma pesquisa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2020, 34% dos jovens brasileiros com 15 anos já repetiram de série pelo menos uma vez ao longo da vida escolar. Além das questões sociais, esse cenário também está relacionado às dificuldades dos alunos em lidarem com as avaliações tradicionais, constituídas principalmente por provas que, muitas vezes, não mensuram com exatidão os seus conhecimentos individuais.

Por sua vez, a avaliação formativa trabalha com conjunto de práticas, com métodos avaliativos amplos e diversificados, a fim de medir de forma profunda e individual a performance do estudante no seu processo de aprendizagem. Nela, a criança ou adolescente pode expressar o que pensa sobre as questões didáticas e de ensino trabalhadas com o educador.

Enquanto as provas convencionais estão focadas na reprodução do conteúdo aprendido em cada disciplina, tendo um aspecto unilateral e que não dá espaço para o aluno dar o seu feedback sobre a aula, a avaliação formativa está relacionada ao protagonismo do aluno, fazendo com que ele seja coautor do seu próprio desenvolvimento.

Como funciona na prática?

O primeiro passo para a implementação da avaliação formativa é ressignificar a finalidade da classificação que ocorre a partir de notas. A hierarquização do desempenho dos estudantes, separados entre bons e ruins, costuma ser uma prática prejudicial quando tem como único objetivo criar um ranking.

É importante que o mapeamento das dificuldades dos discentes seja feito com o intuito de estimular o desenvolvimento de competências e conhecimentos ainda não adquiridos, e não para montar uma lista que possa vir a constrangê-los em decorrência dos seus resultados.

Nesse sentido, a avaliação formativa se dá de maneira contínua, cumulativa e qualitativa, estabelecendo um mapeamento que evidencie em qual nível o aluno está quanto ao aperfeiçoamento das suas habilidades.

A classificação do estudante por desempenho acaba acontecendo como resultado natural dos processos avaliativos. Os educadores devem analisar essa classificação para entender quais alunos estão prontos para avançar na disciplina e quais necessitam de mais estímulos para uma melhor compreensão acerca dos conteúdos.

Isso não significa que esse método descarta as notas, mas que as utiliza de uma maneira mais complexa e qualitativa. Portanto, a avaliação formativa se vale da classificação para identificar e potencializar as habilidades dos alunos.

Quais são os instrumentos utilizados na avaliação formativa?

São vários os instrumentos que podem ser utilizados para a aplicação da avaliação formativa. Inclusive, ela pode fazer uso dos mesmos recursos empregados em avaliações tradicionais, mas com uma finalidade diferente. Veja quais são as principais ferramentas da modalidade.

Atividade de resposta construída

É formada por questões que exigem respostas orais ou escritas, que podem ser de caráter objetivo ou subjetivo.

Atividade de múltipla escolha

Costuma ser um método mais prático e objetivo, mas é fundamental elaborar perguntas claras e sem alternativas ambíguas.

Autoavaliação

Considerado o instrumento mais importante da avaliação formativa, é quando o aluno analisa a sua própria jornada de aprendizado para dar um feedback consciente sobre as competências consolidadas e possíveis dificuldades. É a ferramenta que mais dá autonomia e valoriza o protagonismo do estudante, devendo conter quesitos que o ajudem a refletir sobre a sua performance.

Portfólio

Esse documento descreve as etapas de um projeto ou atividades a serem feitas pelo discente. No modelo formativo, o portfólio deve ser construído com o acompanhamento do professor, que também precisa oportunizar feedbacks e abrir espaços para ajustes quanto aos processos e resultados alcançados.

Você sabe o que é avaliação formativa?

Como aplicá-la nas escolas?

O sucesso da avaliação formativa depende da combinação de instrumentos e práticas variados. Com isso, o processo é realizado de uma forma mais dinâmica, o que contribui para o engajamento da turma. Acompanhe, a seguir, as melhores dicas para aplicar a avaliação formativa.

Convide o aluno a fazer uma autoavaliação

A autoavaliação funciona como uma análise oral ou escrita feita pelo próprio aluno sobre o seu processo de aprendizagem. Para isso, o professor disponibiliza uma ficha com os quesitos e níveis que devem ser avaliados, como ‘’apliquei os conhecimentos estudados’’ ‘’ () razoável, () bom, () ótimo’’.

Por meio dessa prática, o estudante aprimora a capacidade de gerenciar os seus pensamentos, comportamentos e sentimentos, desenvolvendo uma postura autônoma, responsável e crítica sobre a sua formação. Porém, o professor deve evitar alguns erros, tais como:

  • construir o questionário com perguntas genéricas;
  • falar dos resultados sem conversar individualmente com os alunos;
  • permitir que o estudante dê a sua própria nota;
  • fazer a avaliação apenas no final do semestre.

Tenha em mente que o objetivo é incentivar o jovem a refletir sobre o que está aprendendo, facilidades e eventuais motivos para um desempenho insatisfatório.

Faça avaliação do professor

Entender a percepção do aluno quanto ao modo que o professor explica e ensina o conteúdo é indispensável para melhorar a performance individual e coletiva da turma. Para tanto, o professor pode criar um questionário com quesitos relacionados ao seu trabalho e níveis de satisfação do estudante.

A partir dos resultados da avaliação, o educador entende quais são os pontos fortes e fracos das suas aulas e, assim, pode efetuar os devidos ajustes para atender as necessidades apontadas pelos alunos.

Aplique simulados

Mais do que avaliar, os simulados também são uma boa opção para ajudar a turma a se preparar para uma prova. Após a exposição de um conteúdo, pode-se realizar simulados para verificar qual é o nível de conhecimento do aluno em relação ao tema estudado.

Com base nos erros e acertos dos estudantes, você consegue descobrir em quais áreas eles apresentam maiores dificuldades. Isso serve de direcionamento para reforçar explicações e tirar dúvidas antes da aplicação da prova real.

Realize debates

Os debates se caracterizam com uma forma de checar o conhecimento do discente a partir da sua capacidade de argumentação, ou seja, a forma que ele expõe a sua opinião sobre determinado assunto, bem como os recursos que se apropria para defender o seu ponto de vista.

Portanto, separe a sua turma em pequenos grupos para que todos tenham a oportunidade de argumentar, e proponha uma discussão saudável sobre o tema relacionado à disciplina. Nesse contexto, os alunos podem trocar experiências e o professor avalia como cada um interage com o conteúdo.

Produza uma prova dissertativa

A prova dissertativa consiste em uma série de perguntas, as quais o aluno deve responder com as suas palavras tudo o que sabe sobre o assunto estudado. O teste avalia a capacidade do estudante em interpretar, resumir, analisar e construir pensamentos críticos.

Todas as respostas devem ser construídas em forma de redação, a qual o professor poderá verificar se o aluno se ateve ao tema proposto, conseguiu organizar ideias, se aprofundou no conteúdo, soube entender o problema central e trazer soluções compatíveis.

Com a avaliação formativa, a escola mostra para toda a comunidade escolar que os alunos são muito mais do que números e resultados. Afinal, o método contribui para uma formação evolutiva, que reconhece as necessidades individuais de cada estudante e oferece mecanismos para que eles gerenciem a sua aprendizagem.

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